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Entrevista com o vereador Ivanildo Pereira (PL)

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Foto: Marcela Ramos

O senhor está no primeiro mandato, destacou que é a primeira entrevista ao Correio Lageano. O que de relevante o senhor fez em quase três anos?

A gente, nesses dois anos e sete meses de gestão, fez 707 indicações. 

E essas indicações, representam o quê?

Representam os bairros. Sou muito atuante, não tem um bairro que não tenha indicação minha. São indicações com bastante relevância. 

Indicação serve para melhorar alguma coisa no bairro?

Por exemplo, às vezes, a comunidade, ou presidente do bairro chama porque têm mais dificuldade para chegar em uma Secretaria ou mesmo no Executivo. A gente tem mais acesso, faz as indicações e leva direto para os secretários ou para o próprio prefeito [Antonio Ceron] que nos atende muito bem. Muitas coisas, na cidade, têm se desenvolvido pelo meu desempenho. Tenho ajudado as pessoas que fazem trabalho comunitário, e as associações de moradores.

O senhor tem contato próximo com o prefeito, o senhor é situação ou oposição na Câmara de Vereadores? 

Acho que um vereador, para legislar bem, não pode ser nem oposição, nem situação, tem de trabalhar para o povo. Precisa ter um contato bom com o perfeito e com os secretários para poder levar indicação, ou mesmo um projeto. Precisa ter um ‘contato forte’ com prefeito, não pode fazer oposição ao poder executivo.

O senhor se elegeu pelo PR [hoje PL], que teve um candidato a prefeito em 2016, Marcius Machado, hoje deputado estadual. Não é um pouco incoerente o senhor ser tão próximo do prefeito Antonio Ceron (PSD)?

Eu acho normal e muito inteligente o vereador que não faz oposição. Fazendo oposição, não é um legislador bom para a cidade. Se o prefeito fosse Marcius estaria cobrando, talvez mais ainda por estar do lado dele. O povo necessita de legisladores que ajudem e façam projetos bons. É por isso que muitos vem com “tititi” de que o vereador está contra ou não está. Eu não sou contra! Sou uma pessoa que trabalha para o povo, não sou partidário, sou vereador do povo. É é fácil de acertar as coisas comigo, se beneficiam a cidade tem jeito. 

Tudo que propõe a administração municipal é bom? Não há falhas?

Se tem falhas temos de ajudar a corrigir, por isso somos eleitos para o povo, estamos lá para ajudar a cidade e nesse sentido digo, não vou [contra] só porque sou vereador do PL. Criticar tudo que o prefeito faz, não está certo. Na eleição é outra situação, mas não é meu tipo fazer política falando mal dos meus adversários, faço o meu projeto. Vou trabalhar por isso, para o povo, qualquer cidade precisa de um legislador desse jeito. Tem que ter uma proposta e é isso que tenho. 

O senhor  vai se candidatar de novo? 

A gente não sabe o dia de amanhã. O político quando entra numa eleição, geralmente, concorre nas próximas, é político até morrer. Enquanto estiver em Lages, ou em outra cidade, estou dentro da política. Sou político dentro da minha casa, na rua, à noite, o dia todo. Acredito que é preciso melhorar as coisas e para isso é preciso existir a política. 

Até o final do mandato, o senhor vai abrir espaço para o seu suplente? 

Meu suplente é o [Adilson] Padeiro que já foi vereador. Na verdade nem conheço ele direito, não nos procurou, e não teve acerto a respeito. Tive uma conversa com o Márcio [na época candidato a prefeito de Lages], queria uma orientação. Ele disse ‘vereador se vire para se eleger que eu vou trabalhar para minha eleição’. Eu disse, ‘vou te ajudar a prefeito’ e ajudei, fiz campanha para ele. É difícil vocês sabem, que é uma das mais difíceis do mundo a eleição para vereador. Acho que o povo vota para vereador por uma proposta, ele tem que ser incansável, e eu sou imbatível. Vocês sabem que é complicado ser vereador, ele é o primeiro alvo do povo. Se o prefeito não fez algo, as pessoas já dizem que estão sem vereador, e eu digo, ‘vocês não estão sem vereador, nem sem prefeito, muito menos sem secretário, vou ajudar vocês a levar até eles (as reivindicações)’. Todos os pedidos precisam entrar no orçamento, ninguém trabalha fora de orçamento. Por isso, dei minha palavra que nunca vou fazer oposição com ninguém, independentemente de A ou B, mesmo se eu sair de novo a candidato e for vereador novamente, vou ser um vereador como sou hoje. 

O senhor falou do deputado Marcius Machado, parece que a relação de vocês não é das melhores. E verdade isso? 

