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Estiagem: “situação é grave”, alerta prefeito Antonio Ceron

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Equipe abastece com água potável residência do interior de Lages Foto: Robinson Spuldaro / Divulgação /Divulgação

Lages decretou situação de emergência por causa da estiagem prolongada. A falta de chuva já está comprometendo o abastecimento de água em várias comunidades do interior do município, além de causar enormes danos na agricultura.

O prefeito Antonio Ceron classificou a situação como grave. Na sexta-feira (8), ele assinou um decreto prevendo multa para quem desperdiçar água.

Ceron disse que a situação na área rural do município é dramática. Para amenizar os problemas, a prefeitura desencadeou uma ação emergencial para a distribuição de água potável para famílias do interior. A ação teve início na última quinta-feira (7), e mais de 35 localidades do interior já foram atendidas. 

O abastecimento está sendo feito por caminhões-pipa. Três equipes estão atuando nas comunidades. A operação conta com o apoio do 1º Batalhão Ferroviário de Lages.

Já foram atendidas propriedades nas localidades de Cabo de Lança, Boqueirão, Santa Terezinha do Boqueirão, Macacos, Rancho de Tábuas e Rio do Val (próximo a Macacos).

“A situação é grave”, alertou Ceron. Ele destacou que, além do decreto de emergência, que possibilita que os agricultores que sofreram perdas nas lavouras possam renegociar dívidas, outras medidas estão sendo estudadas para enfrentar a escassez de chuva. Dentre outras medidas para enfrentar a seca, bebedouros para animais estão sendo abertos por máquinas da prefeitura.

Residente na Localidade de Cajuru, Sônia Figueiredo, de 53 anos, disse que nunca tinha visto uma seca igual a esta. Ela relatou que das duas fontes de água da propriedade, só uma ainda não secou.

“Não secou, mas corre apenas um filete de água que chega até um reservatório. Já faz dois meses que a outra fonte secou e, neste tempo, o filete de água da segunda fonte ainda não encheu a caixa de água”, contou Sônia.

A estiagem é considerada a mais severa da história em Santa Catarina. A chuva acumulada no Estado ficou em torno de 500 milímetros inferior ao registrado na média história. Situações semelhantes aconteceram apenas em 1978 e 2006. 

Município vai multar quem desperdiçar água

Na sexta-feira (8), Ceron assinou um decreto estabelecendo multa para quem desperdiçar água no município. O decreto irá perdurar até que a normalidade seja restabelecida.

O documento proíbe a utilização de água fornecida pela Secretaria Municipal de Águas e Saneamento (Semasa) para abastecimento e substituição de água de piscinas; utilização de lava a jato de uso doméstico, e lavagem de veículos em geral, fachadas, calçadas, pisos, ruas, muros, vidraças, telhados e similares, bem como a rega abusiva de plantas, jardins, canteiros e afins, no âmbito do município de Lages. 

São exceções os casos em que o uso da água seja indispensável para a segurança pública ou para a saúde, especialmente nas ações de combate ao novo coronavírus e as situações de atividades comerciais, como lavação de veículo, em que se utilize hidrojato/lava a jato, desde que esta seja a única fonte de renda do empreendedor.

As denúncias de desperdício de água devem ser dirigidas à Fiscalização de Serviços Públicos por telefone: 3019-7472 ou 3019-7468, ou junto à Semasa, também por telefone: 115 ou 3221-3900, ou diretamente nos respectivos órgãos. O desperdício será verificado pelos fiscais de serviços públicos municipais e/ou pela Semasa.

Ao decreto prevê multa no valor entre meia e cinco Unidades Fiscais do Município de Lages (UFMLs), de forma justificada pelo agente fiscalizador, conforme o grau de desperdício. Cada UFML vale R$ 354,00 no exercício 2020. 

Em caso de reincidência verificada pela fiscalização municipal, o valor da multa será cobrado em dobro. Ainda assim, ocorrendo ainda desperdício de água após a aplicação da multa em dobro, o fornecimento de água será suspenso. A eventual recusa no recebimento de notificação preliminar poderá incorrer na suspensão do fornecimento de água.

Agricultura estima prejuízo de R$ 80 milhões

O secretário de Agricultura de Lages, Osvaldo Uncini, disse que, além de problemas de abastecimento de água, a falta de chuva também está afetando fortemente a produção agrícola.

Ele ressaltou que um levantamento aponta uma redução média de 40% da safra de milho, soja e feijão, totalizando uma perda de cerca de R$ 80 milhões.

Ele reforçou que a região vive uma situação difícil. Do ponto de vista de falta de água potável nas comunidades, ele disse que nunca tinha visto uma situação parecida”. “Nunca tinha acontecido isso”, comentou.

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