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Brasil é o 3º no mundo com mais casos de diabetes entre crianças e adolescentes

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Daniella se cuida e consegue levar uma vida normal Foto: : Marcela Ramos

Há três anos, a adolescente  Daniella Michelon Júlio descobriu que era diabética, bem no dia do aniversário do avô. Ela não estava se sentindo bem há alguns dias.

À noite, a sua mãe, Nara, a levou ao hospital e a menina foi medicada com soro, pois a princípio estaria desidratada. Porém, como a garota estava urinando com muita frequência, a médica fez exame de HGT (mede o nível de açúcar no sangue) e marcou 719 quando o normal é menos de 100 mg/dl.

A lageana  foi levada para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) onde ficou duas semanas. Depois, começou a luta para controlar a doença.

A história de Dani, de 14 anos, é bem parecida com a de muitos adolescentes. Ela faz parte de uma turma que só cresce no mundo, a de crianças e adolescentes diabéticos.

“Quando eu descobri, eu simplesmente fiquei sem reação e sem entender e pensei: acabou pra mim, vou ter que fazer insulina pro resto da vida”, conta Daniella, que viu sua vida mudar da noite pro dia.

Hoje, ela faz uso diário de insulina, colocou o sensor libre e, nesse período, esteve internada três vezes. “Sigo orientações da nutricionista”, diz a estudante do nono ano do Santa Rosa, que sonha em ser psicóloga, se referindo ao que teve que abrir mão: doces, uma das delícias comuns aos adolescentes.

Aliás, segundo especialistas, doces e refrigerantes associados à obesidade são os vilões das causas da doença, e se agrava mais quando existe predisposição genética.

Dados do Ministério da Saúde (MS) apontam que 30% dos jovens consomem doces em demasia. Muitos jovens vêm desenvolvendo a diabetes tipo 2, que é mais comum em adultos com sobrepeso. 

No entanto, Dani tem uma vida superativa. Se diverte com os amigos, estuda, lê, vê séries, ouve músicas e desenha. Tem ansiedade, mas usa um medicamento fitoterápico para controlar. “A doença nāo mudou minha vida drasticamente”, assegura 

O importante apoio da família

Dani conta com o apoio da família e dos amigos, fato muito importante, principalmente quando descobriu a doença. A mãe, dona Nara, que é pedagoga, garante que a filha  tem controle da situaçāo.

“Lógico, no início da descoberta foi um baque para toda família, inclusive a dela”, salienta. Nara observa que o Brasil está evoluindo muito no quesito medicações mais avançadas.

“Infelizmente sāo medicamentos caros, ou seja, a maioria nāo consegue adquirir. Precisamos urgentemente de um olhar de ajuda do poder público, para que as pessoa que são portadoras desta degeneraçāo pancreática tenham mais acessibilidade”, completa.

Faltam especialistas 

No Sistema Único de Saúde (SUS) há poucos médicos endócrinos. “Falta vontade política em contratar mais especialistas”, alerta a mãe.

Dona Nara tem razão. Em Lages, atendem, pelo SUS, três médicos endocrinologistas, porém dois estão em atividade no momento. O outro profissional tem mais de 60 anos e está afastado por causa do coronavírus. 

Segundo o gerente da regulação da Secretaria de Saúde de Lages, Luis Reinaldo Fraga, aguardavam para consulta até sexta-feira (8) 542 pacientes.

“Não temos especialista (herbiatra) em adolescentes e crianças. Os que temos atendem todas as idades e também os médicos especialistas em saúde de família”, explica

Alimentos saudáveis e exercícios salvam vidas

Para a médica de Família e Comunidade, Viviane Mendes Cunha, a orientação é sempre a melhora da qualidade da alimentação e prática regular de atividade física, para todas as faixas etárias.

Salienta que nos dias atuais os pais precisam incentivar seus filhos a serem mais ativos, brincarem mais ao ar livre, correr, pular, subir em árvore, evitando o sedentarismo, cada vez mais comum entre crianças e jovens, que passam grande parte de seu tempo livre na TV, vídeo games ou smartphones, aparelhos que fazem parte da vida moderna mas precisam ser usados com o moderação e controle dos pais. 

