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Maçã desenvolvida na Epagri será comercializada na Europa

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A comercialização da variedade Venice na Europa reverterá recursos financeiros para o Estado de Santa Catarina - Foto: Epagri/Divulgação

O trabalho de melhoramento genético da maçã desenvolvido pela Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Epagri) de Santa Catarina está recebendo reconhecimento internacional.

Nesta semana, o órgão anunciou que a variedade melhorada geneticamente SCS426 Venice passará a ser produzida e comercializada na Europa, com recursos financeiros revertidos para o Estado.

Em maio deste ano, a Epagri conquistou o direito de recolher royalties sobre a venda da maçã SCS417 Monalisa, nos 23 países que compõem a União Europeia. Assim, quem plantar e vender a maçã Monalisa naquele continente, paga para a Epagri um percentual calculado sobre o valor comercializado.

Sobre a Venice, a Epagri receberá 80 mil euros como taxa pela exclusividade do direito de explorar seu cultivo, além de receber royalties de até 1% das vendas líquidas dos frutos desta variedade, que serão pagos enquanto o contrato estiver em vigência.

Segundo o gerente da Estação Experimental da Epagri em Caçador, Renato Luis Vieira, outros três cultivares de maçã criados pela Epagri estão em fase avançada de testes pela International Fruit Obtention (IFO), na Europa. “Certamente, deverão resultar em acordos similares a este”, comenta.

A comercialização da Venice no mercado europeu integra um acordo celebrado entre a International Fruit Obtention – empresa francesa licenciada pela Epagri para testar e desenvolver os novos cultivares de maçã no mundo inteiro – e a Rivoira, empresa Italiana sublicenciada.

A Venice é uma variedade de maçã geneticamente modificada, que foi desenvolvida em conjunto pelas Estações Experimentais da Epagri em São Joaquim, na Serra Catarinense, e Caçador, no Meio-Oeste do estado.

Melhoramento genético

O trabalho de melhoramento genético da maçã é desenvolvido pela Epagri há 40 anos, e já registrou 20 cultivares. Segundo o órgão, cada cultivar é desenvolvido ao longo de mais de uma década de cruzamentos, que buscam destacar características desejadas, como crocância, cor e formato dos frutos, resistência a doenças e pragas, período de cultivo, entre outros. A Epagri é a única instituição no Brasil que faz melhoramento genético de macieira.

“Atualmente, 95% da maçã cultivada no Brasil é Gala e Fuji. O objetivo deste programa da Epagri é ofertar opções para o produtor, com novas variedades que tenham características de resistência às doenças, principalmente, e que se adaptem em todas as regiões do Sul do Brasil.”

Renato destaca que os cruzamentos e hibridações para identificar os cultivares são feitos em Caçador, mas os testes acontecem em todos os polos de produção de Santa Catarina – incluindo São Joaquim – e em Vacaria (RS).

“O programa tem um braço muito forte em São Joaquim. Todas as variedades criadas pela Epagri são testadas lá, e algumas delas surgiram em São Joaquim. É um trabalho em conjunto”, explica.

Ofertando mais variedades, que têm capacidade de se adaptarem, Renato explica que isso pode proporcionar um escalonamento da produção, aumentando a janela de colheita e, consequentemente, a rentabilidade do produtor.

“A colheita da Gala, geralmente, acontece no final de janeiro; e da Fuji, em abril. Agora, estamos desenvolvendo novas opções para ter uma janela maior de colheita. São cultivares que começam a ser colhidos no início de janeiro e têm variedades que pode colher até no início de maio. Com isso, o produtor consegue escalonar a colheita durante cinco meses”, completa.

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