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O atendimento na área da saúde preocupa de Norte a Sul do Brasil. Na Serra Catarinense não é diferente. O Correio Lageano esteve em todos os municípios da região, que possuem hospitais – exceto Lages – , para verificar como funciona o serviço. As reportagens foram produzidas pelos jornalistas Adecir Morais, Camila Paes e Andressa Ramos.

O resultado será publicado e não é nada animador. São hospitais fechados, com funcionamento parcial ou muito endividados. Em partes, essa realidade explica o porquê dos atendimentos serem concentrados em Lages. Essa situação, por exemplo, exige que uma pessoa percorra 80 quilômetros apenas para tomar soro. Confira.

Dívida milionária pode inviabilizar atendimento, em São Joaquim

Por Adecir Morais

Caso seja obrigado a pagar o que deve, o Hospital de Caridade Coração de Jesus, em São Joaquim, poderá não resistir. A unidade tem uma dívida de R$ 20 milhões – a maior parte é com a Celesc (cerca de R$ 15 milhões). O rombo ameaça o funcionamento da entidade, que entrou com uma liminar para suspender uma decisão judicial, que a obrigava a pagar a Celesc. “Se tivermos que pagar essa dívida, seremos obrigados a fechar as portas”, afirma a diretora, Agna Mara de Oliveira.

Fundado em março de 1925, o hospital possui 107 leitos e 104 funcionários. Atende pelo Sistema Único de Saúde (SUS), convênios e particular, oferecendo os serviços de clínica médica, cirúrgica, pediatria, cirurgia geral e obstetrícia, urgência e emergência, cardiologia e ortopedia. Por mês, realiza, em média, 2 mil atendimentos (1.800 no setor de urgência e emergência e 200 internações). Cerca de 70% dos atendimentos são pelo SUS.

A dívida é a grande pedra no sapato da instituição, que possui, atualmente, uma receita mensal de cerca de R$ 400 mil. Esse montante é usado para o pagamento de fornecedores, insumos e folha de pagamento. Somente este último item abocanha a maior parte da receita (aproximadamente R$ 200 mil).

Apesar das dificuldades, Agna afirma que, a situação financeira da entidade já esteve pior. “Já passamos momentos em que tivemos que contar moedas para pagar as despesas. Hoje temos dívidas, mas estamos conseguindo realizar o atendimento de qualidade”, declara.

Para o aposentado Hélio Bianchini, de 71 anos, o atendimento oferecido pelo hospital é “mais ou menos”, avaliou,  enquanto esperava sua neta, que esteve no local em busca de atendimento por conta de um forte resfriado.

Hospital investe em reforma e ampliação

Apesar da dívida elevada, o hospital de São Joaquim está conseguindo investir, tanto na reforma e ampliação do prédio como também na aquisição de equipamentos. A construção de um novo centro cirúrgico, por exemplo, é uma das metas da direção.

Já temos o espaço físico disponível e agora estamos fazendo o orçamento dos equipamentos. Temos R$ 250 mil de emenda parlamentar para comprar os aparelhos”, afirma Agna.

O hospital também conseguiu, recentemente, implantar serviço emergencial de ortopedia, destinado a atender pequenos traumas. Com isso, pacientes que necessitam deste atendimento não precisam ser transferidos para outros municípios.

Por outro lado, a unidade não atende pelo SUS no setor de obstetrícia. Atualmente, gestantes que chegam ao local precisam ser transferidas para Lages, que fica a 80 quilômetros de distância.

A direção reconhece o problema, mas afirma que o hospital não tem condições financeiras de contratar uma equipe para realizar partos. Tentou buscar ajuda na prefeitura, mas até agora não obteve resposta. “Claro que se chegar uma restante em trabalho de parto, mas não oferecemos atendimento obstétrico pelo SUS”, observa Agna.

Hospital de Caridade Coração de Jesus

  • 107 leitos

  • 104 funcionários

  • Atendimento: SUS, convênios e particular

O que faz:

  • Clínica médica;
  • Cirurgias;
  • Pediatria;
  • Cardiologia;
  • Ortopedia;
  • Obstetrícia;
  • Urgência e emergência.

Problemas:

Não faz partos pelo SUS;

Dívida é milionária;

Não tem recursos para contratar equipe para partos.

Em Correia Pinto, prioridade é humanizar o atendimento

Por Andressa Ramos

Depois de alguns metros de subida, se consegue chegar ao Hospital Faustino Riscarolli, que fica no topo de um morro. Árvores e flores recebem os pacientes da cidade de Correia Pinto, e nos últimos meses, também de Ponte Alta. Na entrada da unidade, café e chá estão à disposição das pessoas, além de um espaço especial às crianças, com direito até a cantinho da leitura. Os pacientes também podem acessar internet wi-fi gratuitos enquanto aguardam serem chamados.  

A humanização no atendimento é prioridade da diretora administrativa do hospital, Andréia Meis. Exemplo disso é o acolhimento à idosa de 68 anos, Ana Maria da Silva Muniz. Internada, ela comenta que o atendimento é ótimo, além de ter as refeições no horário certo e o direito ao acompanhante cumprido. O acompanhante tem uma poltrona para ficar ao lado da paciente.

Há quatro meses na direção, Andréia trouxe uma visão diferente à equipe, o que se reflete na qualidade do atendimento e satisfação das pessoas. Para motivar os funcionários ela apresentou três pilares, humanização, acolhimento e equilíbrio emocional. “A ideia é criar um clima aconchegante para que todos se sintam bem”.