Quanto  à alimentação, o papel dos pais também é indispensável, precisa modificar os hábitos alimentares da família, valorizando o consumo de alimentos naturais e pouco processados, evitando o máximo alimentos ultraprocessados e ricos em gorduras e carboidratos (fast food, salgadinhos, guloseimas em geral).  

“Pode até ser clichê, mas essa dupla alimentação saudável e atividade física regular salva vidas”, explica ela que integra o quadro do Serviço de Atenção Domiciliar (SAD) do Programa Melhor em Casa e atua há 16 anos na Atenção Primária à Saúde de Lages.

1,1 milhão de pessoas com menos de 20 anos têm a doença 

O 9º IDF Diabetes Atlas, divulgado recentemente pela Federação Internacional da Diabetes (a IDF, organização que congrega associações especializadas na doença em 168 países), aponta que 1,1 milhão de meninos e meninas com menos de 20 anos têm o tipo 1 da doença no mundo, e a estimativa é de que o aumento anual global de casos seja em torno de 3%.

Em Lages, existem cadastrados 2.549 pacientes, sendo 331 diabéticos tipo I (fazem uso de insulina), 2.176 diabético tipo II, 39 gestantes e 3 transplantados.

São 1.047 homens e 1.502 mulheres distribuídos entre as faixas etárias de 0 a 18 anos (72 pacientes), de 18 à 30 anos, 89 e de 30 a 60 anos (816) e acima de 60 anos 1.572 pacientes.

São atendidas uma média de 350 pacientes/mês para cadastros e renovações, sendo em média 25 pacientes novos. A farmácia atende uma média de 1.000 pacientes/mês para distribuição dos insumos numa média de distribuição/mês 80.000 tiras, 60 mil lancetas e 20 mil seringas.

Quase 96 mil convivem com o diabetes 

Na América Latina, 127,2 mil convivem com a diabetes, e o país com mais registros é o Brasil: 95,5 mil casos. No ranking global, o país só perde em número de casos para os Estados Unidos e a Índia – os números, no entanto, não demonstram maior incidência da doença entre os brasileiros; de acordo com a IDF, a posição do país entre os primeiros do ranking se deve ao tamanho de sua população.

Segundo o relatório da IDF, cerca de 98,2 mil crianças e adolescentes com menos de 15 anos são diagnosticados com diabetes tipo 1 a cada ano – o número sobe para 128,9 mil quando a faixa etária se estende até os 20 anos.

Nos últimos 10 anos, a prevalência de diabetes tipo 1 aumentou 14 vezes em crianças e adolescentes. Nesse grupo, é a doença crônica endocrinológica mais frequente e a segunda ou a terceira doença crônica pediátrica, dependendo da população.

Razões do Crescimento

Em seu relatório anual, o IDF diz que esse fenômeno “é motivado por uma complexa interação entre fatores socioeconômicos, demográficos, ambientais e genéticos”.

O especialista, Liberatore Júnior diz que as causas exatas ainda não são totalmente conhecidas, mas existem teorias. “A principal é o aumento do peso da população”, comenta o médico.

Para se ter uma ideia, no Brasil, a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), de 2018, do Ministério da Saúde, revela que a obesidade cresceu 67,8% nos últimos treze anos, saltando de 11,8% da população em 2006 para 19,8% em 2018.

Em se tratando de crianças com idade entre 5 e 9 anos, os dados apontam que 3 a cada 10 delas estão acima do peso.

A atividade física é um dos pilares do tratamento, que inclui ainda, a dieta e a medicação. O exercício físico reduz o índice glicêmico e estimula a resposta do tecido gorduroso.

O diabetes não controlado, causa as neuropatias, as doenças coronarianas, a insuficiência renal, a hipertensão, o pé diabético e doenças relacionadas à retina.

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