Da minha parte não tem nada. Estou procurando o bem-estar da nossa cidade e disse isso a ele, e que preciso que traga emendas para Lages porque a cidade é grande e necessita. Tanto que lancei um projeto chamado Cidades Irmãs que foi vetado no legislativo. Ele seria muito importante para a saúde. A saúde na nossa cidade é um caos, mas por quê? Porque, geralmente, atende muito outras cidades da região, porque aqui tem a UPA, postinhos de saúde e hospitais melhores. A melhor medicina é aqui e por isso é muito procurada. Nós deveríamos sentar e conversar com os prefeitos da Amures. O nosso prefeito deve convocar os prefeitos da Amures para que a gente tenha um desafogo financeiro. E aí vai ter mais médicos e uma melhora para saúde, principalmente, para o pessoal que vem do interior. 

O senhor falou de saúde, seus colegas apresentaram há alguns meses o resultado da CPI do Pronto Atendimento…

É importante o que você está perguntando e o povo também está perguntando nas ruas. CPI foi apurada, mas tem muitos fatos que, às vezes, não são verídicos e eu não posso me manifestar. Falo quando tenho 99% de certeza de que aquilo é verídico, porque vocês sabem, pode causar até processo. Tem coisas que a gente não tem 100% de certeza. É complicado para a gente dizer que fulano fez isso fez aquilo. Isso acontece no Brasil inteiro, você sabe, eu acho que a nossa saúde não é das piores, não. Já precisei, tive problemas depois que sou vereador, em todos os lugares que estive, sempre fui bem atendido, fui pelo SUS para ver como é o atendimento. Chego nos locais e não me apresento como vereador, e o nosso atendimento não é ruim. Se tivesse que dar uma nota hoje, daria uma nota 7 para a saúde de Lages. 

O seu capital político se deve muito à liderança que o senhor desempenha no Bairro Caroba?

Não, é na cidade toda. 

Mas o senhor é do Bairro Caroba? 

Sim sou do Bairro Caroba, eu moro lá.

A região do Bairro Caroba é uma região carente de infraestrutura?

É a mais carente em Lages. 

Falta pavimentação, área de lazer, sistema de esgoto, é uma situação complicada.

Por exemplo nós temos duas emendas que beneficiam esses bairros, que levamos para o Jorginho Mello [senador] e ao deputado [estadual[ Marcius Machado. Queremos um trator agrícola no bairro, porque existe o chacreamento Verdes Campos que tem mais de 100 chácaras, mais ou menos. Também necessitamos de um centro comunitário.  Já está no Executivo, foi o primeiro que procurei. Foi só uma indicação para o prefeito, mas para o Jorginho Mello apresentei como emenda, assim como para Marcius Machado. Nós estamos acompanhando as emendas, assim que vierem já serão um bom avanço, acredito que o prefeito vai dar uma mão [para construção] no centro comunitário, que é tão importante para o bairro, porque pode ter cursos profissionalizantes e outras atividades. Já fui presidente da comunidade por 13 mandatos e sei as necessidades que o Bairro Caroba têm. Hoje acho que é um dos mais carentes [de Lages]. 

Lages tem vários bairros em situação de pobreza..

Tem vários, vocês conhecem bem a situação da cidade porque trabalham na comunicação, estão em todos os bairros. 

Além de se preocupar com as questões dos bairros, o vereador tem que fiscalizar e legislar. Em Lages poucos são os bairros que tem todas as ruas pavimentadas. O senhor parou para pensar nisso, que além do Caroba, tantos outros bairros precisam melhorar a infraestrutura viária?

Sim, a gente nota, por exemplo, no Bairro Santa Helena. É difícil o dia que não atravesso a cidade, sou muito atuante. De dois em dois dias tenho passado em quase todos os bairros da cidade, por isso que tenho esse tanto de indicações [707]. É porque estou olhando as ruas, os meus assessores também. É corrido, não vencemos porque a demanda é muito grande. Só que, não vai ser resolvido nesta gestão, nem na outra, acredito que em quatro anos não serão resolvidos todos os problemas, e a gente tem que ajudar. Fui um dos que votaram a favor dos R$ 50 milhões para o asfalto, no meu modo de entender votei favorável porque sei que estou ajudando a cidade. Dívida sempre vai ter, sou uma pessoa que sempre estou endividada, quem não tem dívida não tem crédito, e como comerciante que sou, se não devo, é porque não tenho crédito. O povo precisa muito do vereador, vocês sabem, e o povo necessita do vereador, às vezes, é uma cadeira de rodas, levar um doente para atendimento. 

O senhor acha que o papel do vereador está ligado à essas atividades, dar cadeira de rodas o levar ao médico?

