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Lageana integra projeto paulista para valorização de escritoras brasileiras

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Foto: Nubia Garcia

O trabalho de mulheres escritoras tem ganhado cada vez mais visibilidade em todo o mundo. Se em um passado não tão distante os escritos delas não recebiam o merecido reconhecimento, na atualidade, inúmeros movimentos dão luz a estes trabalhos. Um exemplo é o projeto Elas e as Letras, desenvolvido em São Paulo, que reúne escritoras brasileiras residentes no Brasil e também no exterior.

O projeto, que está em seu terceiro ano, lançou o primeiro livro em 2019, reunindo 58 autoras. Na próxima terça-feira (4), na Casa das Rosas, em São Paulo, acontece o lançamento do segundo livro. Intitulado “Elas e as Letras – Diversidade e Resistência”, a obra reúne textos de 63 autoras.

A escritora lageana Lú Dallabrida integra o projeto e tem textos publicados nos dois livros. “O projeto entrou por acaso na minha vida. Conheci pela internet e mandei uma crônica para elas. Com toda surpresa, fui selecionada. A Aldirene [Máximo] entrou em contato comigo e a gente começou a conversar e viu que os objetivos casavam com as ideias da minha escrita, ainda muito primária”, comenta.

Uma escritora por paixão recém-descoberta – ela escreve desde 2015 – Lú transforma em crônicas as vivências do universo feminino. E foi justamente isso que criou um elo entre a lageana e o projeto paulista. Para o texto que integra o segundo livro, o tema escolhido foi a intimidade. Em sua crônica, a autora discorre sobre a intimidade na forma mais ampla, muito além da relação desta palavra apenas com a pessoalidade do sexo.

“[No texto] falo da intimidade que existe até na amizade. Existe intimidade aceitar o outro. Intimidade conhecer as pessoas através do olhar. A crônica [que integra o segundo livro do projeto] é sobre a intimidade que é a aceitação. É chancelar o sonho do outro, do amigo, do cônjuge, da irmã, da pessoa com quem vive, da companheira, do companheiro, é conhecer outras facetas dessa pessoa e aceitá-las.”

Fisioterapeuta de profissão, Lú descobriu o prazer de escrever há seis anos, quando uma amiga se separou e ela buscou nas palavras uma forma de confortá-la. “Eu escrevi uma analogia entre uma pessoa que sofreu um entorse com uma separação. Primeiro vai mancar, depois caminhar mais forte, depois correr. Entreguei para ela e ela adorou.”

Na época, Lú estava começando a usar as mídias digitais e publicou o texto no Facebook. A intensidade com que as pessoas interagiram a motivou a escrever mais. Algum tempo mais tarde, outro amigo deu a ideia de escrever um livro, e ela topou. Desde então, já lançou dois: “Um Pouco de Todas Nós” (2015) e Da Leveza à Voracidade, 2016, ambos publicados pela LTA Editora. Em março de 2020, pretende lançar o terceiro livro, “Nossa Vida é Crônica”, pela editora Vecejar.

“Nem nos meus maiores sonhos imaginei que poderia estar na Casa das Rosas, um lugar que, além do nome lindo, é um símbolo da cultura paulista, com outras mulheres, levando a minha escrita. Isso é grandioso, me traz um orgulho muito grande como mulher e como alguém que, despretensiosamente, começou a escrever”, completa.

Elas e as Letras

Idealizado pela escritora Jullie Veiga, o projeto Elas e as Letras está no terceiro ano. Ao lado de outra escritora, Aldirene Máximo, Julie organiza os textos que são publicados nos livros.

O primeiro, que reúne contos, crônicas e poemas, foi lançado em 2019 e conta com a participação de 58 autoras que moram na Alemanha, Brasil, Dinamarca, Estados Unidos, Inglaterra, Portugal e Suécia. Além de Lú Dallabrida, a obra conta com a participação de outras três catarinenses: Maria Cecília Takayama Koerich, de Joinville; Márcia Cardeal e Nic Cardeal, de Brusque.

O segundo livro trará textos de 63 autoras distribuídos em histórias em quadrinhos, poemas, contos, crônicas e haicais (poema japonês), dentre outros. Desta vez, apenas duas moram no exterior (Estados Unidos) e as demais no Brasil. Nesta edição, apenas Lú representa Santa Catarina.

Sob a temática de Diversidade e Resistência, a obra tem uma seção intitulada “Meu lugar de fala”, que apresenta o trabalho de uma mulher indígena, uma negra e uma LGBT. Segundo as organizadoras, a temática da resistência se refere a “resistir pela palavra, para que nossas vozes ecoem, para sermos protagonistas de nossas vidas, para que sejamos ouvidas”.

“O livro um nos trouxe muitas ideias. Nós, mulheres, precisamos nos ajudar para que não silenciem nossas vozes. Precisamos resistir. Então, por ser um projeto feminista e por termos a necessidade de resistir, o volume dois da coletânea fala sobre Diversidade e Resistência”, comenta Aldirene, ressaltando que, após o lançamento do segundo livro será feita a divulgação do edital para selecionar as participantes do terceiro livro, ainda sem data para publicação.

 

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