Depois da recepção, o paciente é encaminhado para sala de atendimento médico ou urgência. Com características antigas, o hospital ainda tem detalhes da data de sua fundação. Os leitos do Sistema Único de Saúde (SUS) são divididos de masculino, feminino e também individuais para casos extremos. As camas são de ferros e há algumas poltronas para acompanhantes, em outras salas, apenas cadeiras. Caminhando pelo corredor é possível ler uma placa indicando o centro cirúrgico, porém, o setor está praticamente desativado, funciona apenas para retiradas de cisto ou corpo estranho. Andréia, comenta que a sala é usada somente para casos de muita urgência. O mesmo para a sala de pré-parto, que recebe gestantes que estão em trabalho de parto, prestes a dar a luz. Caso contrário, as mulheres são encaminhadas para o Hospital Tereza Ramos, em Lages.

A unidade é mantida, basicamente, com recursos da prefeitura, cerca de R$ 300 mil mensais e, mesmo assim, segundo a direção, não existem dívidas vencidas junto a fornecedores.

Empurrando o seu carrinho de bebê pelas ruas de Correia Pinto, Ivonete Pires, relata que precisou viajar 32 quilômetros até Lages, para o nascimento de sua filha. A bolsa rompeu e como já estava com cesariana marcada em Lages, viajou às pressas. O hospital em Correia Pinto não faz cesárea há mais de 10 anos. A sala de parto está toda equipada, porém, não funciona.

Objetivo é reabrir centro cirúrgico

Com uma emenda parlamentar da deputada Carmem Zanotto, no valor de R$ 280 mil, o hospital pretende reformar toda a ala desativada e reabrir o centro cirúrgico que será voltado à saúde da mulher. Ele poderá realizar partos e cesáreas. Andréia conseguiu um aparelho de mamografia que está guardado, o programa será intitulado “Mulher em Primeiro Lugar”. O objetivo é reduzir o número de encaminhamentos a Lages e atender 100% das pacientes.

O hospital possui 17 leitos clínicos, sendo três leitos particulares. Por enquanto não tem um especialista para cada necessidade, dessa forma a unidade atende crianças, jovens, adultos e idosos. Os atendimentos são de urgência e emergência, 24 horas, pelo Sistema Único de Saúde, planos de saúde e particular. Ao todo, são mais de 60 profissionais.

Hospital Faustino Riscarolli

  • 14 leitos para internação SUS + 3 para internação particular e convênios

  • 17 médicos credenciados + 45 profissionais na equipe

  • Atendimento: 1 sala de emergência + 1 sala cirúrgica desativada para grandes cirurgias, realizando apenas pequenas cirurgias de emergência + 1 sala pré-parto apenas em casos de extrema urgência + 1 raio-x que funciona das 8h a meia-noite

O que faz:

  • Atendimento de urgência e emergência 24hs;
  • Possui equipamento de Raio-x

Problemas:

Centro cirúrgico está praticamente desativado;

Alguns móveis precisam ser trocados;

Algumas alas precisam ser reformadas.

Bocaina do Sul era referência em saúde mental

Por Camila Paes

O prédio abandonado, com reformas não terminadas, janelas quebradas, não parece que há quatros anos, era um hospital. Em Bocaina do Sul, os moradores não possuem mais atendimento de emergência e urgência 24 horas, se precisam ser internados, tem que ser levados à Lages.

A agricultora Nelita Melo, 53, é uma das moradoras do município que já precisou fazer o trajeto de 42 km, com a ambulância do Samu, devido a uma emergência. O filho, Fernando Melo, 27, tem problemas crônicos de saúde. A situação é recorrente para a família, que mora no interior de Bocaina. Entretanto, Nelita ressalta que nunca ficaram desamparados. O atendimento com médicos sempre foi bom.

Os quatro filhos da agricultura Valdete Maria de Fátima Andrade, 56, moradora da localidade de Pessegueiros, nasceram no hospital São José e segundo ela, o tratamento foi excelente. Por mais que o hospital não funciona mais, ela revela que nunca ficou sem os atendimentos necessários. Entretanto, ter um local para internamentos rápidos e atendimentos durante a madrugada, tornaria mais fácil os tratamentos médicos.

No caso das emergências e urgências, o posto de saúde está apto para atender a população. Com um atendimento das 8h até às 12h e das 13h às 17h, que é estendido com um plantão médico até às 22h. No caso de algum atendimento que precise de internação, realização de exames mais detalhados ou de um parto, por exemplo, o Samu fica encarregado de levar os pacientes para Lages, que fica há cerca de 30 minutos do município.

A secretária de Saúde de Bocaina, Maryana Oliveira de Liz, ressalta que, o município oferece aquilo que está a seu alcance, deixando a população com amparo médico necessário para situações do dia-a-dia. Entretanto, ela acrescenta que em atendimentos básicos, faz falta que o hospital funcione. “Caso o paciente precisa passar uma noite em observação, fazer um soro, seria mais fácil se tivesse o hospital aqui e não precisasse ser deslocado para Lages”, explica Maryana.

O prédio onde antes era o hospital, pertence à Mitra Diocesana de Lages. Em 2014, foi interditado pela Vigilância Sanitária do Estado, pois a estrutura já não estava apta para receber pacientes. Além disso, apresentava problemas nas partes elétricas e hidráulicas. O hospital São José era a referência para atendimentos psiquiátricos em toda a Serra Catarinense, sendo que os pacientes que precisavam de internação, era encaminhados para a cidade. Em sua lotação máxima, chegava a atender 70 internamentos, mas nos últimos dias que antecederam o seu fechamento, estava com capacidade para 30. Com as portas do hospital São José fechadas, os pacientes psiquiátricos da Serra Catarinense, precisam ser encaminhados para outras cidades no Estado, de acordo com a disponibilidade de leitos.

