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Plínio Luersen, ele se considera um herói

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Plínio Luersen foi um grande herói da cidade ao construir uma carreira que durou sete anos. Até hoje é lembrado pelos seus feitos nos circuitos de rua. Ganhou fama bem cedo, quando estreou nas pistas aos 23 anos.

Ficou conhecido no mundo do automobilismo inclusive colocando Lages no mapa do esporte, quando participou das 12 horas de Lages. Em fevereiro de 1966, pilotando seu Simca Chamboard numeral 35, venceu de ponta a ponta a corrida em comemoração ao bicentenário da cidade. Recebeu a bandeirada com vantagem de 16 segundos em relação ao segundo colocado.

Um grande desafio que trouxe os melhores pilotos do Brasil, reunindo 47 carros, porém oito foram desclassificados. A largada foi às 7h da manhã de um domingo chuvoso, um percurso de 1.283 quilômetros, 224 voltas, numa velocidade média de 110 km/h. O traçado compreendia as avenidas Presidente Vargas, Luis de Camões, BR-282 e Duque de Caxias.  

Hoje, aos 79 anos, ele cuida da fazenda em São José do Cerrito, na localidade de São Miguel. É casado com dona Júlia, desde 1964, com quem teve três filhos, dois homens e uma mulher, cinco netos e três bisnetos. É diretor-presidente da empresa Plusen. Seu Plínio coleciona carros antigos e um deles, um Jeep Willys ano 51, está na sua garagem.

“Fiquei bom porque corria com os bons” , disse ele bem humorado ao se referir aos pilotos Chico Lang, Catharino Andreatta, Ítalo Bertão, Aldo Fernandes e Terra Schmidt, entre outros.

Ele lembra muito bem da sua estreia em sete de abril de 1963, na prova dos 500 Quilômetros de Lages. Exigiu 82 voltas, feitas em 4h56min30seg. “Pegava fundo. Sempre fui um piloto versátil, rápido, confiante, seguro combinando com reflexo e perícia deixava todo mundo para trás com meu jeito próprio de pilotar”, explica ele ao lembrar que ganhou o apelido de Nick Lauda. “Agora que ele morreu sobrou o Nick lageano”, diz em tom de brincadeira.

As provas de ruas reuniam grandes públicos

Surpresa na arquibancada natural

Quando começou a correr não contava com o apoio da família. A mãe nem ia ver as provas, a esposa torcia o nariz, mas o pai o surpreendeu. “Ele soube na véspera da minha estreia. Vinha ponteando pela Presidente Vargas quando vi um senhor num morrinho, pulando com o guarda-chuva em punho. E até pensei ‘que torcedor emocionado’ e quando cheguei perto reconheci meu pai. Disse, agora ganho essa corrida ou racho esse Simca no meio”, relembra ele com a voz embargada pela emoção. E tem que se considerar que a preparação do carro era caseira. “No fundo do quintal com equipe super-dedicada. Comprava o motor da fábrica Simca do Brasil e ia refazendo”, salienta.

Ascensão

Durante os sete anos que correu em diferentes circuitos do Estado, no Rio Grande do Sul e Paraná, ficou conhecido principalmente entre o Sul e o Sudeste. Usando outros modelos de carros, como um Puma, Luersen foi motivo de reportagens diversas, até na revista AutoEsporte, onde sua história foi contada em cinco páginas. Foi citado no livro 70 anos de Automobilismo Catarinense, editado em 2013, de autoria de Júlio Mendes e entrevistado em programas de TV recebendo muitas homenagens em bailes e festas.

Ele se manteve nas corridas de 1963 a 1969 e das 22 provas que participou venceu 11. Sua habilidade foi notada pela fábrica da Simca do Brasil, tanto que foi convidado para ser piloto oficial da marca. Seu Plínio atribui a performance nas corridas de ruas à sua função na madeireira da família. Puxava toras com um caminhão para Itajaí e enfrentava todo tipo e condições e de terrenos. “Andava com chuva, lama, serra, em meio à pedras e mato”.  Segundo ele, na época os carros chegavam a atingir 160 a 200 Km/h.

Seu Plínio deixou as pistas porque as provas começaram a ficar perigosas. “Não tinha segurança nem pro piloto nem pro público e demandava  apoio de agentes de segurança”, lamenta.

“Criei um grande círculo de amizade e arrumei um fã clube. Sempre fui bem visto por causa da minha habilidade. Conquistava torcedor até dos adversários. Fazia a torcida vibrar. Entrava nas esquinas em duas rodas como um cachorrinho e ganhava muitos aplausos” diz o ex-piloto ao destacar a sua satisfação. “O automobilismo tem um fã clube grande, quase como o futebol, e fazem do piloto um herói. Eu me considerava um herói”

“Fui laureado como um dos dez melhores pilotos da minha época e competia com pilotos de renome. Poderia até ter ficado melhor, quem sabe, participei de muitas provas e ganhei fregueses de carteirinha

A próxima personagem será a jogadora de futebol Maycon

 

Foto:Plínio Luersen por Onde Anda por BegaGodóy 5

Legenda:Plínio Luersen foi um dos heróis do automobilismo do Estado 

Crédito: Bega Godóy

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