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O bicicross ficou no passado, a disciplina do esporte não

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A piloto tem coleções de troféus e medalhas - Foto: Bega Godóy

Alessandra Zanotto Antunes de Souza ficou conhecida nas pistas de bicicross por compor o grid em meio a meninos. E por anos, ela foi a única mulher de Lages a praticar o esporte. E foi assim nas provas estaduais e até pelo Brasil afora. A garotinha cresceu, está com 24 anos, ainda é chamada de Lele ou Ale e formou-se em Direito. Atualmente é empresária e estuda para concursos.

A lageana enveredou para o bicicross em 2002. O irmão frequentava a pista de BMX, que antigamente ficava na Avenida Duque de Caxias, ao lado do Fórum Nereu Ramos. Pelo fato de estar no local todos os dias, surgiu a vontade de dar uma voltinha na pista, e o melhor de tudo, foi que ela gostou. A partir desse dia, não parou mais.

Apoiada pelos pais, um mês após a voltinha inicial na pista de bicicross veio a primeira competição em São José/SC. Foi 3º lugar, a colocação não a desmotivou. “Teria condições de ficar até em segundo ou primeiro lugar. Não foi possível, pois usei uma bicicleta emprestada, que não era ideal para a minha idade e tamanho”. 

Após essa prova, os pais perceberam que a menina tinha gostado e reunia condições de ir buscar o lugar mais alto no pódio. “Fomos atrás de patrocínio e adquirimos todos os equipamentos e a bicicleta ideal para mim. E assim foi dada a largada para a minha vida de esportista”, comenta a empresária. E foram 12 anos na modalidade. 

Títulos

  • 8º Melhor do mundo (Mundial)
  • Vice campeã Pan-Americana
  • Vice campeã Sul-Americana
  • 3 vezes Campeã Brasileira
  • 12 vezes Campeã Brasileira

Hoje sou uma pessoa totalmente competitiva, não gosto de perder, mais se perder levo a derrota como aprendizado na minha vida. A rotina de atleta tem muitas regras, o meu treinamento era intenso todos os dias da semana, isso me ensinou muito a ser regrada a ter hábitos que hoje são fundamentais para o meu dia a dia.”

Alessandra dominou uma área masculina – Foto: Divulgação

O que mudou na sua vida depois que deixou o esporte? 

Mudou muito. O esporte, seja qual for, te ensina muitas coisas, em especial ter ter auto confiança, não desistir do que você quer e sempre ir a luta. Meus pais sempre me falavam, que melhor que eu, só eu mesma, e quando eu entrava nas pistas eu sempre tive esse pensamento comigo, pois era isso que me motivava, eu sabia que estava dando o meu melhor. Por mais que a primeira colocação não viesse, eu tinha consciência que tinha feito tudo que estava ao meu alcance.

Do que você  mais tem saudade? 

A rotina na minha vida era muito intensa. Praticamente todos os finais de semana eu viajava para competir, o que dá saudades. O frio na barriga de todas as competições, as viagens e principalmente escutar o locutor falando o meu nome para subir ao lugar mais alto do pódio.

Está realizada como atleta? 

Tenho consciência que durante os 14 anos de competições dei o meu melhor, sempre fui dedicada ao meu esporte do coração. Aproveitei cada minuto desse tempo de atleta e tenho muito orgulho de ter carregado o nome da minha cidade, do estado e do país pelo mundo.

O que você aprendeu enquanto estava na ativa? 

Aprendi a ser competitiva, mas aquela competição do bem, de eu sempre ter garra e força para mostrar que eu era a melhor e que os títulos só iriam vir através da minha dedicação. Eu sabia que  dependia de mim, e eu sempre fui atrás. Minha rotina de treinos era intensa, todos os dias, 6 dias da semana, fora quando tinha competições no final de semana.

O que você faz quando não está estudando? 

Na maior parte do tempo, eu estudo. Pratico corrida de rua de vez em quando, e fora isso, aproveito meus momentos de folga para estar com quem eu amo.

Há algum atleta que você admira, por quê? Nesse momento em que vivemos, em que o esporte muitas vezes não é reconhecido por ser praticado por mulheres, admiro muito a Amandinha do futsal, a qual joga pela Leoas da Serra. Como eu sempre fui a única menina a praticar o bicicross na minha cidade, via o quanto era dificultoso aceitarem que uma menina fazia esse tipo de competição. Hoje em dia, eu tenho orgulho da pessoa em que me tornei através do bicicross e admiro muito as mulheres que não desistem do seu sonho, independentemente de qual seja seu esporte.

Planos para o futuro? 

Sim, muitos. Estudo muito para concursos e até chegar uma aprovação, continuo investindo na empresa a qual eu trabalho, a Makmassas com muitos planos para o crescimento da mesma.

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