Comunidade quer reabrir hospital

O médico psiquiatra e vice-prefeito reeleito de Bocaina do Sul, Valmir Martins Luciano, ressalta que para uma população de 300 mil pessoas na Serra Catarinense, não há um leito de psiquiatria. “O hospital era uma referência para todo o Estado e por muito anos, serviu para a comunidade”, acrescenta.

Sobre a interdição, Valmir explica que após ser fechado por determinação da Vigilância Sanitária, foi criada a Associação São Francisco, com a intenção de reformar a estrutura e voltar a colocar a ativa o hospital. Além de assumir a responsabilidade de recuperação, também deverão administrar a instituição assim que voltar à ativa. Com isso, Valmir ressalta que foram investidos R$ 200 mil, provenientes de arrecadações.

Este valor serviu para a reforma da cobertura e estrutura metálica. Valmir explica que o prédio é da década de 1960, quando o Padre Theodoro Bauschult conseguiu um recurso proveniente da Alemanha. Com isso, foi construído com referências a arquitetura do País alemão, sendo que não está mais condizente com as necessidades de um hospital. “O importante é que não chove mais dentro do prédio”, ressalta Valmir.

Projeto de reforma

Há um projeto de reforma do hospital, que foi realizado por uma arquiteta voluntária, que já tinha conhecimento das normas da vigilância sanitária. A equipe técnica da Associação dos Municípios da Região Serrana (Amures) está realizando um orçamento, para que haja uma referência de qual o valor de recursos necessários para a reforma total e ativação do hospital São José. A intenção, segundo Valmir, é que a cidade volte a ser uma referência no tratamento de psiquiatria. Entretanto, também há no projeto a vontade de tornar em uma clínica geral para a comunidade, com Centro Cirúrgico e Obstetrícia. Com as ampliações necessárias, a expectativa, é que a reforma custe R$ 5 milhões.

Porém, um dos problemas enfrentados pelo comunidade, é que o prédio ainda pertence à Mitra Diocesana. A intenção do município é comprá-lo, para que o processo de conseguir os recursos seja mais rápido. Valmir explica que já estão negociação com a Mitra, para que o prédio seja adquirido por Bocaina do Sul.

O médico e vice-prefeito ressalta que o cuidado com a saúde mental é um desafio e uma necessidade urgente na região. Além disso, para construir um hospital psiquiátrico, é preciso espaço para criar atividades para os pacientes, que não devem ficar presos em seus leitos. Os dependentes químicos são a maior demanda da região.

Hospital São José

  • Hospital fechado

O que fazia:

  • Atendimento básico na Unidade Básica de Saúde (UBS).

Problemas:

Está fechado.

Centro cirúrgico, em Bom Retiro, é fechado por falta de profissionais

Por Camila Paes

“Não nascem mais bonretirenses”, é assim que o taxista Mauri de Oliveira retrata a situação do hospital de Bom Retiro, que não realiza mais partos ou outras cirurgias. O hospital Nossa Senhora das Graças, logo na entrada da cidade, está em funcionamento, mas atende emergências e urgências simples. Caso o paciente precise de um exame mais detalhado ou um procedimento cirúrgico, é preciso ser encaminhado para Lages, há 84 km de distância.

Os dois filhos da vendedora Bruna Lung nasceram em Lages. Ela revela que as cesarianas foram realizadas no Hospital Tereza Ramos. O atendimento foi bom e feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), segundo lembra Bruna, entretanto, o problema foi o gasto extra com o deslocamento e também com hospedagem para o então marido e para a sua mãe, que também acompanhou a família. “Quando precisamos de algum atendimento, temos. Porém, seria mais fácil se tivesse funcionando completamente”, ressalta.

Uma outra moradora, que preferiu não se identificar, revela que devido ao aumento da pressão, precisou passar por exames. Mas o aparelho de eletrocardiograma estava muito velho e os médicos aconselharam a repetir o exame em outra clínica. Ela ressalta que, o que houve dos outros moradores, é que faltam recursos para atender as demandas da cidade e ampliar o atendimento.

O atendente Luiz Gustavo Xavier do Nascimento, relembra que o avô já precisou ser transferido para Lages para realizar um procedimento de emergência. “Seria muito mais fácil se tivesse como fazer aqui, ainda mais que tem um centro cirúrgico novo no hospital, que não funciona”, ressalta.

As salas que compreendem o centro cirúrgico estão fechadas, mas tudo permanece limpo e bem cuidado.  Os aparelhos estão em seus lugares devidos, como se a qualquer hora, um paciente fosse passar por uma cirurgia. Mas na realidade, já são quatro anos que não são realizados estes procedimentos em Bom Retiro.

De acordo com a enfermeira chefe, Terezinha Shini, um dos principais motivos para que o centro cirúrgico não funcione, é a falta de profissionais como anestesistas e outros médicos. Além dos plantonistas, o único especialista no município é um médico ginecologista, que realiza os partos em Lages. Os partos normais são só realizados em Bom Retiro quando a gestante já está no período expulsivo, ou seja, quando a mãe está prestes a dar à luz. Já a estrutura do hospital está apta para receber internações para atendimentos simples, seja de adultos ou crianças.

