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Lageanos seguem a tradição de colher macela na Sexta-feira Santa

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Alexandre e Susane disseram que acordaram às 4 horas para ir em busca da planta - Foto: Adecir Morais

A tradição da colheita da macela na Sexta-feira Santa segue viva em Lages. Neste ano, assim como nos anteriores, fiéis acordaram de madrugada para colher a planta que tem poder medicinal e seu chá é usado, principalmente, como remédio para problemas gástricos e respiratórios.

De acordo com a crença popular, a macela, ou marcela, como é geralmente conhecida, precisa ser colhida antes mesmo de o sol nascer. Acredita-se que o orvalho nos arbustos faz com que a planta seja abençoada, aumentando seu poder de cura.

O profissional autônomo Alexandre Moraes Fontoura, 40 anos, e a costureira Susane Goulart Corrêa, 39 anos, seguem à risca a tradição. Moradores do Bairro Santa Rita, acordaram cedinho para colher a planta. “O chá é bom para problemas digestivos e respiratórios. Geralmente, a gente toma com gemada,” ensinam.

O casal contou que, além de colher para o consumo próprio, costuma levar a planta abençoada para doar aos vizinhos. “Temos um vizinho que só fica esperando a gente levar”, destacou Susane, dizendo que saíram de casa às 4 horas em busca da planta.

Eles contaram que aprenderam a tradição com seus pais. “Isso vem de berço. A gente colhe macela de madrugada, aí volta para casa, fazemos um chá, tomamos em jejum e, à tarde, vamos visitar o Morro da Cruz. Toda Sexta-feira Santa a gente faz isso.”

Irmãos Canozzi

O casal aproveitou para visitar o suposto local onde Ernesto Canozzi e Olintho Pinto, conhecidos como os irmãos Canozzi, foram assassinados. O local fica perto da ponte velha do Rio Caveiras e é visitado por muitas pessoas na Sexta Feira-Santa. Os irmãos Canozzi foram assinados no dia 1º de maio de 1902.

Quem também leva a sério a tradição de colher macela na Sexta Feira-Santa é o auxiliar de serviços gerais, Paulo Gras Serafim, 44 anos, e o padrasto dele, o pedreiro Soli Zineto. Ambos também acordaram cedo e encontraram a planta nos campos da região Sul da cidade. “A marcela é um remédio poderoso para dor-de-barriga e gripe”, contaram.

Sobre a macela

De maneira geral, depois da colheita, a macela deve ser deixada à sombra e, quando secar, ser guardada em local fechado. Paulo disse que costuma cortar a planta em pequenos pedaços para guardar dentro de casa. “A gente corta, amarra e deixa secar dentro de casa”, contou.

 

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