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Moradores estão preocupados com os furtos no interior de São José do Cerrito

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Fotos: Adecirf Morais

Os furtos a residências em comunidades do interior de São José do Cerrito, na Serra Catarinense, têm preocupado os moradores. As ocorrências se concentram, basicamente, nas comunidades do Araçá, Bom Jesus, Cruz Alta, Corredeira e Campina Grande. A frequência de casos tem assustado e deixado os moradores inseguros. O Cerrito possui cerca de 9 mil moradores e uma grande parte da população vive na área rural do município.

Conforme relatos dos moradores, que cobram um maior policiamento no interior, as ocorrências acontecem, principalmente, nos fins de semana e a qualquer hora do dia. Os ladrões aproveitam para cometer os crimes quando as casas ficam sozinhas. Alguns moradores reclamam que costumam registrar boletins de ocorrência, mas não recebem uma resposta das autoridades policiais.

As pessoas estão inseguras e muitas, com receio de sofrerem represálias, não querem se identificar. Isso porque, segundo elas, os criminosos são conhecidos na região. Quem aceita aparecer entende que a população deve se manifestar publicamente e cobrar uma solução das autoridades de segurança pública.

Além dos arrombamentos a residências, casos de abigeato (furto de gado) também têm sido frequentes na região, segundo os moradores. Em algumas situações, os animais são abatidos na própria propriedade rural.

Os moradores explicam que mais de 20 residências foram arrombadas na região da localidade do Araçá – algumas foram furtadas mais de uma vez. A propriedade de Renan Gaspar Cassão, de 31 anos, e Ana Paula Souza, 36, foi um dos alvos. O imóvel foi atacado por volta das 22h do dia 26 de janeiro deste ano. O casal precisou sair e, quando voltou para casa, encontrou a casa arrombada. Os ladrões entraram na residência após quebrarem o vidro de uma janela.

“Levaram uma televisão 39 polegadas, um celular, um tablet, um liquidificador, roupas e uma bolsa com dinheiro, documentos pessoais e um talão de cheque. Levaram até a carne que estava no freezer”, lembrou Renan. Segundo ele, por conta do episódio, o filho do casal, de 13 anos, ficou traumatizado, atualmente está na casa dos avós e não quer mais voltar para casa.

Os criminosos são audaciosos. A suspeita é que eles estudam a rotina dos moradores para roubar. Eles usam carros para carregar os produtos furtados. “A situação está crítica. Para me proteger, vou construir tela nos fundos da casa, além disso, pretendo investir em câmeras de segurança”, disse Renan.

O morador Wilson de Souza Machado, de 46 anos, também foi alvo de furto. Ele contou que, há cerca de cinco meses, teve uma motosserra furtada do interior de um caminhão que estava estacionado na frente de sua casa. “O caso aconteceu à noite. Roubaram sem fazer nenhum barulho”, contou.

O aposentado Agenor Alves do Nascimento, de 65 anos, também foi alvo dos ladrões. Dono de uma mercearia que fica ao lado da igreja da comunidade do Araçá, teve o estabelecimento furtado há cerca de um ano. “Eu precisei sair e, quando voltei para casa, encontrei o mercado arrombado. Eles levaram vários mantimentos e uma quantia em dinheiro. Tive um prejuízo de cerca de R$ 4 mil”, contou o idoso.

Os moradores contam que estão evitando deixar as residências sozinhas. “Quando um de nós sai, temos que contratar alguém para cuidar da casa. Estão furtando até alho das lavouras”, acrescentou Wilson. Renan informou que os moradores criaram grupo de WhatsApp para que possam compartilhar informações sobre os furtos.

Polícia Civil diz que as vítimas têm receio para denunciar

O responsável pela Polícia Civil em São José do Cerrito, o escrivão Marcos Antônio dos Reis, informou que há vários registros de furtos no município, no entanto, frisou que falta colaboração dos moradores para solucionar os casos. “Na hora de registrar a ocorrência, a vítima tem receio de apontar possíveis suspeitos dos crimes, neste caso, não tem como investigar”, disse.

Dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP) indicam que, de janeiro a agosto do ano passado, foram registrados 75 furtos no município. Já em 2017 foram 105 casos e, no ano de 2016, 119.

Marcos explicou que os moradores até fazem o registro da ocorrência na delegacia, mas, com medo de represália, acabam não delatando possíveis suspeitas. “Aqui existe a lei do silêncio. Tem de haver uma participação maior da comunidade. Quando houver suspeitas, tem de colocar no papel”, observou.

A carência de efetivo é outro fator que afeta diretamente o trabalho de investigação. Atualmente, apenas um policial trabalha na delegacia de São José do Cerrito. Essa é uma realidade de outras pequenas cidades da Serra.

Apesar da carência de efetivo, Marcos afirmou que a Polícia Civil do Cerrito vem trabalhando bastante para coibir os crimes no município. “De dois anos para cá, recuperamos muitos produtos de furto e fizemos várias prisões por abigeato, com o apoio da Divisão de Investigação Criminal de Lages”. recordou, lembrando que a Delegacia de Polícia cerritense está entre as três da Regional de Lages com maior demanda de serviço.

Neste último fim de semana, policiais civis desencadearam uma operação conjunta que resultou na prisão de uma quadrilha que agia no interior de Lages, Campo Belo do Sul e Capão Alto. Vários objetos, produtos de furtos, além de arma e munição, foram recuperados. Ainda não se sabe se essa quadrilha praticava crimes no interior do Cerrito.

PM afirma que vai reforçar as ações preventivas

O tenente Douglas Tadros, do 6º Batalhão de Polícia Militar de Lages  afirmou que os policiais militares vão intensificar as ações preventivas para coibir os crimes no interior do Cerrito. Ele explicou que o 6º Batalhão tem um programa específico para atender as comunidades rurais. Trata-se do Programa Rede Rural de Segurança, realizado pelo batalhão em parceria com Polícia Militar Ambiental.

O Rede Rural é semelhante a Rede de Vizinhos que acontece nas cidades. Através deste programa, os policiais atuam em conjunto com a comunidade de maneira a propiciar ações de prevenção e repressão ao crime. “Estamos atentos e, nos próximos dias, pretendemos incrementar as rondas nestas comunidades para coibir os crimes”, disse ele, destacando que além do Rede Rural, outras guarnições atuam no interior.

O oficial aproveitou para ressaltar a importância de a população investir em prevenção e colaborar com a polícia para identificar os criminosos. Segundo ele, o boletim de ocorrência é crucial e interfere diretamente no planejamento da Polícia Militar.  É por meio do registro de ocorrência que, no caso de furtos, a polícia sabe se uma região é mais vulnerável que outra, assim, acaba direcionando as ações preventivas.

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1 Comentário

1 Comentário

  1. João José

    12/02/2019 at 11:12

    O problema é que se registra BO e dizer que suspeita que é fulano e não for comprovado o sicrano pode ser processado por calunia difamação, dai um dos motivos para as pessoas não informar o nome dos meliantes

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