Faltam recursos

O médico clínico geral, Ricardo Baesso, recebeu um convite para trabalhar em Bom Retiro. Ele ressalta que a maior dificuldade do hospital hoje, é falta de recursos para a manutenção dos serviços. Com isso, não conseguem fazer tudo o que precisa em um atendimento. E ele acrescenta que, o fato do centro cirúrgico estar fechado não é o principal empecilho. “O centro cirúrgico não resolve todos os problemas”, conclui.

O administrador da instituição, Fernando Silveira, explica que há uma dívida ativa de R$ 150 mil, com fornecedores e Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A maior parte, segundo o diretor, é com a previdência social. Os recursos para a manutenção do hospital são provenientes da Prefeitura, que encaminha mensalmente um valor e do Governo do Estado, que paga pelos atendimentos realizados pelo SUS e também os planos de saúde.

As dívidas são renegociadas todos os meses, principalmente as com fornecedores. Entretanto, não há um prazo para a quitação dos valores.

Doação

Terezinha, que trabalha há 14 anos no hospital, começou limpando o prédio do hospital Nossa Senhora das Graças. Há três anos, terminou a graduação em Enfermagem e passou a atender como enfermeira no hospital. Foi o dia-a-dia nos corredores da instituição que a incentivou a estudar. No período do curso, trabalhava durante o dia nos corredores do hospital e depois seguia para Lages, onde se formou pelo Centro Universitário Unifacvest.

Hospital Nossa Senhora das Graças

  • Sem informações de leitos

  • Sem informações de funcionários

  • Atendimento: emergências e urgências simples

O que faz:

  • Atendimento básico e internação para doenças simples.

Problemas:

Centro cirúrgico está fechado;

Falta ultrassom;

Faltam médicos especialistas;

Faltam médicos gerais;

Faltam recursos.

Confira abaixo a segunda parte da reportagem, publicada nesta segunda-feira (14)

Abandono, sujeira e destruição no hospital do Cerrito

Por Adecir Morais

Quem procura o Hospital de São José do Cerrito, atualmente, depara-se com uma triste realidade. Fechado há mais de dois anos por causa de dívidas e irregularidades, a unidade não tem perspectiva de reabrir as portas. O município tem cerca de 9 mil habitantes que, hoje em dia, precisam buscar assistência fora da cidade quando é necessário internamento.  

O retrato do abandono está por todos os cantos. O mato tomou conta da parte externa do prédio. E, internamente, portas foram arrombadas, documentos estão espalhados e equipamentos foram levados. A situação chegou a tal ponto que até um morador passou a ocupar uma das salas do prédio, após perceber que tudo estava abandonado.

“Se a gente ficar doente e necessitar de internamento, precisa ir para Lages. É triste ver isso tudo abandonado. A população perdeu muito com o fechamento deste hospital”, lamenta o farmacêutico Araldi Castilhos Jentig, que mora em frente ao prédio.

Fundado em 1975, o hospital era gerido por uma fundação. Tinha 21 leitos e atendia via Sistema Único de Saúde (SUS). Com 21 funcionários, prestava assistência a toda a população do município, disponibilizando serviços de clínica médica, cirúrgica, obstetrícia e pediatria.

A ex-administradora Edileusa Muniz, explica que o fechamento foi causado pela arrecadação insuficiente, aliado a outros fatores. A unidade dependia, basicamente, de recursos das Autorizações para Internamento Hospitalar (AIHs), por meio das quais recebia cerca de R$ 14 mil por mês. Além disso, contava com repasse de R$ 4 mil que era feito pela prefeitura. Os recursos eram insuficientes para pagar a folha de pagamento, luz, água e fornecedores.

Na tentativa de se salvar, o hospital tentou mudar seu estatuto, buscando se adequar ao Código Civil de 2002. A alteração permitiria que a unidade pudesse legalmente receber recursos da União, por exemplo. A proposta era tida como a solução para os problemas, entretanto, não avançou. Atolado em dívidas, a unidade faliu.

Serviços de urgência e emergência

Com o fechamento do hospital, os atendimentos de urgência e emergência passaram a ser realizados pelo município, no prédio da Secretaria Municipal de Saúde. O local é equipado e dispõe de médicos e equipe de enfermagem para atender toda a população do município.

Importante ressaltar que, por lei, o atendimento básico de urgência e emergência é de responsabilidade de todo o município. Em São José do Cerrito, esses serviços são oferecidos somente durante o dia no prédio da Secretaria. À noite, o Samu realiza os atendimentos.

Atendemos toda a população do município e quem por ventura sofrer acidente na BR-282 (rodovia que atravessa o município). Os casos mais graves são encaminhados para Lages”, ressalta Neuri Rodrigues, assessor de imprensa da prefeitura, ex-secretário de Saúde do município.

Ele afirma que o município até tem planos para construir um hospital na cidade, no entanto, não dispõe de recursos para tal. “Temos o terreno para construir, mas dependemos de recursos e parceria para viabilizar a obra”, sustenta.

Hospital de São José do Cerrito

  • Sem informações de leitos

  • Sem informações de funcionários

  • Atendimento: Básico

O que faz:

  • Atendimento básico é realizado durante o dia no prédio da Secretaria de Saúde.

Problemas:

Hospital está fechado por falta de recursos;

Atendimentos complexos são encaminhados para Lages.

Sem anestesista, hospital de Urubici não oferece cesariana

Por Adecir Morais

Gestantes que precisam de parto por cesariana e que procuram o Hospital São José, em Urubici, não conseguem atendimento por causa da falta de anestesista. Com isso, as grávidas do município, com cerca de 10 mil habitantes, se obrigam a buscar assistência em outro lugar. O destino mais próximo é Lages, a mais de 100 quilômetros de distância.

