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Saudade e distância no Dia da Mães

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Foto: Arquivo pessoal

Muitas pessoas desrespeitam o isolamento social que tem como finalidade conter o pandemia do coronavírus. Mesmo que Santa Catarina não esteja reduzindo o número de casos, há quem insista em sair de casa sem necessidade. Por outro lado, há quem entenda que ficar em casa é a melhor opção. O Dia das Mães, que é no domingo (10), com certeza será para muitos – e deveria ser para todos – um momento de muito amor e de distanciamento.

Não é recomendado fazer o tradicional almoço em família, a não ser que seja para quem mora junto. Reunir filhos, ou viajar para ver a mãe, não é uma alternativa sensata. É colocar a coletividade em risco, inclusive as mães acima dos 60 anos, que fazem parte do grupo de risco. 

Ao escrever este texto, lembro que não irei para Rio das Antas, no Meio-Oeste Catarinense, visitar a minha mãe Juvilde, como de costume. Também não irei com meu companheiro e filho almoçar na casa da minha sogra Neusa, que mora em Lages, cidade onde resido. Isso porque estou cumprindo isolamento social, seguindo as recomendações das autoridades de saúde e sanitária. E, felizmente, não sou a única a seguir este protocolo. 

A tecnóloga em logística, Jaqueline Vujanski, de 28 anos, entrou em contato com o Essencial, após uma postagem nas redes sociais do Correio Lageano. Ela e o companheiro, o estudante Fabrício, de 39 anos, não visitarão as mães, Maria de Lourdes Tomaz, de 69 anos; e Tereza Carmen Moretto da Costa, de 70 anos, que moram em Apucarana, no Paraná, a 700 quilômetros de Lages. 

O depoimento da filha de Maria de Lourdes

Me chamo Jaqueline e esse é meu primeiro Dia das Mães longe da minha rainha. Ela é viúva do primeiro casamento e eu nasci quando estava com 41 anos. Sempre foi minha maior e melhor companhia da vida toda. Como sempre foi dona de casa, sempre esteve presente em todos meus momentos. Em 2018, terminei meu primeiro casamento e ela sofreu muito, sentiu incerteza e até ficou chateada comigo, mas passou. Afinal, mãe é mãe 

Ano passado, em outubro, casei novamente com um homem maravilhoso que ela tem uma relação de mãe e filho, hoje em dia. Morava a uma quadra dela, então, todo dia, passava para dar um beijinho nas bochechas dela e receber aquele abraço de amor que só uma mãe nos dá.

Em novembro do ano passado, meu esposo e eu viemos até Lages para ele realizar um sonho particular, prestar vestibular para Engenharia Florestal no CAV (Centro de Agroveterinária da Universidade Estadual de Santa Catarina (Udesc)). Eles ficaram aflitos, pois já começou a rodar a ideia de como seria viver longe de nós, bem agora que tudo estava bem entre todos. Para nossa surpresa, meu esposo passou em terceiro lugar no vestibular e ficamos de decidir se mudaríamos ou não, afinal, iríamos deixar todos os nossos amigos e toda nossa família para trás. 

Em janeiro decidimos, pois Deus não abriria uma porta se as demais não estivessem já preparadas, e em meio a lágrimas e sorrisos decidimos vir para Lages. Meus pais foram fortes, mas eu via no olhar da minha mãe a dor de eu sair dali, debaixo das asas de mãe-coruja. Ainda mais que minha irmã mais velha mora em Curitiba. De qualquer forma, ela (como sempre) me confortou com um abraço e disse que se isso fosse nossa decisão, iria nos apoiar, mesmo ficando triste…

Nos mudamos dia 13 de fevereiro de 2020, viajamos durante nove hora. Em meio a todo esse tempo dirigindo e revezando a direção com meu esposo, me encontrava em meio a lágrimas e coração miúdo de saudades dela já, nunca fiquei mais que um mês longe, então, pode imaginar. Um mês depois ela e minha sogra nos visitaram. No dia que as levamos à rodoviária, teve início das medidas de restrições por conta da pandemia.

Todos choramos. Foi um misto de preocupação por elas estarem voltando e já serem ambas do grupo de risco, saudade antecipada, vontade de entrar na mala e ir junto e, em especial, pensando em como conseguiria ficar mais que um mês sem vê-la novamente. Nos falamos todos os dias.

Desde pequena tenho costume de pedir benção e isso permanece mesmo pelas mensagens trocadas, nos falamos por chamada, vídeo-chamada, mensagem e por meios que mais ainda consolam: pela oração de uma para a outra e pelo amor de alma e coração que temos e sentimos.

Sempre falo para o meu esposo que a minha mãe é meu coração fora do peito. E ele diz que sente isso na minha voz, no meu olhar e no jeito como repito. Minha mãe é a pessoa mais importante da minha vida, ela me inspira, ensina, representa, consola, auxilia, nina, mima, faz acreditar em mim mesma e, em especial, ensina a ser uma pessoa melhor todos os dias.

Meu coração está doendo, pois não conseguirei estar com ela pessoalmente neste domingo, mas meu coração e alma estão com ela todos os dias.

 

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