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#CLentrevista a secretária de Política para a Mulher de Lages

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Foto: Marcela Ramos

Correio Lageano: Qual a importância da Secretaria da Mulher para Lages, que tem números altos de violência doméstica? 

Marli Nacif: Foi algo muito corajoso da parte do Prefeito instituir esta secretaria, que é a única no Estado de Santa Catarina. Por ter conhecimento desses índices e a cultura machista que predomina na região serrana, isso precisa mudar. E estamos fazendo esse trabalho, com vários parceiros que nos ajudam, e está sendo de suma importância. No começo, foi algo mais tímido, porque  as mulheres, aquelas que foram oprimidas há muito tempo, não têm coragem de procurar ajuda. Mas, a partir do momento que foi visto que era um trabalho sigiloso e que elas eram atendidas e não eram expostas, aumentou bastante o número de procura. Mulheres de todas as idades, buscam nossa ajuda pelo um socorro. Atendemos todas elas, e estamos vendo resultado, e é isso que nós queremos, que essa mulher que sofreu agressão, seja física ou psicológica, que tenha coragem e nos procure, pois temos uma equipe que vai atender, e conduzir para todos os órgãos necessários para acabar com isso. 

Que tipo de atendimentos são realizados na secretaria? 

Temos as equipes com psicóloga, assistente social e advogadas. No primeiro momento, ela é atendida pela psicóloga e pela assistente social. Se houver necessidade de registrar um boletim de ocorrência, para pedir a medida protetiva, esta mulher vai junto com a nossa equipe até a Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DPcami), onde as profissionais acompanham até ser feito o boletim de ocorrência e pedir a medida protetiva. Durante todo esse tempo, elas são acompanhadas. Quando há casos de ameaça, de forma violenta, e que a mulher quer sair daquela casa, mas não tem para onde ir, nós temos a casa, que serve de abrigo, onde ela é acolhida com seus filhos. Se ela tiver para onde voltar, ela volta, caso contrário, ela e os filhos podem ficar até seis meses, recebendo atendimento psicológico e encaminhada para a saúde. Caso haja necessidade, as crianças são encaminhadas para o psiquiatra. Se ela trabalha, nosso carro, leva e busca até o trabalho, e as crianças a mesma coisa para a escola. Para evitar que esse agressor encontre eles. Elas são protegidas de todas as maneiras e, enquanto isso, as advogadas orientam. Temos uma parceria com OAB, que alguns advogados se colocaram à disposição e, gratuitamente, encaminham esse processo para fazer as ações necessárias. Elas vão estar amparadas de todas as maneiras.

A rede de proteção está agora com projeto de atender os agressores, fazer rodas de conversas para que eles possam perceber seus comportamentos e rever seus conceitos em relação às companheiras. Como está funcionando esse projeto? 

Os homens que aceitam receber ajuda individualmente, nós já fazemos esse trabalho. Nunca com a presença da mulher. Em um horário atende a mulher e noutro horário ele. Alguns conseguem o direito de ver os filhos que estão abrigados, a equipe busca e acompanha o pai para ver os filhos. Os homens também precisam ser atendidos com bons psicólogos. Temos um sério problema quando envolve drogas e, se ele aceitar, nós encaminhamos para um tratamento. Conseguimos atendimento psiquiátrico para os casos mais graves e essa roda de conversa com homens é em parceria com a Justiça. Procuramos sempre ouvir as duas partes, a da mulher e a do homem, pois no fundo, quem sofre e são as vítimas, são os filhos. Temos outra preocupação, aumentou muito a agressão contra as idosas. Elas recebem um salário, pois têm direito. Os netos, ou até mesmo os filhos, tiram esse salário delas, para comprar bebidas, drogas e elas acabam ficando desesperada. Isso, infelizmente, aumentou bastante. 

E nas escolas? Há alguma parceria de trabalho para educar as crianças e jovens para uma convivência harmoniosa entre homens e mulheres, para combater a cultura machista na sociedade? 

Nossas escolas municipais têm um trabalho com os alunos. É um trabalho diário. E também temos a Justiça Restaurativa, que entra com a educação nesse trabalho. São feitas as rodas de conversas, em uma sala na Praça do Céu. O sistema de educação tem um programa, juntamente com a rede Catarinas e a Polícia Militar com o Proerd. Temos que fazer mais pelas nossas crianças e adolescentes. 

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