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Restauro do Casarão deve ser concluído em dezembro

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Foto: Núbia Garcia

Após quase sete anos de interdição, o Casarão Juca Antunes está finalmente passando pela obra de restauração necessária. O mais antigo imóvel urbano de Lages, datado de meados dos anos de 1850, tem 245 metros quadrados de área construída e é considerado o último registro do século XIX em arquitetura luso-brasileira na cidade. Ontem, a empresa China Three Gorges (CTG) Brasil fez o anúncio oficial da obra, que já está em andamento desde janeiro e tem 12 meses para ser concluída (até dezembro).

Tombado em novembro de 2001 pela Fundação Catarinense de Cultura (FCC) como patrimônio histórico, o Casarão Juca Antunes era alvo de ação judicial para a restauração desde 2010, pelo menos. Com o adiantado estado de deterioração, no segundo semestre de 2012 o imóvel foi interditado e as negociações ganharam corpo.

Sem que os proprietários do imóvel à época tivessem como arcar com os custos da restauração, a solução sugerida pelo Ministério Público foi que a Rio Canoas Energia (empresa adquirida pela CTG, que assumiu seus compromissos) arcasse com as despesas, por meio de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) para compensação ambiental em função da construção da Usina Hidrelétrica Garibaldi, em Abdon Batista.

Por meio da TAC, a CTG bancou, em 2016, a desapropriação do imóvel – que agora pertence à prefeitura – no valor de R$ 1,2 milhão. A obra de restauração terá custo de R$ 2 milhões e prevê a restauração de toda a estrutura de telhado, forro e piso, além de pintura e outras adequações na estrutura.

O objetivo, segundo a CTG, é resgatar as características originais do imóvel, que será entregue à prefeitura da cidade. Esta, por sua vez, ficará responsável pelo seu uso após o processo de restauro.

“Temos muitas sugestões e pedidos, mas estamos conversando bastante com o Compac [Conselho Municipal de Patrimônio Arquitetônico Cultural] e com as pessoas ligadas a área da cultura e da história, pra que a gente possa dar um destino bacana, que seja atrativo à população e para que as pessoas possam conhecer um pouco mais a nossa história”, explica o superintendente da Fundação Cultural de Lages, Gilberto Ronconi.

 

Restauração segue recomendações da Fundação Catarinense de Cultura

 

Situado na esquina das ruas Coronel Córdova e Benjamin Constant, no Centro de Lages, o imóvel pertenceu ao Coronel José Antunes Lima, conhecido como Juca Antunes, importante político da região. No seu entorno estão situados importantes pontos culturais da cidade, Como o Museu Histórico Thiago de Castro, a Fundação Cultural de Lages, a Escola de Artes e o Centro Cultural Vidal Ramos, formando um importante eixo cultural da cidade.

Em 2006, o casarão passou por uma obra de restauro emergencial. Na época, foram investidos R$ 91 mil em melhorias como a recuperação de um antigo jardim nos fundos da casa, parte elétrica e hidráulica, aberturas, forro, telhado e calçadas, além da construção de banheiros e outros resgates arquitetônicos.

O arquiteto responsável pela obra atual, Lurian Furtado Anselmo, explica que o processo de restauro segue todas as recomendações da FCC para manter o imóvel o mais próximo possível de suas características originais. “As coisas que vão ser substituídas, serão semelhantes ao que já existia, nada totalmente modificado, mas com materiais que têm uma durabilidade maior”.

O projeto prevê, dentre outras coisas, o dessoterramento de uma escada, que no projeto original ficava em frente a porta de acesso localizada na Rua Coronel Córdova, mas foi soterrada em uma das reformas feitas no passar dos anos, antes do tombamento.

Também serão instalados visores em alguns pontos do imóvel. Estes visores são painéis de acrílico, com iluminação, que possibilitarão aos futuros visitantes do local a visualização de partes internas da estrutura, como uma parede feita com pedra.

Lurian ressaltou que a estrutura original do casarão tem, em suas paredes externas, tijolos de pedra e tijolos argamassados e rebocados com barro e cal. As paredes internas são de pau-a-pique, as janelas são do tipo guilhotina e os forros e assoalhos em madeira.

 

O QUÊ A RESTAURAÇÃO PREVÊ

-Substituição da estrutura do telhado;

-Reparo dos barrotes e reposição dos pisos de madeira;

-Troca do piso cerâmico por piso de madeira;

-Reparo das esquadrias;

-Reparo do reboco a base de cal;

-Instalação do forro “saia e camisa”;

-Reforços estruturais em pontos afetados;

-Reconstrução de paredes em novo material;

-Reposição e reforma de pontos em madeira danificados;

-Repintura com tinta a base mineral;

-Adição de um visor em vidro para visualização da estrutura de fundação;

-Reparo nas pedras e arcos de fundação.

 

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