Economia e Negócios

Lojas reabrem, mas vendas não reagem

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Objetivo das empresas é recuperar as vendas e evitar as demissões Foto: Marcela Ramos

Com intenção de evitar a disseminação do novo coronavírus (Covid-19) e a sobrecarga dos órgãos de saúde, o Governo do Estado manteve o Comércio de portas fechadas durante 28 dias.

Foi uma decisão polêmica, com efeitos sobre a vida e a economia. Para muitos, o isolamento foi uma escolha sábia, mas para outros, principalmente empresários, foi uma atitude equivocada, a qual gerou a decadência na economia do Estado de Santa Catarina.

As lojas foram autorizadas a reabrir, mas as vendas representam entre 30% a 40% das praticadas antes da quarentena. 

Com a perda das vendas durante esse período, uma das alternativas para amenizar a crise econômica foi a demissão de funcionários.

O diretor Executivo da Câmara de Dirigentes Lojistas de Lages (CDL), Jhonathan Silva, avalia que mesmo com a abertura parcial do comércio a situação continua preocupante.

“Estamos com problemas, como por exemplo, no segmento de confecções, onde as pessoas não podem provar as roupas.

A segunda questão é a ausência do transporte coletivo, tanto para aqueles que o utilizam para ir trabalhar, tanto para aqueles que se deslocam para ir comprar”, explica.  

Jhonathan informa que o percentual atual de vendas, comparado aos dias antes da pandemia, é de apenas de 30% a 40%, o que é considerado baixíssimo.

“Também tivemos um número de demissões. Umas demitiram mais, outras menos e algumas não dispensaram funcionários. Mas tivemos uma média de 10% de demissões no comércio.” 

O plano agora, segundo Jonathan, é fazer uma campanha maciça para a valorização da compra do comércio local de Lages.

“A questão é que o consumidor está segurando o dinheiro, pois ninguém sabe como será o dia de amanhã. Além disso, se o transporte público voltar, a situação pode melhorar, mas caso contrário a expectativa não é das melhores. As pessoas precisam valorizar nosso comércio e consumir aqui”, conclui. 

Lojistas apontam que venderam apenas 50% da média

A equipe de reportagem do Correio Lageano circulou pelo comércio para analisar a situação das lojas. Na Favorita, o gerente Domingos Savio Gomes afirmou que a queda no percentual de vendas foi de 50%.

Mesmo com a situação preocupante, não foi preciso demitir funcionários. “Não vendemos desde o dia 18 de março, a situação é preocupante.

Para driblar a situação e não demitir, demos férias para alguns funcionários. Apostamos nas vendas do Dias das Mães, caso contrário, vamos pensar na possibilidade de demissões.

Além disso, não estamos recebendo os pagamentos dos débitos. Estamos num sufoco”, relata o gerente com ar de preocupado. 

Já na rede das Lojas Berlanda houve demissões e fechamento de unidades. Segundo o gerente de umas das unidade de Lages, Jefferson Souza da Silva, a queda também foi 50% nas vendas.

“Aqui na minha unidade não teve a necessidade de demissão, mas em outras sim. Esperamos que, daqui uns 60 dias, possamos nos recuperar dessa situação” comenta. 

FCDL está otimista e acredita na recuperação do setor

A redução média das vendas do comércio de Santa Catarina, desde o isolamento social, é de 40%, segundo pesquisa divulgada nesta quinta-feira (23) pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de SC (FCDL/SC).

Apesar dos números negativos, o setor está animado com o retorno das atividades, principalmente por atenuar os prejuízos da crise. 

O estudo mostra que, dos entrevistados, 40,2% tiveram perdas financeiras acima de 50%, enquanto 31,5% deles registraram recuo entre 21% e 50%.

Além disso, 23,9% dos empresários afirmou já ter realizado alguma demissão. Do total, 37,7% têm a previsão de reduzir o número de empregados nos próximos 90 dias. 

“Embora distante do melhor cenário, o reencontro com os clientes já se mostra essencial para a nossa recuperação. A reaproximação com o consumidor garante às lojas melhor faturamento, em especial àquelas que recebem os pagamentos das prestações em carnês”, explica Ivan Tauffer, presidente da entidade.

Na atual condição restritiva, 35,7% das empresas garantem manter-se por mais três meses, enquanto 26,8% por apenas um mês.

Do total de consultados, 81,6% acreditam que a economia voltará a crescer após o período de um ano e 59,7% indicaram que precisarão recorrer a empréstimos bancários para equilibrar suas contas.

A reabertura vem garantindo ao comércio lojista uma recuperação razoável em relação ao faturamento. Além da movimentação dos consumidores na loja física, um dos fatores que contribui é a possibilidade do pagamento presencial do carnê, opção de preferência de boa parte dos catarinenses.

Desemprego 

O levantamento, feito pelo Sebrae/SC, com apoio das entidades como a Câmara de Dirigentes Lojistas – CDL Lages e Associação Empresarial de Lages – ACIL, ouviu 4.348 empresários do Estado.

Nos 29 municípios atendidos pela regional do Sebrae/SC que fazem parte da Amures, Amplasc e Amurc, o total de pessoas demitidas é de 18.510. NO estado, o estudo aponta que cerca de 406 mil pessoas perderam os empregos.

É bom deixar claro que os números apontados pelo Sebrae tem como base uma pesquisa feita com parte dos empresários catarinenses.

Os números reais serão conhecidos somente quando o Ministério do Trabalho divulgar os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Fonte: Sebrae SC

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