Grávida de oito meses, Soyara Cardoso Borges, de 17 anos, conta os dias para a chegada do primeiro filho. “Dá medo saber que eles não fazem cesariana aqui no município. Ainda não sei como vai ser o meu parto, mas a gente fica apreensiva e preocupada, porque não sabe o que vai acontecer”, comenta a moradora do Bairro Águas Brancas.

O diretor do hospital, Carlos Alberto de Liz Medeiros, afirma que o hospital não tem condições de contratar um anestesista. O profissional que lá atua é de fora, e atende só uma vez por semana.

O custo para contratar um anestesista é muito alto. Já procuramos a prefeitura para pedir ajuda, mas até agora não recebemos uma resposta. Hoje, estamos realizando apenas partos normais e de baixo risco, já os casos complicados encaminhamos para Lages”, diz Carlos.

Fundado em 30 de março de 1940, o hospital é uma entidade privada filantrópica. Atende pelo Sistema Único de Saúde (SUS), convênio e particular, disponibilizando atendimento nas áreas de clínicas médica, cirúrgica, pediatria e obstetrícia e urgência e emergência.  Mantém-se, basicamente, com verba do SUS.

A unidade possui 49 leitos e emprega 45 funcionários. Por mês, interna cerca de 40 pacientes e atende cerca de 600 pessoas no setor de urgência e emergência, que funciona 24 horas por dia. Além disso, tem condições de realizar 20 cirurgias eletivas por mês, de baixa e média complexidade.

Todos esses serviços são custeados com recursos de convênio com a prefeitura local, no valor de R$ 72 mil mensais – destinado a bancar o setor de urgência e emergência; do Sistema Único de Saúde (SUS), Governo do Estado, convênios a particular.

Finanças estão equilibradas

Carlos afirma que a situação do hospital melhorou nos últimos meses. O principal avanço ocorreu no setor de finanças. Com uma receita mensal de cerca de R$ 200 mil, a unidade está conseguindo manter as contas em dia e honrar compromissos.

Já passamos por imensas dificuldades financeiras, chegando ao ponto de atrasarmos os salários dos funcionários, mas hoje estamos com as finanças equilibradas e ainda está sobrando uma reserva para pagarmos a dívida, que é de cerca de R$ 200 mil”, enfatiza.

Algumas medidas foram importantes para essa melhora, como a revisão do contrato com o Governo do Estado, o que possibilitou certo fôlego às finanças da instituição. “Antes a gente fazia muitos procedimentos e recebia pouco, hoje, o que fazemos, recebemos”.

Ao mesmo tempo que consegue honrar os compromissos e poupar, Carlos afirma que o hospital está conseguindo investir. Equipamentos que estavam sucateados estão sendo substituídos com recursos de emendas parlamentares.

Além disso, a unidade quer ser referência regional em cirurgia oftalmológica pelo SUS. Isso porque está investindo na aquisição de equipamentos para poder implantar tais procedimentos. Um dos aparelhos já foi comprado e outro está em processo de aquisição.

Hospital São José, em Urubici

  • 49 leitos

  • 45 funcionários

  • Atende pelo SUS, convênios e particular

O que faz:

  • Atendimento 24h de urgência e emergência;
  • Faz cirurgias eletivas de baixa complexidade;
  • Internamentos.

Problemas:

Não faz cesarianas;

Não possui anestesista todos os dias.

Em Campo Belo do Sul, hospital precisa de reformas estruturais

Por Camila Paes

É díficil encontrar o Hospital Nossa Senhora do Patrocínio, em Campo Belo do Sul. Não porque fica muito distante da área central, mas porque nenhuma placa identifica o prédio onde ele está abrigado. Logo na entrada há uma parede que separa o interior do prédio da área externa e por um vidro, os pacientes solicitam atendimento.

O piso é o que mais chama a atenção, está deteriorado e precisa ser trocado. A diretora do hospital, Luzia Pereira Anjos Varela, explica que já ganharam o novo piso, mas a associação que mantém o hospital, precisa realizar um evento para arrecadar fundos e contratar a mão de obra. No dia 1º de maio, foi realizada uma feijoada beneficente para pagar os serviços. Ela ressalta que esta é uma das exigências da Vigilância Sanitária.

Só são atendidas urgências e emergências do Sistema Único de Saúde (SUS), planos de saúde e particulares. Os plantões são das 17h à meia noite, nos dias de semana, e das 7h às 19h, nos finais de semana. Fora desses horários, o médico do Samu auxilia em emergências e encaminha para o hospital, já que as enfermeiras fazem plantões de 24 horas.

Entre os atendimentos está o internamento para o tratamento de doenças como gastroenterites, diabetes, hipertensão, insuficiência cardíaca e pacientes em fase terminal. A enfermeira, Emeli Martins Delfes Nery, explica que são cinco enfermeiras e que é uma equipe boa para os trabalhos que são realizados. Ela revela que, atualmente, as dificuldades estão na falta de médicos e também nos problemas estruturais.

O único raio-x do município está interditado pela Vigilância Sanitária. Isto porque, falta um laudo que indique se a radioatividade não está invadindo outros cômodos do hospital. Luzia explica que já foi trocada a peça, vinda da China, necessária para colocar o aparelho dentro das normas da Vigilância e agora aguardam a visita de um engenheiro físico, que esteja cadastrado na Secretaria de Saúde do Estado.

