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Como ajudar alguém com depressão

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Foto: Divulgação

Estima-se que até o ano que vem, cerca de 300 milhões de pessoas no mundo terão depressão. Considerada uma das maiores doenças do século, ainda carregada de estigma, é vista por muitas pessoas como frescura, falta de vontade, tristeza, entre outros pormenores que tentam reduzi-la a algo passageiro. 

Contudo, por se tratar de uma doença psíquica, ou seja, que afeta a mente – mas, ao mesmo tempo, o corpo -, é importante estar atento aos sinais. Agora, alguém do seu lado pode estar sofrendo e saber lidar é essencial para minimizar os danos. A depressão não tem cura, mas o tratamento existe, é efetivo e faz com que milhares de pessoas consigam conviver.

Conhecendo a depressão

A depressão é um transtorno que atinge a pessoa por inteiro, influenciando tanto a mente quanto o corpo. Ocorrem alterações psíquicas, sobretudo no plano afetivo. Os sentimentos positivos, como alegria, desejo, energia, interesse, satisfação e relaxamento deixam de existir ou aparecem apenas em segundo plano.

Começam, então, fortemente os sentimentos negativos, que são desagradáveis e dolorosos, determinando a vida da pessoa num grau desmedido. Dentre eles estão desânimo, tristeza, medo, amargura, solidão, impotência e até a desesperança.

Esses sentimentos se alternam com fases de exaustão, abatimento e sensação de vazio, fazendo com que as pessoas afetadas se sintam “enclausuradas”, isoladas e como se estivessem mortas internamente. A psicóloga Rejane Maria Baggio explica que entender todo esse processo é o primeiro passo para começar a ajudar alguém que está com depressão.

O médico Dráuzio Varela elenca alguns dos sintomas: 

  • Alteração de peso (perda ou ganho de peso não intencional)
  • Distúrbio de sono (insônia ou sonolência excessivas,  praticamente diárias)
  • Problemas psicomotores (agitação ou apatia psicomotora, quase todos os dias)
  • Fadiga ou perda de energia constante
  • Culpa excessiva (sentimento permanente de culpa e inutilidade)
  • Dificuldade de concentração (habilidade diminuída para pensar ou concentrar-se)
  • Ideias suicidas (pensamentos recorrentes de suicídio ou morte)
  • Baixa autoestima
  • Alteração da libido
  • Muitas vezes, no início, os sinais da enfermidade podem não ser reconhecidos. No entanto, nunca devem ser desconsideradas possíveis referências a ideias suicidas ou de autodestruição.

O diagnóstico é clínico e se toma como base os sintomas descritos e a história de vida do paciente. Além de espírito deprimido e da perda de interesse e prazer para realizar a maioria das atividades durante pelo menos duas semanas, a pessoa deve apresentar também de quatro a cinco dos sintomas

Como ajudar

Antes mesmo de compreender a doença, quem convive com um depressivo pode começar observando as atitudes dessa pessoa. Entre as primeiras mudanças de comportamento, segundo Rejane, está a perda de interesse por atividades que antes faziam sentido e prazer. “Não se tem mais o gosto pelas coisas; a pessoa começa a sentir uma avolição????? (incapacidade de iniciar ou persistir na busca de um objetivo)”. Além disso, a irritação é um dos sentimentos mais presentes.

Para auxiliar, a psicóloga destaca a necessidade de se acompanhar pela busca de um profissional, como psicólogo ou psiquiatra; ajudar a fazer atividades que provoquem o oposto da emoção que o paciente está sentindo; ter paciência; falar sem julgamentos; e, principalmente, reconhecer os próprios limites.

Isso porque, Rejane explica que é muito comum o familiar, amigo, esposa ou marido sofrer junto com quem tem depressão. “A pessoa fica com aquela sensação de impotência”. Por isso, de acordo com a psicóloga, é essencial buscar ajuda de um profissional, porque a pessoa próxima de alguém com depressão pode não entender, muitas vezes, determinados comportamentos e levar para o lado pessoal. “É preciso compreender que aquilo que a pessoa está sentindo está relacionada a depressão, não a outro fator”.

Ao entender esse “novo” comportamento, você estará se educando para ajudar alguém que convive com a doença; especialmente quando o paciente já está numa fase de desesperança, que é quando ocorrem os pensamentos suicidas.

Ajuda urgente

Neste ponto, Rejane ressalta que é a hora de procurar ajuda urgente, mas sem ter medo de falar abertamente sobre o assunto. É necessário entender e perguntar porque a pessoa começa a dizer que deseja sumir, ou que o mundo seria melhor sem ela. Isso irá auxiliar no entendimento de uma fase complexa, mas que pode ser revertida.

 

O que não fazer

No seu livro, o professor e psicólogo alemão Martin Hautzinger, ele aponta atitudes inapropriadas que podem fazer mal aos depressivos, como tratá-los com impaciência, incompreensão, exigências demais ou apelar aos desejos e à pressão. Porque isso intensifica o sentimento de culpa no paciente.

Além disso, são igualmente erradas afirmações como “já vai melhorar”, “amanhã será outro dia”, “já melhorou muito”, entre outras. Tais expressões só causam distanciamento e dão a sensação de não ser compreendido. Não ajuda em nada pedir para que a pessoa se recomponha, não se descontrole e pare de reclamar o tempo inteiro. A depressão é inconstante, evolui, melhora, piora novamente e requer muito tempo e paciência dos familiares.

Parceiro, família, filhos, conhecidos e amigos não são terapeutas. Segundo Hautzinger, não devem nem sequer tentar assumir esse papel, pois tal conduta, geralmente, traz mais danos do que efeitos positivos. O importante é assegurar que estará sempre ao lado dessa pessoa, mesmo nas piores fases.

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