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#CLentrevista o country manager Fabio Arruda Mortara

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Fabio Arruda Mortara é o country manager da Two Sides Brasil. Ele já foi presidente da associação brasileira da indústria gráfica (Abigraf) e da Confederação Latino-Americana da Indústria Gráfica (Conlatingraf).

Correio Lageano: A preocupação ambiental é crescente e, muitas vezes, o papel aparece como um fator negativo ambientalmente. O projeto Two Sides defende justamente o contrário. Como é esse projeto?

Fabio Arruda Mortara: Com alguma lentidão a indústria de papel europeia criou esse projeto, em 2008, que prevê a defesa do papel como produto sustentável. O papel que vem de uma floresta que foi plantada, no crescimento dessa árvore sequestra carbono, ou seja, faz bem para o planeta. Não fosse assim, o Brasil não teria assinado o protocolo de Paris, comprometendo-se a plantar 12 milhões de hectares de árvores. O produto mais nobre que a árvore pode dar, lógico que pode ter um papel toalha, higiênico ou coisa assim, mas é o papel impresso, o livro, o jornal ou a revista. Essa é a ideia da Two Sides, mostrar o outro lado e contrapor os imensos ataques que o papel sofre. Até nós, gráficos, vejo, às vezes, nos rodapés de e-mails mensagens do tipo: “pense antes de imprimir, seja consciente, salve árvores”, dentro do nosso setor percebemos que temos uma tarefa enorme e hercúlea de mudar a cabeça das pessoas.   

Há uma defesa do digital como ecologicamente correto em relação ao papel impresso. Como a Two Sides percebe isso?

A Two Sides elaborou um material básico que mostra, justamente, os mitos e os fatos. Um material baseado em evidências absolutamente confiáveis, desde relatórios da ONU até do WWF, que é a entidade mais séria da área ambiental e que apoia a Two Sides. Isso nos deu uma segurança. Afirmamos coisas que têm de ser críveis, confiáveis, temos 11 mitos e fatos sobre a cadeia produtiva do papel e um deles é sobre a questão da comunicação eletrônica, que seria mais ecologicamente correta que o papel, esse é o mito, e o fato é que a mídia eletrônica também possui impactos ambientais. Mostramos, com todas a evidências, como a questão do eletrônico é complexa e pouco falada. Os grandes fabricantes são potências eletrônicas e digitais, e abordam pouco esse assunto.

Como é o impacto da cadeia produtiva do papel e da indústria gráfica na economia do Brasil?

O último levantamento que nós fizemos, ainda quando eu era presidente da Abigraf, mostrava que o setor era responsável por alguma coisa como 800 mil empregos. Isso se você somar toda a indústria de florestas, desde o viveiro até quando a árvore é moída e vira celulose, toda a indústria de papel e gráfica, e ainda as editoras e a indústria jornalística que são fortes no Brasil. Não me recordo o número do PIB (Produto Interno Bruto), mas é extremamente relevante e mais ainda porque essa indústria é responsável pelo lazer, pela cultura, pela informação e formação das pessoas no país, daí a importância desse grupo de atividade econômica que tem que ser preservado e mostrar o seu valor.  

O senhor mencionou que há um estudo sobre a diferença na aquisição do conhecimento através do livro impresso e do digital.

Como parte do projeto da Two Sides, temos a revista Print Power, que publicamos o ano passado, mas que tem artigos atemporais. O artigo principal mostra que tudo o que acontece na nossa mente tem uma ligação, e essa ligação é mais concreta, a retenção [do conhecimento] é maior quando temos uma leitura impressa. Procuramos mostrar isso para educadores, principalmente. Uma grande editora do Brasil se associou a Two Sides para ter matéria para divulgar para educadores. Essa editora é de um grupo espanhol muito forte, há muitos anos no Brasil e trabalha, basicamente, se comunicando com educadores. Há uma desinformação grande, não só no nosso meio, mas também nos que educam as próximas gerações e são esses que estamos visando.

Sem contar que a fake news que no digital se prolifera de uma forma assustadora e no impresso, quem escreveu é responsável e tem de responder pelo que está registrado.

A ANJ e a Fenajori têm se movimentado para valorizar  jornais e revistas para mostrar que o que é impresso tem essa responsabilidade. Isso é muito sério. No digital tudo é fugaz, volátil e efêmero. O impresso é o que permanece.  

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