Não é papel do vereador, mas ele tem que ajudar, se ele é uma pessoa bem e sadia, pode fazer isso. O vereador deve aprovar leis que beneficiem a cidade, eu entendo isso. Talvez devesse levar [demandas] para o presidente do bairro, que ele leve [as indicações] para o secretário. Mas o presidente do bairro não ganha nada, então, eu ou o meu assessor levamos. No início do mandato reuni os meus assessores e um deles, que está há dois anos, admiro muito o trabalho que faz. Fizemos um pacto, temos de fazer os projetos de lei e aprovar aqueles que são bons para o povo e beneficia a comunidade. Temos de estar atentos, estamos representando o povo. Lançamos dois projetos, sugestões de emendas.

O senhor já esteve em Florianópolis visitando o gabinete do deputado?

Estive lá umas quatro vezes. 

O senhor foi bem recebido? 

Fui bem recebido pelo senador [Jorginho Mello, até 2018 deputado federal]. 

O senhor foi no gabinete do Marcius e do Jorginho…

Foram duas vezes no gabinete Marcius e quatro vezes com o Jorginho. Sou muito atuante Eu acho que o político tem que se virar não deve estacionar. 

Mas as pessoas implicam com o vereador, quando ele viaja e ganha diária.

Eu nunca usei diária, vou com meu carro e levo, às vezes, quatro pessoas para me ajudarem, quando é necessário. Levo junto, às vezes, para explicar um projeto como hoje eu trouxe aqui um assessor, o ‘Kichute’ para falar de uma antena da Tim [o Correio Lageano fez reportagem sobre isso] que a gente quer colocar lá no [localidade de Santa Terezinha do Salto] Salto, se você deixar ele fazer a colocação. 

Essa entrevista é focada no senhor, depois a gente pode conversar com ele. Para a gente encerrar, seu partido era o Partido da República e mudou para o Partido Liberal. O senhor se considera um liberal na economia e nos costumes? 

Veio lá de cima [a mudança] e foi realizado um evento muito grande no Clube Caça e Tiro, em Lages. Não sei se alguém do jornal esteve lá. Vocês perceberam que eu nem fui chamado para compor a mesa? Eu fiquei lá, tinha mais ou menos umas 40 pessoas, eu, como liderança do partido não fui chamado, sou o único vereador. Dei meu nome na chegada e não chamaram o vereador Ivanildo, tinham pessoas da Amures inteira e de Florianópolis. Foram chamadas muitas pessoas, mas não fui, mas tudo bem, não tem problema. Acho que senador [Jorginho Mello] deve ter percebido, talvez converse com o deputado para entender o que houve. Porque não trabalhei para o deputado Márcio Machado, nas eleições, sou honesto e sou digno, isso povo de Lages pode ter certeza. Fui cobrado, me dizem ‘o que aconteceu vereador, o senhor é o nosso representante e não esteve na mesa’, talvez eu não signifique nada para o partido. Mesmo que fosse o meu pai e eu achasse que não merece, não trabalharia para ele [nas eleições], só trabalho para quem vai beneficiar a cidade, tem que apresentar proposta, caso contrário não quero. Fiz minha política desse jeito me elegi desse jeito, com propostas para o povo. 

O senhor não fez campanha para o Marcius Machado esse é o problema de vocês?

Eu acho sim. Até fevereiro vamos sentar para conversar. Vários partidos querem que eu faça parte da sigla, quero ficar no PL, mas vamos ter uma conversa muito séria sobre isso. Não estou falando mal do partido, porque me elegi neste partido. 

O senhor pensa em mudar de partido?

A gente não tem intenção, mas quero fazer o melhor para o povo e para ser representante do povo, quero ter parceiros. Sempre fui bem recebido pelo senador Jorginho e pelo Március, o que eu quero é que tragam as coisas para nossa cidade. Se por acaso sou o ‘calço’ [do partido] prefiro mudar. Eu quero sentar e conversar com o meu deputado. 

Então, se não houver entendimento de vocês há possibilidade de trocar de partido?

Todos os partidos me chamaram. Quando a pessoa trabalha com dignidade, é o próprio povo que empurra. Hoje sou PL. O povo quer o Ivanildo solto e aberto e que traga soluções para a comunidade. Eu me acho muito inteligente, porque quando cheguei em Lages, eu não tinha ninguém para me dar uma mão, e a cidade de Lages me acolheu muito bem. Sou de São José do Cerrito, nasci em Campos Novos, meu pai era empresário, tinha uma serraria. A minha cidade é Lages, porque é a cidade dos meus sonhos. Tenho de trabalhar por Lages. Sou muito conhecido na região e cobro muito dos prefeitos da Amures. Não pretendo sair de Lages, só quando não fizer mais parte desse mundo. Quero mostrar para o povo que sou capaz de fazer a virada, e ter posicionamento. O político que não tem posicionamento não é político. É assim que voto, muitos projetos do prefeito votei a favor. Muitas vezes o partido chamava, queriam colocar rédeas, e não aceitei. O partido que eu estiver não poderá colocar rédeas em mim. 

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