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Fumaça vinda da Amazônia polui o céu da Serra

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Domingo (8), no Centro de Lages, nuvens misturadas com fumaça de queimada - Foto: Vinicius Prado

O céu cinza na manhã de quinta-feira (12) não era apenas indicativo de chuva, mas de que a fumaça estava no ar e escondendo o sol dos lageanos. As nuvens, misturadas à fumaça, são provenientes das queimadas de regiões a muitos quilômetros de Lages, inclusive, da Amazônia. 

Mas essa fumaça não é de hoje, na semana passada, essa condição já havia sido observada. “São nuvens altas e a fumaça que vem das queimadas, que se espalha pela região e também na Amazônia”, explica o agrônomo do site Climaterra, Ronaldo Coutinho. 

Para o meteorologista da Epagri/Ciram, em Florianópolis, Marcelo Martins, essa fumaça pode ser de queimadas na Serra Catarinense ou de regiões próximas, como também do sudoeste da Amazônia e de países como Paraguai e Bolívia, por exemplo. “Esse fenômeno já estava acontecendo em boa parte do Oeste e do Meio Oeste de Santa Catarina, onde o tempo estava mais seco.” 

Os estudiosos do clima são unanimes em relacionar a fumaça com as queimadas, inclusive, da região Amazônica. “Está vindo de muitos pontos. Nessa época é a estação de seca naquela região, e é muito comum ter queimadas”, comenta o meteorologista Piter Scheuer. 

Chuva deve diminuir fumaça

Com a passagem de uma frente fria pelo Estado, provocando chuva fraca, essa condição deve se amenizar. O meteorologista Marcelo Martins explica que com a chuva aumenta a umidade e a fuligem em suspensão na atmosfera tem tendência de baixar. Os focos de queimada também tendem a diminuir. 

A interferência da Amazônia

O que traz a fumaça da Amazônia para a região são os ventos fortes em altitude. O agrônomo Ronaldo Coutinho explica que a unidade da Amazônia vem por meio de um canal e, assim como transporta umidade, desloca também a ‘sujeira’. “Isso mostra a importância da Floresta Amazônica para o Sul do Brasil. Com a destruição gradativa de lá, a longo prazo, pode interferir no regime de chuva no Sul. O planeta inteiro está interligado. Uma coisa que acontece num canto da Ásia, por exemplo, pode interferir aqui”, esclarece.  

As queimadas na região da Floresta Amazônica foram o centro das discussões no mês de agosto em todo o Planeta. No Brasil, na comparação com o ano passado, aumentaram em 45% os focos de queimadas. Os dados foram atualizados em 11 de setembro e divulgados na quinta-feira (12) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). 

A prática de queimada de campo é comum na Serra Catarinense e também em outras partes do país. No período de 1º de janeiro até 21 de agosto de 2019, ocorreram, em Santa Catarina, 2.023 incêndios em vegetação. Destes, 137 aconteceram na região atendida pelos Bombeiros de Lages. Comparando-se apenas o período de 1º de janeiro a 12 de agosto, as ocorrências cresceram 11,9%. Foram 1.479 em 2018 e 1.655 neste ano, no mesmo período. 

“Todos os anos têm queimadas, só que neste ano foi mais prolongada, estamos sobre a influência da neutralidade e isso favorece que tenhamos episódios de seca. Com incêndios propositais ou não, tudo é colocado na conta”, afirma o meteorologista Piter Scheuer.

 

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