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Estado nega retirada de equipamentos da ala nova

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Foto: Susana Küster/Arquivo CL

Atualização às 18h15 (10/1) – 

Um documento que circula pelas mídias digitais alarmou a população de Lages e da Serra Catarinense nos últimos dias. O teor dá conta da possibilidade de remanejar cerca de 70 equipamentos do Hospital Tereza Ramos, em Lages, para outras unidades hospitalares do Estado, a exemplo do que foi feito com o tomógrafo computadorizado que, no final de dezembro, foi entregue para o Hospital Regional Dr. Homero Miranda Gomes, em São José, na Grande Florianópolis.

A justificativa seria de que estes equipamentos não estão sendo utilizados pelo hospital de Lages, devido à paralisação temporária da obra de ampliação da unidade, e poderiam ser melhor aproveitados pelas instituições que os receberiam. Leia o documento na íntegra.

Quando visitou a Serra, no segundo semestre do ano passado, o secretário de Estado da Saúde, Helton de Souza Zeferino, participou de uma audiência pública na Câmara de Vereadores e afirmou que a obra está 94% concluída.

O documento que circulou nesta semana foi emitido pela Gerência de Desenvolvimento dos Hospitais Públicos Estaduais, em agosto do ano passado, teria sido aprovado pela Secretaria de Estado da Saúde no fim de dezembro e, na última terça-feira (7), a gerência confirmou (de acordo com o documento) que entraria em contato os hospitais beneficiados, com intuito de instruí-los quanto ao remanejamento dos equipamentos.

Segundo as informações contidas neste documento, além do tomógrafo que foi para São José, também seriam remanejadas 39 camas de recuperação, 10 camas elétricas, dois aparelhos de ultrassom portáteis, uma lavadora ultrassônica e uma termodesinfectora, todos para o Hospital Governador Celso Ramos, em Florianópolis; 12 camas de recuperação para o Hospital Santa Teresa, em São Pedro de Alcântara; e cinco camas elétricas para o Hospital Doutor Waldomiro Colautti, em Ibirama; totalizando 70 unidades.

A diretora da subsede do SindSaúde em Lages, Ivanise Balbinot Simon, explica que o órgão não é contra o remanejamento de equipamentos que não estão sendo utilizados para unidades que precisam destes.

“O que não pode é deixar equipamentos sem funcionamento no HTR, como é o caso do tomógrafo que está parado novamente, está em manutenção e deve retornar a semana que vem. Enquanto isso, o Estado fica contratando serviços em clínicas particulares, onerando ainda mais os cofres públicos.”

A termodesinfectadora é uma espécie de máquina de lavar gigante utilizada para materiais cirúrgicos e ventilatórios, como traqueias e ambu. Segundo Ivanise, a termodesinfectadora da Central de Materiais de Esterilização do hospital está parada há quatro meses e todos os materiais estão sendo lavados manualmente.

“Essa indignação é do povo e nossa como trabalhadores e trabalhadoras da saúde pública estadual. Se a nova ala passa por auditoria e, por isso, não poderia remanejar equipamentos para HTR, então também não poderia remanejar para outras unidades do Estado. Isso não é bairrismo ou pensar somente na minha unidade, pois muitas outras unidades do Estado precisam, mas sim cobrar do Governo uma resposta rápida e efetiva sobre quando vai inaugurar esse hospital”, diz.

Lideranças se posicionam

A deputada federal Carmen Zanotto (Cidadania), que cumpriu agenda em Florianópolis nesta semana, afirma que ao tomar conhecimento do citado documento, na quarta-feira (8), aproveitou que teria uma reunião com o secretário Zeferino, e cobrou um posicionamento sobre a possibilidade de que estes equipamentos fossem retirados de Lages. Segundo ela, Zeferino lhe assegurou que isso não acontecerá.

“Quando eu estive com o secretário, pedi encarecidamente que nada mais saísse do Tereza Ramos, porque a cidade vai ficar em polvorosa e preocupada, até porque nós temos a expectativa da abertura do hospital, conforme o previsto. Ele confirmou a reabertura do hospital para 1º de agosto e garantiu que não vai retirar nenhum equipamento. Eu acredito na palavra dele.”

Marcius Machado

O deputado estadual do PL conta que também se mobilizou ao receber a notícia. Ele teria solicitado à Casa Civil informações para entender se este remanejamento dos equipamentos é possível e se realmente aconteceria.

“Essa tentativa de retirada de equipamentos acho meio temerário, porque você começa a desmantelar. Se o hospital vai ser aberto em agosto, e eu acredito que comece a operacionalizar no final do ano, como que vai operacionalizar sem equipamentos?”, questiona Marcius, afirmando que, caso isso aconteça, pedirá uma audiência diretamente com o governador Carlos Moisés.

Entidades representativas, como a Associação Empresarial de Lages (Acil) não veem com preocupação a divulgação deste documento. Em conversa por telefone com a reportagem do CL, o presidente Carlos Eduardo de Liz lembrou que em sua passagem pela Serra, no segundo semestre do ano passado, Zeferino se comprometeu em abrir o hospital com total possibilidade de funcionamento.

“A conversa que nós da Acil tivemos com o secretário foi no sentido de que entre julho e agosto, conforme estava planejado, vamos ter aberto [o hospital]. Se tirarem A ou B de equipamento, nós e a CDL vamos cobrar enfaticamente para abrir da forma que era o projeto original”, completa.

A reportagem contatou a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Saúde para obter um posicionamento sobre o assunto. No final da tarde, recebemos a seguinte nota: “A Secretaria de Estado de Saúde esclarece que não há nenhum movimento para retirada de equipamentos do Hospital Tereza Ramos, em Lages. Os atendimentos estão sendo realizados normalmente.”

O Correio Lageano, por mais de uma vez, também tentou entrar na nova ala do Tereza Ramos, a fim de registrar e divulgar o andamento das obras e os equipamentos que lá estão, mas isso não foi permitido pela direção do hospital ou pela Secretaria de Estado da Saúde.

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