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Em busca da Moda Consciente

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Imagens: Agnes Samantha

A indústria, de um modo geral, está se adaptando à moda sustentável, já que o consumo de matéria prima natural é significativo neste meio. Seguindo a linha do processo upcycling, os brechós buscam reaproveitar itens antigos e descartados para criar algo diferente ou customizado, tornando-se uma moda consciente para os consumidores.

Inspirados neste processo ou mesmo sem saber de sua definição, muitas pessoas apaixonadas por moda veem criando recursos para reutilizar peças de roupas. Com a ajuda de recursos populares como as redes sociais, a exemplo do Facebook e do Instagram, algumas meninas de Lages iniciaram seu e-commerce de roupas usadas.

Os brechós online tomaram conta dos admiradores de peças vintage, e assim surgiram o Brechólico, Meu Brechó Nada Básico, 2nda Chance, Ste’s Brechó, Garimpei ou enjoei, Brechic do Girassol, Old Closet Cristore, Acervo 22 e o Brechó Mana’s. (No Instagram – @brecholico, @stesbrecho, @2ndachance, @garimpeiouenjoei, @meubrechonadabasico, @brechic_do_girassol, @oldcloset.cristore, @acervovinteedois e @brechomaanas)

A ideia para a criação das lojinhas online surgiu quase que da mesma forma, para os mais recentes, com apenas alguns meses no mercado, até os mais antigos, com mais de um ano: tirar suas próprias peças, ou peças de amigas, que não eram mais utilizadas do guarda-roupa.

O feed de fotos chama a atenção pela criatividade em que as imagens podem ser postadas. Por isso, quase 99% das suas clientes estão no Instagram. As meninas relatam que as pessoas interessadas por peças de brechós buscam, além de uma roupa que pode ser adquirida nas lojas fast fashion, uma história e uma composição única. Cada uma delas inseriu no negócio sua própria marca pessoal, umas mais góticas, outras mais conceituais.

Stephanie Marcelo, 19 anos, trabalha atualmente na área de estética, mas revela que o que faz seu coração bater mais forte é a moda. Assunto que ela tem interesse desde pequena, e hoje com o brechó, conseguiu conciliar seus afazeres e ter uma renda extra. “Tenho dificuldades para encontrar peças que fiquem bem no meu biotipo, por isso, também quero ajudar outras meninas que tenham o mesmo problema.”

Aos 12 anos, Sofia Orsatto já confeccionava roupas e moletons, por hobby. Neste ano, unida a algumas amigas que mudariam de cidade, fizeram uma “limpa” nos guarda-roupas e resolveram ofertar pelas redes sociais. O perfil no Instagram Old Closet Cristore, não é um negócio e sim uma prática que incentivou o consumo consciente das garotas. É um hobby que ela pretende levar para a vida.

As irmãs Naiara Rodrigues Kuster, 19 anos e Camila Rodrigues Kuster, 21, têm apoio total da família para o negócio que há cerca de uma semana se tornou também um espaço físico. A mãe Paula Rodrigues é uma das grandes incentivadoras, além, é claro, de Camila, que entrou no negócio para ajudar a irmã, que é um pouco mais tímida. As duas montaram o Brechó Mana’s. O sonho de Naiara de trabalhar com moda fica um pouco mais próximo, já que encontrou no negócio a forma mais fácil de se inserir neste mercado. Ela ainda pretende cursar design de moda e seguir nesse ramo.

Mortisa é um nome artístico e, a garota que sempre gostou de arte, é formada em fotografia e desde mais nova confeccionava acessórios para vender. Quando veio para Lages, há cerca de um ano, decidiu reviver um negócio que há algum tempo atrás não tinha dado assim tão certo na antiga cidade. Desta vez, seu perfil para venda de roupas usadas deu tão certo, que ela conseguiu clientes desde as primeiras postagens. Suas peças, que carregam muito de seu estilo, fazem tanto sucesso que quando chegam à rede, geralmente já estão reservadas. Com isso, e a ajuda do namorado Rusga, resolveu levar a ideia adiante e abrir as portas da sua casa.

A história de Fran Lima difere, em parte, das demais, pois, formada em administração e trabalhando como consultora criativa para sete empresas, viu no brechó uma possibilidade de aliviar a mente. Dentro das consultorias, via-se trabalhando com redes sociais e incentivando as pessoas a comprar e consumir cada vez mais. Na sua criação, sempre houve limitações quanto a esse consumo. Relata que seu pai a incentivava a ter poucas peças de roupas e assim ela seguiu também depois de adulta. Decidiu, então, criar um canal de vendas sustentável. Para iniciar, pegou peças consignadas e em pouco tempo se viu em um mar de roupas de mais de 140 pessoas. Seu atendimento, além de online, ocorre pessoalmente, na sua nova casa, que ela reside hoje, justamente para poder atender às clientes. Seu tempo é escasso e, por isso, procura se adaptar entre o trabalho de consultoria e as vendas. Além disso, uma coisa que ela aprendeu foi a avaliar as peças antes de pegar, isso ajudou a ‘desamontoar’ um pouco a loja.

Ana Clara Mariano sempre gostou de ler sobre moda e tinha o sonho de ter sua loja própria. O brechó online foi o caminho mais prático. O sonho vem se tornando realidade, e para o futuro, a biomédica que hoje atua somente com seu brechó, pretende ter a própria marca de roupas.

Nicole Ehrhardt, 22 anos, é criativa desde pequena e teve estimulo dentro de casa, ao ver a mãe sempre confeccionando artesanatos. Conta que sua infância não foi de fartura e que a mãe Juliana, muitas vezes, ficava durante as noites bordando para ter uma renda extra. Foi assim que elas mudaram de cenário e, hoje, além de ter uma vida confortável, Nicole desenvolveu habilidades artesanais. “Pretendo fazer isso para o resto da vida,” revela ela, que teve o incentivo da Ana e da Fran para criar seu brechó virtual. As garotas se conheceram na feira de artesanato que acontece na Praça Joca Neves uma vez ao mês.

Elas comentam que hoje existem muitos adeptos de brechós, justamente por ser uma moda sustentável e de custo relativamente menor. Mas algumas pessoas ainda têm preconceito com as peças reutilizadas e a ideia do grupo é, justamente, provar que existem roupas boas e de qualidade nos brechós, além de serem peças únicas.

Unidas as garotas promoverão um brechó físico, na Igreja Presbiteriana de Lages, neste sábado (15), das 14h às 18h30. No local, além de peças diferenciadas, haverá um som de discotecagem (com discos de acervo pessoal). A entrada será um quilo de alimentos ou de ração, que será doado para instituições carentes.

O que_ Encontro de Brechós Online de Lages

Quando_ Sábado (15)

Onde_ Quadra da Igreja Presbiteriana de Lages, Rua Fausto de Souza, 353, Centro, próximo ao Ceja

Horário_ Das 14h às 18h30

Entrada_ 1 quilo de alimento ou ração, por pessoa

 

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