Centro cirúrgico está fechado

Assim como Bom Retiro, há também um Centro Cirúrgico fechado, pela falta de profissionais, principalmente anestesistas. Anteriormente, eram realizadas pequenas cirurgias na instituição e também partos. Hoje, o número de partos diminuiu significativamente, pois agora, são realizados quando a gestante está no período expulsivo do trabalho de parto.

Outro problema no Hospital Nossa Senhora do Patrocínio, que prejudica o trabalho da equipe, é a interdição da lavanderia. Atualmente, as roupas estão sendo levadas para Anita Garibaldi para serem lavadas. Um projeto de reforma já foi realizado e está aprovado, faltam agora, recursos para viabilizar a obra. Luzia ressalta que a associação que mantém o hospital está ciente de todos os problemas estruturais encontrados, mas não há como consertar todos sem o apoio do Estado. Há 12 anos, quem mantém as portas da instituição abertas, é a comunidade com doações e campanhas.

Recursos insuficientes

Cerca de R$ 250 mil em emendas parlamentares foram destinadas à Campo Belo do Sul, mas ainda não chegaram para efetivar as reformas necessárias. “Com os recursos que temos, precisamos atender nossos pacientes e com isso, a manutenção vai ficando em segundo plano”, ressalta Luzia.

Comunidade aprova atendimento

Mesmo com todas as dificuldades, os pacientes não deixam de elogiar a dedicação e atendimento das equipes. No quarto da pediatria, Ágata Gabriele, 6, assiste desenhos animados na TV de tubo. É a única paciente do quarto com mais de seis camas. Devido a uma gastroenterite, a menina precisou ficar internada na instituição. A mãe, a agricultora Jaqueline Ribeiro, explica que não é a primeira vez que a filha precisa dos serviços do hospital e sempre são tratadas com muita atenção.

Devido às crises de enxaqueca, a professora Leila Branco, precisa procurar apoio no hospital. Ela ressalta que entende que faltam recursos para melhorar a estrutura, mas que o atendimento sempre foi bom.

Hospital Nossa Senhora do Patrocínio

  • 32 leitos do SUS + 3 particulares

  • 15 funcionários

  • Atendimentos adulto e infantil

O que faz:

  • Atendimento básico e internação para doenças simples.

Problemas:

Centro cirúrgico está fechado;

Raio-x interditado

Não há ultrassom;

Faltam médicos especialistas;

Faltam médicos gerais;

Faltam recursos.

Leia a terceira e última parte da reportagem especial, publicada nesta terça-feira (15)

Pacientes sofrem com a falta de estrutura do hospital de Bom Jardim

Por Adecir Morais

As unidades hospitalares de pequeno porte são as que mais sofrem com a falta de estrutura. Prova disso é Hospital Municipal Américo Caetano do Amaral, em Bom Jardim da Serra, um município com cerca de 4,6 mil habitantes. O local possui estrutura limitada, assim, quando o morador precisa de atendimento especializado, obriga-se a procurar outra cidade.

Foi o que aconteceu com a dona de casa Valdirene da Rosa Ferreira, de 27 anos. Há cerca de quatro meses, ela entrou em trabalho de parto e precisou ser transportada para outra cidade, mas acabou dando a luz dentro da ambulância, enquanto era levada para Lages.

“Eu estava na parte da trás da ambulância com o meu marido e enfermeira no banco da frente, de repente nasceu minha filha. Nem deu tempo de chegar ao destino e acabei dando a luz. Ainda bem que deu tudo certo”, lembra Valdirene.

Com 12 leitos, o hospital é administrado pela prefeitura local, que gasta em torno de R$ 100 mil para manter os serviços. A unidade emprega 30 funcionários, entre médicos, enfermeiros e pessoal administrativo. Por mês, realiza cerca de 80 atendimentos, basicamente no setor de urgência e emergência.

O atendimento é limitado. O único serviço que está funcionando é o de urgência e emergência, onde são realizados apenas os procedimentos básicos, como suturas, entre outros. Os casos mais graves, como fraturas, infarto são encaminhados para fora.

A falta de pessoal é outro problema da unidade. Os médicos foram embora da cidade. Para não deixar a população sem atendimento, a prefeitura contratou, de forma emergencial, dois profissionais para atender no setor de urgência e emergência. Paralelamente, realizou um concurso público, mas os aprovados ainda não foram empossados.

Seja como for, apesar das dificuldades, o prefeito Serginho Rodrigues de Oliveira afirma que a população local não está desassistida, porque a unidade mantém convênios com Lages e Criciúma.

Sem alvará para operar

A falta de investimentos no prédio é visível. Em algumas paredes, mofo, infiltrações e tinta descascada, resultado da falta de investimentos ao longo dos anos. O prefeito reconhece que o prédio precisa de reforma e ampliação, mas afirma que o município não tem dinheiro.

Outro aspecto que chama a atenção é o fato da unidade operar sem alvará da Vigilância Sanitária. Serginho explica que a situação é antiga e afirma que está trabalhando para reverter a situação. Para conseguir tal documento, a unidade terá que atender certas exigências.

Uma das saídas para melhorar a situação do hospital é torná-lo filantrópico. Segundo o prefeito, o município está buscando isso junto aos governos estadual e federal. “Vamos ter uma audiência neste mês de maio, em Brasília para discutir esse assunto”.

Com o certificado de filantropia, a instituição teria inúmeras vantagens, além disso, teria sinal verde para firmar convênios com os governos, podendo, com isso, conseguir recursos para investimentos, até mesmo para bancar a reforma e ampliação do prédio.

