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População deve redobrar cuidados com higiene, mas não há motivo para pânico

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Foto: Núbia Garcia

A crescente de casos ao redor do mundo tem deixado a população em alerta, mas as autoridades afirmam que não há motivos para pânico, tampouco para medidas extremas. No Brasil são dois casos confirmados. 

Em Lages, o infectologista e pediatra Luiz Antônio Marcatto Ramos ressalta que é importante manter normalmente os hábitos diários e que não há necessidade de tomar medidas extremas, nem motivo para pânico. “Ainda é tudo muito novo, seja pra quem atende aos pacientes ou para quem está pesquisando. E a gente está assistindo e acompanhando a progressão dessa doença, mas não justifica, nesse primeiro momento, a necessidade de sair usando máscaras em ambiente aberto se não estiver doente”, exemplifica.

Marcatto destaca que, por enquanto, o ideal é redobrar alguns hábitos de higiene, como limpar superfícies e lavar as mãos com frequência e cuidadosamente. Segundo ele, estudos apontam que o coronavírus resiste fora do corpo humano, em superfícies inanimadas, por até nove dias – tempo superior à hepatite e ao HIV, por exemplo.

Para evitar a proliferação deste e de outros vírus, o médico orienta a higienizar móveis, bancadas, trincos e corrimãos com hipoclorito de sódio ou com álcool a 70%. “A aplicação deste álcool nas superfícies reduz bastante a capacidade de infecção do vírus que pode estar ali. Essa é uma medida de prevenção que vale para agora e que vale para sempre.”

Outra medida importante para evitar a proliferação de vírus que, assim como a influenza e o coronavírus se propagam por gotículas provenientes da fala, tosse e espirros, é lavar as mãos com frequência. Quando uma pessoa tosse ou espirra, a primeira reação, geralmente, é levar a mão para cobrir o rosto, por isso a higienização é tão valorizada.

“Quando espirramos ou tossimos a mão está envolvida, por isso ela fica contaminada. Se cumprimento uma pessoa ou toco em uma superfície, estou disseminando esse agente no ambiente. Por isso a recomendação é lavar muitas vezes as mãos durante o dia e, se possível, ter sempre disponível o álcool em gel, especialmente em ambientes de atendimento ao público ou onde circulam mais pessoas.”

Marcatto alerta que, para higienizar adequadamente as mãos é preciso que a lavagem seja feita com calma, para que nenhuma parte seja esquecida. “A lavagem de mãos precisa ser bem cuidadosa, com esfregação da palma, do dorso, do espaço entre os dedos, a ponta dos dedos e os punhos. É uma lavagem mais tranquila, nada afobado, com o uso de algum sabonete e, se dispuser, do álcool em gel após. O ideal é aplicar também o álcool em gel em toda a superfície da mão e do punho pra reduzir o risco de transmissão”, explica.

Vacina contra a gripe

Na última semana, o Ministério da Saúde anunciou que antecipará a Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza, que estava marcada para começar na segunda quinzena de abril, para o dia 23 de março. A medida é uma estratégia para diminuir a quantidade de pessoas com gripe nesse inverno. Marcatto explica que a vacina é especificamente contra a gripe e que não tem eficácia contra o coronavírus.

“A vacina da gripe serve pra proteger contra a gripe, não vai proteger contra o coronavírus, mas quanto mais pessoas estiverem protegidas contra a gripe, menos pessoas estarão doentes e vulneráveis. A vacina da gripe chega a um percentual de proteção em torno de 80% e, com isso, menos pessoas estarão gripadas e, consequentemente, menos pessoas estarão vulneráveis a outras infecções.” Sendo assim, segundo Marcatto, caso o Covid-19 se prolifere no Brasil, mais pessoas estarão protegidas e em uma condição clínica não comprometida por outra infecção prévia recente.

 

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