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Consciência sobre maternidade real é um desafio

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Para Alessandra, conversar abertamente com outras mulheres sobre a maternidade real (que envolve aspectos positivos, mas também negativos) é uma conquista pessoal - Foto: Núbia Garcia

As mulheres, mães ou não, lutam para acabar com muitos rótulos impostos diuturnamente pela sociedade: sobre sua sexualidade, profissão e, principalmente, maternidade. Desconstruir alguns conceitos tem sido uma busca constante visando a permitir que a maternidade seja vivenciada de forma simples, sem estereótipos, medo ou vergonha.

O ideal social da mãe sugere uma mulher sempre sorridente e amorosa, bem-vestida, com filhos sempre felizes e educados, e que nunca “desce do salto” diante dos problemas. O que muita gente não sabe é que este ideal sugerido pela sociedade pode afetar o emocional das mulheres, que enfrentam barreiras e não conseguem compreender que podem, sim, continuar tendo sentimentos comuns aos seres humanos (raiva, angústia, tristeza), mesmo após se tornar mãe.

“Hoje, as mulheres têm uma consciência muito maior dos desafios que envolvem a maternidade, não compram mais a ideia de que a maternidade é aquele comercial de margarina, onde todo mundo é feliz, os filhos são perfeitos e as coisas acontecem facilmente. Isso vem muito da desconstrução que nós mulheres estamos fazendo acerca desse papel”, comenta a doula Alessandra Schmitt, 35 anos.

Mãe de dois garotos, o João Vitor, de 14 anos, e o Tom, 4 anos, Alessandra comprou para si o desafio de desconstruir a maternidade e fazer com que as mulheres se sintam mais à vontade com os sentimentos (inclusive a frustração) provocados nessa situação.

“Até pouco tempo atrás, as mulheres eram instigadas a falar sobre as dificuldades que encontram na maternidade, sobre como não são plenamente felizes sendo mães. E quando se fala em não estar feliz, ou não viver somente momentos felizes, não tem nada a ver com o amor que a gente sente pelos filhos. Eu acredito que quando a gente escolhe maternar, o amor aos filhos é incondicional, mas nem sempre a gente está no nosso melhor momento e feliz”, avalia.

Para Alessandra, poder conversar abertamente com outras mulheres sobre a maternidade real (que envolve aspectos positivos, mas também negativos) é uma conquista pessoal. Em seu trabalho como doula, ela usa a própria experiência para atender às famílias que a procuram, oferecendo compreensão e falando sem rodeios sobre as vivências da maternidade.

“Ter filho é maravilhoso, mas criar é uma ‘treta’. E não é mentira isso. Me sinto feliz em também poder participar dessa desconstrução. Se alguém tivesse sido mais realista comigo quando eu tive meu primeiro filho, falando o que eu enfrentaria, sem enfeitar, eu teria enfrentado as coisas de outra forma e sofrido menos com meus sentimentos,” completa.

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