Hospital Municipal Américo Caetano do Amaral

  • 13 leitos

  • 30 funcionários

  • Atendimento mantido pela prefeitura

O que faz:

  • Atendimentos de urgência e emergência.

Problemas:

Hospital não realiza cesarianas;

Falta de médicos;

Falta de recursos financeiros;

Prédio precisa de reforma;

Casos mais complicados são enviados para Lages ou Criciúma.

Sem recursos, hospital de Ponte Alta está fechado

Por Andressa Ramos

As placas na pequena e pacata cidade de Ponte Alta, às margens da BR-116, na Serra Catarinense, indicam o caminho ao hospital da cidade. Seguindo as indicações, chega-se a uma estrutura hospitalar. Reformada, com pintura nova, porém, com portas fechadas.

O hospital está sem atender há quatro meses e os motivos são controversos. A Secretaria Municipal de Saúde alega que suspendeu os repasses de R$ 38 mil mensais, porque o hospital não cumpria com o estabelecido. Já a direção da Fundação Hospitalar de Ponte Alta afirma que conduziu dessa forma, depois de uma proposta firmada entre as partes.

Para receber o repasse, o hospital se comprometeu em manter um médico para atender emergências durante à noite. No decorrer do dia, uma enfermeira ficaria de plantão para receber os pacientes. Em contrapartida, a Secretaria de Saúde disponibilizaria médicos nas Unidades de Saúde para atendimentos durante o dia.

Porém, o secretário de Saúde, Amauri Fracaro, comenta que a prefeitura não firmou o convênio porque os médicos no hospital só atendiam até 23 horas, depois da meia noite um médico ficava de sobreaviso para emergências e urgências.

Dessa forma, a prefeitura não fez o repasse, e reorganizou as equipes nas unidades de saúde. Hoje as unidades atendem das 8 horas às 23 horas.

A direção do hospital contesta esse modelo de atendimento. Em nota afirma que este convênio vinha sendo firmado desde a gestão do ex – prefeito Carlos Moraes e existiu até o ano de 2017, quando então o secretário Municipal de Saúde, Amauri Fracaro e o prefeito Luiz Paulo Farias decidiram rescindir, deixando o hospital sem viabilidade para continuar os atendimentos.

Uma moradora da cidade, que preferiu não se identificar, comenta que a preocupação em ficar doente é ainda maior, já que o hospital está com as portas fechadas, e, atendimento durante a madrugada, só se viajar por 44 quilômetros para Lages.

Proposta

O hospital está todo reformado e a expectativa da direção, se voltar a funcionar, é montar um centro de especialidade, priorizando a ala de psiquiatria. A nota expedida pela direção da entidade diz que “em conversa com a Secretaria Estadual de Saúde, estamos se reestruturando para voltar às atividades com apoio e incentivo do Governo do Estado de Santa Catarina, sendo referência em Saúde Mental e reorganizando o atendimento SUS na unidade.”

Em relação ao convênio com a prefeitura, por enquanto, tanto Secretaria de Saúde quanto direção, afirmam estarem em negociação para que a verba seja repassada. Enquanto isso, os pacientes precisam viajar para Correia Pinto ou Lages para serem atendidos em casos de urgência e emergência.

Hospital de Ponte Alta

  • Hospital fechado

O que fazia:

  • Atendimento de baixa complexidade é realizado no posto de saúde até às 23h.

Problemas:

Está fechado;

Acordo com prefeitura foi suspenso;

Pacientes precisam se deslocar para Correia Pinto ou Lages, dependendo da complexidade do caso.

Faltam diagnósticos por imagem no hospital de Anita Garibaldi

Por Camila Paes

Depois de uma forte dor de cabeça, a agricultora Ieda Martins Pereira, 52, precisou ser internada no hospital Frei Rogério, em Anita Garibaldi. Horas depois de passar pelo atendimento, Ieda já estava melhor. Mesmo com serviços básicos à população, o hospital do município, auxilia em emergência e internamentos que solucionam doenças simples.

Um dos maiores problemas no município, é a falta de especialistas. Por causa disso, o Centro Cirúrgico foi fechado há cinco meses e pequenas cirurgias, que antes eram realizadas no local, precisam ser encaminhadas para Lages, há 106 km de distância do município. Partos também não são feitos no hospital Frei Rogério, pela falta de anestesistas e pediatras.

A falta de equipamentos também é um dos entraves na instituição. Não há aparelho de ultrassom e o raio-x está quebrado. A administração já pagou parte do conserto, cerca de R$ 25 a R$ 30 mil e a expectativa é que neste mês, ele já esteja funcionando.

Para o casal de agricultores José Rogério Soares e Maria Eloir Soares, o atendimento na instituição é sempre eficiente, mas a falta de equipamentos como ultrassom e raio-x atrapalha para os diagnósticos.

A comerciantes Gleci Ferreira Matos também elogia o atendimento no hospital e ressalta que a falta de equipamentos é um empecilho na hora das consultas. O primeiro filho de Gleci nasceu no hospital Frei Rogério, mas a filha mais nova precisou nascer em Lages, já que foi realizado uma cesárea de emergência.

A comerciante ainda acrescenta que a falta de especialistas também um problema no município, já que é preciso vir à Lages para passar por consultas. Uma das preocupações dos moradores é a saída do Dr. Clóvis Cechin, que após 40 anos de prestação de serviços ao município, volta à sua cidade natal Santa Maria para ficar perto dos filhos e netos.

