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Inter de Lages completa 70 anos de história

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Sete décadas se passaram e um time do interior de Santa Catarina, cujo maior feito foi o Catarinense de 1965, ainda consegue reunir nas arquibancadas – e também fora delas – torcedores aficionados. Considerado pelos apaixonados como um dos símbolos da identidade lageana, o Esporte Clube Internacional de Lages, o querido Inter de Lages, celebra neste 13 de junho 70 anos de uma história marcada por perseverança e superação, mirando o futuro e a volta à elite do estadual.

O irmão mais novo do colorado porto-alegrense não teve uma vida tão glamourosa quanto a do time que foi sua inspiração, o Sport Club Internacional, mas os altos e baixos se tornaram marca de uma história que virou sinônimo de resistência. Se a linha do tempo do Inter de Lages pudesse ser vista em um monitor cardíaco, com certeza seria possível ver as oscilações de sua trajetória, incluindo aqueles momentos em que o torcedor ficou quase sem ar de tanta tensão, ou explodiu em alegria.

Se no passado a história foi construída por nomes como Armindo Araldi, Zezé, Puskas, Anacleto, Setembrino, Zé Melo, Binho, Jones Minosso, Erlon Xerife e o próprio José Paschoal Baggio (fundador do Correio Lageano e segundo presidente do clube), dentre tantos outros; hoje, o time se mantém em pé, principalmente, por causa de um torcedor que resolveu arregaçar as mangas e saiu das arquibancadas para marcar seu nome na biografia colorada.

O atual vice-presidente Patrick Cruz é um dos maiores entusiastas do clube na atualidade, e tem grande participação na ascensão do clube nos últimos anos. Em 2013, o Leão da Serra disputou a Série C do Catarinense, conquistou o título e subiu seu primeiro degrau. Em 2014, foi campeão da Série B e garantiu lugar na elite do Estadual, onde permaneceu até 2018. Diferentemente de 2009, quando o clube comemorava 60 anos de existência, mas estava fora dos campos, em 2019, ao se tornar um septuagenário, o time recomeça mais um capítulo na Série B, em busca de uma nova superação.

A temporada deste ano do Inter começou há algumas semanas e, apesar de ainda não ter vencido na competição, Patrick acredita em uma recuperação e na qualidade do time na briga pelo acesso. “Tenho convicção disso.” Mesmo estando muito distante da realidade financeira de grandes times de Santa Catarina, como Avaí, Chapecoense, Criciúma e Figueirense, Patrick acredita em uma nova recuperação.

“Como qualquer clube, de qualquer tamanho, o Inter precisa de gente e recursos para se fortalecer. É a união das pessoas que vai tornar o fortalecimento possível. Essa aglutinação de forças começou com as reuniões de formação do Conselho Consultivo, em 2018, iniciativa que culminou, por exemplo, com as parcerias acertadas neste ano com CDL e Uniplac. O clube e a cidade estão construindo pontes novamente. O fortalecimento virá dessa união.”

Para o presidente do Inter, Cristopher Nunes, o clube vive uma fase de reestruturação e um de seus maiores desafios é, justamente, ajustar a equipe ao longo da competição. “Com a indefinição de alguns acertos financeiros, foi preciso adiar o início da pré-temporada. Se existem dificuldades, existe, também, esperança. Nosso elenco é forte, ganhou reforços nos últimos dias, e o time vai crescer. Nós vamos brigar pelo acesso.”

Em uma data tão importante quanto o dia de hoje, Cristopher destaca que o Inter representa a cidade e a região, e é um símbolo de autoestima da torcida e dos lageanos. “Para mim, em particular, virou também a minha vida. Eu vivo e respiro o Inter 24 horas por dia, e não vou descansar enquanto ele não retornar à Série A. O Inter é a sexta força do futebol catarinense e, com a união das pessoas da cidade, que graças a Deus, tem ocorrido de maneira crescente, vai retornar para o seu lugar, que é a elite.”

Futebol feminino

Ao longo de 70 anos, o Inter de Lages ultrapassou gerações e viveu mudanças não apenas internas, mas acompanhou as transformações de paradigmas no esporte nacional e estrangeiro. Apesar de não manter em seu quadro uma equipe feminina, o clube foi o berço do time que tem levado o nome da cidade até para outros continentes.

Para quem não lembra, o Inter de Lages Futsal Feminino nasceu em 2013 e deu origem às Leoas da Serra. “Temos orgulho de ter plantado a semente de uma equipe vitoriosa. Mas, mais importante até que as vitórias, temos orgulho de ter ajudado a criar oportunidades no esporte para as mulheres e de contribuir para a derrubada de preconceitos que, infelizmente, ainda existem”, completa Patrick.

 

Patrick Cruz,vice-presidente do Inter de Lages fala sobre sua paixão pelo time e as perspectivas para o futuro.

Você é um apaixonado pelo time e um dos responsáveis pela ascensão do clube nos últimos anos. O que te motivou a não desistir do Inter e, lá em 2013, investir nele na tentativa de fazê-lo voltar ao cenário da elite estadual?

O Inter é um dos símbolos de identidade da nossa terra. Poucas instituições duraram tanto tempo em Lages quanto esse clube. Como não ganho nada do clube e trabalho por ele de forma voluntária, minha motivação, assim, é por puro idealismo: eu acho que Lages é uma cidade melhor com o Inter fazendo parte da vida dela. Se a cidade tivesse perdido o clube no início da década – e esse risco existiu, uma parte importante da nossa história teria deixado de existir. Felizmente, conseguimos evitar isso.

O que significa para um time chegar aos 70 anos, mesmo sem ter grandes patrocinadores ou investidores fixos e já tendo passado por grandes dificuldades financeiras?

É possível olhar para isso de duas formas: lamentar que o clube não tenha a estrutura ou a força financeira que ele precisa e merece – coisa que de fato não tem; ou reconhecer, com orgulho, que, mesmo com imensas dificuldades ao longo das décadas, o clube perseverou. Nesta segunda narrativa, que é igualmente verdadeira, o Inter de Lages é, também, um símbolo de resistência, de tenacidade, que honra a fibra dos Bois de Botas. É assim que prefiro enxergá-lo. Temos que trabalhar por coisas melhores pelo clube, sim, mas não podemos ficar lamentando ou esmorecer com eventuais dificuldades. É preciso reconhecer tudo de bom e positivo que ele representa.

Você acredita que o passado do clube é o que o mantém vivo?

O passado nos lembra sempre a importância de seguirmos nos unindo pelo fortalecimento do Inter, mas o que o mantém vivo é, no presente, o trabalho das pessoas que gostam do clube e a perspectiva de futuro. É preciso sempre relembrar: quando completou 60 anos, em 2009, o Inter de Lages sequer entrou em campo. Hoje, aos 70, está disputando competições, participou das últimas quatro edições do Brasileiro e de uma da Copa do Brasil e está planejando 2020, 2021 e os anos que estão por vir. O que mantém o Inter vivo é a esperança – e hoje ela existe.

 

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