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Quase meio século a serviço da arbitragem

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Foto: Fábio Riscarolli/Inter de Lages/Divulgação

Dois troféus que ganhou em 2013, quando foi homenageado por ser o árbitro mais velho do futebol amador de Lages, são guardados com muito orgulho por Jairo Ávila Madeira, carinhosamente conhecido como Zaguinha.

Os objetos dividem espaço com relíquias pessoais, como fotos antigas – uma delas feita ao lado do ex-jogador Júnior, do Flamengo, em 1993, quando o time máster da equipe Rubro-Negra esteve em Lages para disputar um amistoso – naquela ocasião, Zaguinha atuou como auxiliar na partida preliminar, e simbolizam parte de suas conquistas na arbitragem.

Perto de completar 70 anos, Zaguinha pode ser considerado uma lenda viva do apito. Neste ano, ele completa nada menos que 45 anos na arbitragem do futebol amador de Lages e região. Com uma memória invejável, ele lembra que começou a apitar “peladas” em um campo de futebol que havia no antigo seminário franciscano, no Bairro Petrópolis, em Lages.

“Eu costumava ir até lá para jogar futebol, mas um certo dia, não tinha juiz para apitar, aí me convidaram e acabei aceitando a tarefa. Foi, então, que descobri a arbitragem”, conta.

Nos anos seguintes, Zaguinha passou a atuar em campeonatos municipais – como os Jogos Comunitários de Lages (Jocol) – quando a competição ainda se chamava Jogos Interbairros (ou JIBs) e regionais, alternando a função de árbitro e “bandeirinha”.

Ele recorda que a partida que mais marcou sua carreira foi em 1996, quando apitou a final da segunda divisão do Jocol, no Estádio Municipal Vidal Ramos Júnior (Tio Vida), entre Colorado (já existo) e São Cristóvão. “Naquele jogo, a arbitragem passou despercebida e ganhou nota 10, foi uma surpresa para mim”, recorda.

Ele lembra que já apitou jogos difíceis, mas nunca foi ameaçado ou agredido em campo. Para manter o bom andamento da partida, diz que o segredo é apitar de acordo com as regras e não bater-boca com os jogadores. “Costumo respeitar e tratar os jogadores com educação. E quando apito uma falta, não fico batendo-boca; viro as costas e mando seguir o jogo”, diz.

Natural de Urubici, Zaguinha veio para Lages quando tinha 9 anos. Viúvo há mais de quatro anos e pai de dois filhos, ele mora com a filha, a árbitra Daiane Madeira, no Bairro Petrópolis, desde 1980.

Além de arbitrar, ganhou a vida confeccionando e vendendo artesanato em couro. Atualmente, com menos intensidade, obviamente, costuma apitar amistosos no campo das Associações dos Veteranos Ex-Profissional de Lages (Avep) e não pretende largar o ofício tão cedo, mesmo estando aposentado.

No último sábado, atuou como “bandeirinha” no jogo da equipe campeã do estadual de 2000 do Inter de Lages, contra um time formado por profissionais da imprensa e convidados. Durante a partida, que aconteceu no Estádio Tio Vida, foi homenageado e ganhou uma camisa do Colorado Lageano. “Gosto muito da arbitragem e, enquanto tiver força, quero continuar bandeirando”, finaliza.

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