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Pastelaria da “portinha” reabre após incêndio

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Foto: Adecir Morais

Colaborou: Suzane Faita

A década de 1940, em Lages, foi de transformações econômicas e sociais. Em pleno ciclo da madeira, as serrarias eram o carro-chefe da economia local e marcavam o período com um novo ritmo de trabalho. Naquela época, novos grupos chegaram em Lages, diversificando as atividades econômicas, provocando remodelações urbanas e transformações de hábitos.

Foi no fim dos anos de 1940 que aconteceu a inauguração de uma empresa familiar, que resistiu às décadas, às transformações sociais, à modernização dos espaços públicos, às mudanças entre as gerações e, recentemente, até a um incêndio.

Inaugurada há mais de 70 anos, a Pastelaria Serrana é um estabelecimento tão simbólico no Centro de Lages quanto a Banca Central (inaugurada na década de 1970 e hoje com seu futuro incerto). Desde a inauguração da pastelaria, no fim da década de 1940, a via, que já foi conhecida como Rua do XV de Novembro e hoje é a Nereu Ramos, deixou de ser de calçamento e recebeu asfalto, passou a ter tráfego em mão única, imóveis icônicos deixaram de existir e, com a modernização trazida ao longo das décadas, diversos prédios foram construídos na sua extensão.

O que não mudou em todos estes anos foi o formato da pastelaria. Além de ainda ser administrada pela mesma família que fundou o estabelecimento, a famosa “portinha do Centro” atende à clientela no mesmo local, uma sala de cinco metros de comprimento por um metro e meio de largura. Em sete décadas, não foi preciso fazer grandes modernizações, tampouco mudar de endereço para um ponto comercial maior ou oferecer confortáveis assentos para que sua fiel freguesia continuasse existindo.

A Pastelaria Serrana reabriu suas portas nesta quinta-feira (16), depois de cerca de 30 dias fechada para reformas, pois quase toda a estrutura do estabelecimento havia sido destruída por um incêndio, no dia 13 de dezembro do ano passado.

O autônomo Ervin Pereira Santos é cliente assíduo há 12 anos. Como parte da sua rotina de trabalho no Centro, ele passa na pastelaria para comer um lanche ou simplesmente tomar um cafezinho. Emocionado, ele conta que sofreu com o incêndio que acometeu o estabelecimento, tanto quanto sofreria se tivesse acontecido algo com algum de seus familiares.

“Passava por aqui todos os dias e pensava ‘mas será que não vai abrir mais?’. Mas graças a Deus eles reformaram e conseguiram voltar. É um comércio muito antigo e eles atendem tão bem a gente, que me sinto à vontade. Pra mim eles são um exemplo de superação e de que a gente não pode baixar a cabeça pros problemas. Torço pra que eles continuem indo bem.”

Um negócio de geração para geração

O atual proprietário do estabelecimento, Carlos Eloi da Silva (que é sobrinho do fundador), conta que precisou correr contra o tempo e as adversidades para reabrir o local após o incêndio, que começou em uma fritadeira e se alastrou rapidamente. Depois de ter 60% do estabelecimento destruído, ele precisou arcar com as despesas de uma reforma completa, aquisição de novos móveis e utensílios para a cozinha – pois pouca coisa sobrou.

“Pra mim é um privilégio tocar um negócio que já vem de gerações, tendo sucesso, que é o que todo mundo almeja. Nossos clientes são muito fiéis e, durante todos os dias que ficamos fechados, quem me via perguntava preocupado quando a gente ia reabrir”, conta Carlos.

A pastelaria pode não ter mudado muito ao longo das décadas, mas Carlos afirma que é satisfatório acompanhar as gerações de famílias que prestigiam seu trabalho, pois a tradição familiar da Pastelaria Serrana não está apenas na administração do negócio. Entre a clientela, muitas famílias são frequentadoras assíduas.

“Tem muita gente que começou a vir aqui quando era pequenininho, de colo, depois foi crescendo e hoje vem com os filhos. Muitas gerações já passaram por aqui pra comer o nosso pastel.”

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