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#CLentrevista com Cláudio Silveira

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Foto: Jordana Boscato

Correio Lageano: Como foi o evento que aconteceu nesta sexta-feira (14), do bicentenário de Anita Garibaldi, no Centro Cultural do Sesc?

Cláudio Silveira: Tivemos, nesta ocasião, uma espécie de ensaio para o grande evento que vai ocorrer dia 30 de agosto de 2021, que é o bicentenário da heroína Anita Garibaldi. O que aconteceu, foi o plantio de uma rosa híbrida, desenvolvida na Itália em 2018, por um botânico italiano, sendo plantada no Litoral, na cidade de Laguna, já pensando em Anita Garibaldi, em homenagem a ela. Uma rosa que, por sinal, é muito bonita. Está sendo plantada  nas principais cidades onde Anita teve uma ligação histórica. Lages, Curitibanos, quando na verdade era Lages também, pois Curitibanos era um distrito de Lages quando aconteceu a Revolução Farroupilha. Pode-se dizer que temos duas rosas plantadas, na região de Lages, do ponto de vista histórico. Também temos nos municípios de Anita Garibaldi e Garopaba. A vinda para a região, da bisneta dela, é justamente para prestar essa homenagem à heroína. A bisneta está com quase 80 anos, mas é uma senhora muito lúcida, professora, italiana, que se orgulha muito em ser descendente de Anita Garibaldi. Para nós, foi uma honra recebermos essa senhora em nossa cidade, porque é como se estivéssemos um pouco mais perto da nossa heroína.

E vê-la falando, sorrindo, contando algumas experiências da sua trajetória, em relação à familiaridade, do sobrenome Garibaldi, foi algo fantástico. Foi um evento cultural. Apresentamos nossos principais símbolos culturais de Lages, por exemplo, a apresentação do CTG Anita Garibaldi, que é, talvez, a única instituição de Lages que leva o nome da heroína, ficou muito apropriado. Foi efusivamente aplaudida a participação deles, e a participação das demais autoridades. É bom lembrar que, o evento é um convênio do Instituto Cultural Anita Garibaldi, de Laguna, que lidera esse processo com uma comissão estadual, liderada pela Fundação Catarinense de Cultura. O Instituto Anita tomou várias iniciativas, inclusive, o arranjo de uma comitiva brasileira participar na Itália, de vários eventos similares que vão acontecer agora, final do mês de março e começo de abril.

Na Itália, essa comemoração do bicentenário de nascimento da Anita Garibaldi é bem mais forte do que aqui no Brasil, onde ela nasceu? 

Muito forte. Ela é considerada heroína, porque participou diretamente, junto com Giuseppe Garibaldi, seu marido, da reunificação da Itália. Lutaram por essa reunificação, de diversos reinos divididos e subjugados ao antigo Império Austríaco. Conseguiram a libertação, e creditam a Anita Garibaldi boa parte disso, pela coragem, destemor, um verdadeiro soldado, extremamente destemida. Eu acredito que ela seja lageana, e é por isso que ela tinha esse espírito de luta. Cavalgava tão bem ao lado do marido para lutar por aquelas causas.

Em Roma, existe uma colina chamada Anicolo, onde há um enorme monumento, nunca vi igual, aparece ela cavalgando com o filho e, embaixo, o túmulo onde estão depositados os restos mortais de Anita Garibaldi. No mesmo local, também, Giuseppe Garibaldi tem seu monumento. No Brasil, só em 2012 que Anita Garibaldi foi para o Panteão Heróis da Liberdade, que está em Brasília.               

Existe, também, uma corrente muito forte de historiadores e evidências que ela nasceu em Lages, apesar de ter um registro tardio em Laguna.

Com certeza. A história oral, por exemplo, o nosso grande mestre e historiador Licurgo Costa, escreveu sobre a Aninha do Bentão, e na história oral consta que, uma descendente de escravos era amiga de Anita Garibaldi, na fazenda do Socorro e que, brincava com ela. Deu vários depoimentos em relação a esta Aninha, filha do Bentão, e pai de Anita, que todos conhecem. Então, a história oral credita o nascimento dela a Lages, a questão é que não temos evidência documental. Sabe-se que uma das páginas [do livro de registros] da Cúria Diocesana, onde se guardam os batismos e nascimentos, constam dois filhos do Bentão, mas a página na qual deveria constar o nome de Anita, foi arrancada.

Laguna fez por merecer, por correr atrás, e criar as circunstâncias que possibilitaram esse registro tardio. Acredito que Lages, com esse evento ocorrido, foi a primeira vez que fez uma homenagem digna a essa heroína. Daqui para frente, quem sabe, surja o nome de uma praça, de uma avenida, de uma rua, acho que seria o mínimo para homenagear uma pessoa que tanto lutou por ideais de liberdade e lageanos, que aderiram, oficialmente, à época, a Revolução Farroupilha.

Colaborou: Jordana Boscato

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