Caso de agressão no Vila Mariza gera polêmica e afastamentos
O caso da agressão, supostamente sofrida pela médica e uma enfermeira do posto de Saúde do Bairro Vila Mariza, em Lages, tem rendido muitas polêmicas, inclusive com uma licença de saúde para a médica e o desligamento do cargo de coordenação de um enfermeira efetiva do Pronto Atendimento Tito Bianchini. A secretária da Saúde de Lages, Odila Waldrich, esteve no Correio Lageano para esclarecer algumas situações.
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Ela destaca que Lages registra, diariamente, episódios de agressão e, há algum tempo, os servidores vinham pedindo mais respeito por parte da população, tanto ao tratamento quanto à valorização por parte do poder público em relação a cargos e salários.
Prova disso é um cartaz colado nas unidades de saúde, com a data do dia 10 de dezembro, pedindo apoio a uma votação na Câmara de Vereadores sobre o vale-alimentação e a progressão de cargos.
Na votação, o pedido foi arquivado. Segundo a secretária, a prefeitura sempre busca conceder o reajuste salarial e enfatiza que o trabalho é de muita responsabilidade dos 1.200 servidores, todos efetivos.
Odila comenta que todos os dias são registradas agressões verbais contra servidores, o que preocupa a gestão. Para isso, os profissionais estão em constante capacitação de sensibilização de acolhimento para melhor atendimento e entendimento das necessidades dos pacientes.
Unidade está sem médico
Após o fato da agressão, ocorrida no dia 15, a médica Juliana Stefani, que teria sido uma das vítimas, está afastada para tratamento de saúde, já que está grávida e, por isso, a unidade de saúde está sem médico.
As consultas da população atendida por aquela unidade, estão sendo agendadas para a Policlínica Municipal ou, em alguns casos, os direcionadas ao Pronto Atendimento Tito Bianchini e ao Hospital Infantil Seara do Bem.
Não há previsão de retorno da médica ao trabalho, nem a sua substituição. “Durante todos os dias, na rede municipal de saúde, são atendidas mais de oito mil pessoas. Nas unidades, cerca de 400 pessoas, informa Odila.
Vereadores pedem processo administrativo
O episódio da agressão repercutiu em muitas redes sociais, inclusive em um grupo de WhatsApp formado por servidores do Pronto Atendimento Tito Bianchini, que teve suas conversas divulgadas.
O vazamento das imagens com as conversas do grupo motivou 12 vereadores de Lages, que tiveram seus nomes citados nos diálogos, a fazerem um pedido de abertura de processo administrativo e afastamento de uma servidora do cargo de coordenação.
Porém, a servidora, que é enfermeira de carreira, e estava exercendo a função de coordenação do pronto atendimento, pediu o afastamento para voltar a exercer a profissão de enfermeira antes mesmo de o documento ser entregue ao prefeito em exercício, Juliano Polese.
Vereadores
O vereador Jair Júnior (PSD), um dos citados no grupo de whatsapp, comenta que o pedido do processo administrativo se dá em função dos fatos que não condizem com a conduta da prefeitura. Segundo Jair, a população é a mais prejudicada neste caso.
O vereador Lucas Neves (PP) completa que o pedido é para possibilitar a identificação dos envolvidos e apurar a conduta deles. “O repúdio é no sentido de que aquelas pessoas que participaram da conversa demonstram não ter preparo para atender a população”.
Lucas comenta que recebeu as mensagens com surpresa, pois sempre foi bem recebido e atendido no pronto atendimento. Os servidores que foram citados publicamente, segundo Odila, estão tomando as medidas cabíveis referente à divulgação das imagens.
Vigilância
Já está em processo de licitação a compra de câmeras de videomonitoramento para instalação nas Unidade de Saúde, o que deve contribuir para coibir os casos de agressão ou identificar possíveis agressores. Além disso, alguns pontos estão com vigilantes contratados pela Secretaria.
UPA deve mudar realidade de atendimento
A secretária Odila acredita que com a conclusão das obras da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e a abertura ao público, deve mudar a realidade dos atendimentos de urgência e emergência, isso porque a estrutura é maior e oferecerá mais especialidades.
Hoje, o Pronto Atendimento Tito Bianchini não suporta a demanda da população. “A estrutura da UPA está praticamente pronta, mas depende da aquisição do mobiliário. Ao todo, são três mil itens que precisam ser comprados, porém, para enviar o edital ao setor de licitação, a Secretaria precisa fazer três orçamentos diferentes de cada item.”

Mutirões
A Secretaria de Saúde conseguiu, por meio de emenda da deputada Carmen Zanotto, contratar duas equipes de médicos oftalmologistas de Florianópolis para atender em Lages. O objetivo é zerar a fila onde oito mil pessoas aguardam uma consulta. Da primeira semana de janeiro até agora, três mil pessoas foram atendidas às sextas-feiras, sábados e domingos. Destas, 250 já foram encaminhadas à cirurgia em São José.
Outro mutirão muito aguardado é o de exames. Há pessoas que aguardam na fila desde 2013 para os exames de alta complexidade, como ressonância magnética, ultrassom, colonoscopia, endoscopia e outros. A expectativa é que entre maio e junho essa fila seja zerada.
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