Faltam recursos para manter atendimento

No hospital, a administradora da instituição, Inês Bernadete Gehrke ressalta que a dificuldade é financeira. O que recebem do Sistema Único de Saúde (SUS) não é o suficiente para manter o hospital. Além disso, o convênio com a prefeitura está atrasado há quatro meses e para resolverem, marcaram uma reunião com o prefeito do município. As doações também auxiliam na manutenção da instituição. “Qualquer pequena doação já nos ajuda muito, nós aceitamos tudo”, ressalta. Inês ainda acrescenta que, se a situação se manter a mesma, não sabe se o hospital consegue ficar muito mais tempo com as portas abertas.

O problema para a permanência dos médicos no município também é financeiro. Thalles Dias, que atende há dois meses no município, revela que as prefeituras pagam pouco aos profissionais e por isso, muitos não atendem no interior. Além de atender no hospital, Thalles também faz plantão na Unidade Básica de Saúde (UBS). E por isso, os atendimentos às vezes são realizados simultaneamente.

Ou seja, o médico atende pelo hospital e pela UBS ao mesmo tempo. Como no dia em que a reportagem esteve em Anita, Thalles estava de plantão pela UBS, mas como não havia médico para o hospital, atendia os pacientes das duas instituições na emergência do hospital. Isto é comum, já que só dois médicos fazem plantões no município.

Promessas

A instituição nunca recebeu apoio financeiro de políticos, segundo a administradora. Mas as promessas são muitas. São três emendas de deputados e senadores que prometem recursos para a manutenção, mas não há sinal de quando esse dinheiro chegará para o hospital. “Se recebêssemos tudo o que prometem, não teríamos problema para manter o hospital”, ressalta. Inês acrescenta que com esse recurso, também há a intenção de comprar um aparelho de ultrassom.

Hospital Frei Rogério

  • 30 leitos (26 SUS + 4 convênio)

  • 25 funcionários

  • Atendimento para criança e adulto

O que faz:

  • Atendimento básico e internação para doenças simples.

Problemas:

Centro cirúrgico está fechado;

Faltam Raio-x e ultrasson;

Faltam médicos especialistas;

Faltam médicos gerais;

Faltam recursos.

Situação do hospital Santa Clara, em Otacílio Costa, é uma incógnita

Por Andressa Ramos

Diferentemente dos outros hospitais que receberam o Correio Lageano, o administrador do Hospital Santa Clara, em Otacílio Costa, Claudir, não quis falar muito sobre a unidade, muito menos autorizou que fotos fossem tiradas do interior. Ele alegou que era necessário ter agendado um horário para conversar com o jornal. Dessa forma, autorizou apenas a entrada da repórter em uma sala, onde respondeu apenas que o hospital faz cesarianas, com pagamento particular.

Depois que a repórter saiu da sala, ele ficou observando para ver o que ela estava fazendo no lado de fora da unidade, principalmente quando começou a conversar com uma paciente, que reclamou da demora do atendimento. Pelas frestas da cortina, Claudir ficou olhando o que repórter e paciente conversavam.

Depois desta data, o Correio Lageano entrou em contato com o hospital, em duas oportunidades, para apurar maiores informações. Por telefone, a informação foi que o responsável não poderia atender.

Pelo lado de fora, percebe-se um hospital antigo, que há muito tempo não recebe uma reforma, porém, ao pisar na porta da recepção, os pacientes são surpreendidos com uma estrutura nova, com móveis sob medida e iluminação detalhada. Mas depois de passar da porta da recepção, a estrutura não é recente, mesmo assim, bem conservada.

Prefeitura mantém convênio com hospital

As unidades básicas de saúde (UBS) de Otacílio Costa oferecem atendimento básico, como consultas, curativos e vacinas. Funcionam das 8h às 17hs. Após esse horário, os pacientes são atendidos no Hospital Santa Clara.

O secretário municipal de Saúde, Fernando de Souza, explica que a prefeitura mantém convênio com o hospital para que atenda casos de urgência e emergência, após o fechamento das UBS e nos feriados e fins de semana.   

O atendimento é 24h e os casos mais complexos são avaliados pela equipe médica, que encaminha a Lages quando necessário. “O hospital adotou um sistema de classificação de risco. Eles atendiam até 3 mil pessoas por mês e só recebiam, do Sistema Único de Saúde (SUS), a metade dos atendimentos,” recorda Fernando.

Para desafogar a demanda no hospital, a Secretaria de Saúde mantém seis unidades básicas de saúde na cidade e quatro postos de atendimento no interior. Esses postos, oferecem consultas médicas uma vez na semana, evitando o deslocamento das pessoas até a cidade.  

Hospital Santa Clara

  • Sem informações de leitos

  • Sem informações de funcionários

  • Atendimento de urgência e emergência

O que faz:

  • Atendimento de urgência e emergência 24h;
  • Cesariana (particular);
  • Durante o dia, pacientes são atendidos nas UBS.

Problemas:

Casos de alta complexidade são enviados para Lages;

Não conseguimos apurar a situação financeira do hospital.

O Correio Lageano encerra a série de matérias sobre a situação dos hospitais dos municípios do interior da Serra Catarinense. Infelizmente, em via de regra, fica nítido que os hospitais enfrentam problemas com falta de equipamentos, profissionais e recursos financeiros.  

Também ficou muito clara a necessidade de se manter essas estruturas, primeiro para facilitar a vida das comunidades locais, evitando-se deslocamentos. Segundo, para não estrangular os serviços oferecidos em Lages, polo que atende a população de cerca de 80 municípios catarinenses.

A tarefa de manter as portas dessas importantes instituições abertas, cabe às administrações dos hospitais, mas também às prefeituras e ao Governo do Estado.  

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