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Prevenção da gravidez na adolescência é feita em parceria

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Foto: Susana Küster

O trabalho de prevenção à gravidez na adolescência em Lages é feito em rede, integrando as unidades básicas de saúde e as escolas das redes pública e particular. Hoje, cerca de 15% das mulheres grávidas da cidade, tem idade entre 10 e 18 anos. Cada unidade de saúde trabalha de forma diferenciada, por meio de grupos de educação em parceria com as escolas, e consultas de planejamento familiar e reprodutivo. 

A enfermeira e coordenadora do Centro de Estudos e Assistência à Saúde da Mulher (Ceasm) de Lages, Bruna Correa Vaz, explica que o foco das equipes de saúde é conscientizar sobre a importância do uso de métodos contraceptivos, pela participação em palestras e dinâmicas. “Porém, há muita dificuldade de falar sobre o assunto com os adolescentes, porque ainda é tabu e alguns pais acham que estamos incentivando os filhos a fazer sexo. Eles acham que se não falar, não vai acontecer.”

Os Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas) e o Centro de Referência de Assistência Social (Cras) também atuam no trabalho de prevenção à gravidez na adolescência. “Esses espaços são aproveitados para tratar do assunto. Há grupos de vulnerabilidade neles, mas também é aberto a toda população.”

Bruna diz que o foco é explicar quais e como usar os métodos contraceptivos disponibilizados pelo SUS, que hoje são a camisinha, o anticoncepcional, o DIU de cobre e o injetável. “Nossa equipe, que também possui assistente social e psicóloga, trata do planejamento familiar nas palestras, pois faz parte da vida do adolescente.”

Contracepção também previne doenças sexualmente transmissíveis

Falar de métodos contraceptivos para crianças e jovens não é importante só para prevenir gravidez na adolescência. A especialista alerta que há uma epidemia de sífilis na Serra Catarinense, principalmente em gestantes, o que provoca a sífilis congênita. Ou seja, os bebês correm risco de nascer com vários tipos de problemas ou nem nascer. Como no início quase não tem sintomas, sendo que podem levar 10 anos para aparecer, o diagnóstico é difícil.”

Por isso, ela destaca a importância de usar preservativo para combater não só a sífilis como também outras doenças sexualmente transmissíveis.

Médica obstetra Aline Cristina Rodrigues examina adolescente grávida – Foto: Susana Küster

Projeto de abstinência sexual para jovens cria polêmica

Foi lançada, na segunda-feira (3), a nova campanha do Governo Federal para combater a gravidez na adolescência, cujo foco é incentivar os jovens a adiar o início da vida sexual. O projeto comandado pela ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, e também pastora Damares Alves, vem sendo chamado de “abstinência sexual”, e já fez várias entidades se manifestarem. A ministra negou elo com a religião e disse que não se trata de uma tentativa de “impor condutas morais ou religiosas”.

A Sociedade Brasileira de Pediatria e a Defensoria Pública da União, que têm um de seus núcleos voltados aos direitos da infância e do adolescente, posicionaram-se contra a iniciativa. As instituições tratam o programa como ineficaz, invasivo e capaz de confundir a cabeça do jovem. 

A ministra esclarece que o projeto não substitui o trabalho feito atualmente pelo Ministério da Saúde e busca orientar os jovens sobre planejamento familiar, métodos anticoncepcionais e DST (Doenças Sexualmente Transmissíveis).

Segundo ela, a iniciação sexual no Brasil, na faixa de 12 anos para meninos e 13 para meninas, representa um comportamento de risco em termos de saúde. 

Dados oficiais apontam para um crescimento das DST no Brasil nos últimos anos, especialmente entre os jovens. Os novos casos de Aids aumentaram 21% entre 2010 e 2018 no país, enquanto diminuíram no mundo, segundo a ONU.

Porém, a gravidez na adolescência no país apresentou queda nas últimas décadas. Após alcançar seu pico, entre 1995 e 2000, segundo a Organização Mundial da Saúde, a taxa de adolescentes grávidas é de 62 para cada grupo de mil jovens do sexo feminino com idades entre 15 e 19 anos. O número, no entanto, ainda é considerado alto, já que a taxa mundial é de 44 a cada mil. Os dados são de 2018.

Fonte: R7 

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