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Diversificar é a única alternativa

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Lages, 26 e 27/06/2010, Correio Lageano

 


Aumentar a produção de leite, estimular o plantio de pequenas frutas para diversificar a propriedade rural. Estas e outras metas estão no planejamento da Epagri para os próximos anos. De acordo com o gerente regional da entidade em Lages, o médico veterinário Nelson Beretta, que está no cargo há três anos, o foco da regional é a pecuária e a floresta.

 


Correio Lageano: Hoje, qual é a importância da pecuária para a região?

Nelson Beretta: A pecuária extensiva, aquela que envolve a produção de leite e de carne ainda é a atividade mais importante no setor agropecuário. O gado de corte ainda é maioria, mas estamos ampliando a produção de leite. Em três anos ampliamos a produção de 30 mil litros para 100 mil litros dia. Nossa meta é atingir a quantia de 400 mil litros até 2011. Mas, mesmo com esta retomada, o número de produtores que se dedicam ao gado de corte ainda é muito maior. Temos um rebanho de 26 mil cabeças de gado utilizadas para o leite e 343 mil cabeças para o corte. Apostamos na atividade leiteira porque gera renda para o produtor durante o ano todo. É uma atividade que exige bastante trabalho, mas que está ganhando cada vez mais espaço.

 

 

CL: Embora há muitos anos exista o incentivo para a agricultura familiar, em que é ressaltada a importância da diversidade, por que muitas famílias ainda insistem no plantio de milho e feijão?
Beretta: Feijão e milho são atividades essenciais para qualquer propriedade, entretanto o produtor não pode se restringir a elas, até porque hoje é muito difícil competir com grandes produtores.

 

 

CL: Qual a atuação da Epagri para incentivar o produtor a investir em outras culturas?
Beretta: Além da retomada da produção leiteira, temos um projeto voltado para o plantio de pequenas frutas como phisalys, ameixa, amora, mirtilo e pêra. Oito municípios da regional de Lages serão contemplados com unidades de implantação de pequenas frutas. Também temos em experimento o sistema agrosilvopastoril, onde é possível na mesma propriedade fazer o plantio de árvores exóticas, ter gado e plantar. Este sistema ainda está em estudo, mas é bem apropriado para a nossa região. E ao contrário do que muitos pensam, o pinus não é uma cultura agressiva. Se as raízes dele estão grandes é porque o terreno é pobre e conta com poucas vitaminas. A raiz cresce na medida em que procura alimentos.

 

CL: Como a Epagri tem acompanhado o desenvolvimento das florestas na região? E como está o plantio de Araucária?
Beretta: Temos feito pesquisas constantes com o pinus e com o eucalipto. Com a Araucária trabalhamos apenas com o plantio. Atualmente temos na região cerca de 16 milhões de árvores, portanto a Araucária não está em extinção. Sei que o Ibama na unidade de Caçador está fazendo um estudo genético sobre o pinheiro brasileiro.

 


CL: De que forma o projeto Microbacias tem ajudado na diversificação das propriedades?
Beretta: O projeto Microbacias conta com 58 grupos e atende cerca de 7500 famílias em Lages. Desde que foi iniciado em 2002, foram investidos R$ 6.540 milhões em ações na área ambiental, social e econômica. Se o programa tiver continuidade, o que será decidido no próximo mês de agosto, ele irá tratar principalmente da questão econômica, ou seja, irá ajudar o produtor a agregar valor ao seu produto. Não é possível fazer projetos econômicos se o social não está bem e vice e versa.

 

 

CL: A sua especialidade é a piscicultura. Nossa região tem águas apropriadas para a atividade. O que falta para que o agricultor invista nesta cultura?
Beretta: Os produtores aqui da região são desconfiados e ainda não há muitas pessoas na atividade. Mas, ela é totalmente viável. A piscicultura é mais uma forma de diversificar a propriedade. No Vale do Itajaí há estudos que viabilizam a piscicultura com o plantio e com a pecuária. É um trabalho lento, mas teremos resultados.

 

Foto: Deyse Pessoa

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