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Estiagem reduz a quantidade de água nas nascentes

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Beto diz que a nascente que a abastece sua propriedade está com o volume de água reduzido - Foto: Adecir Morais

Apesar das chuvas dos últimos dias, a estiagem prolongada está preocupando os moradores da Serra Catarinense. Não chove o suficiente há cerca de três meses, e o risco de desabastecimento está deixando os moradores preocupados.

Em algumas propriedades rurais da região, a falta de chuva provocou a redução da quantidade de água das nascentes, além disso, a estiagem também está causando danos à agricultura. As lavouras de milho são as que mais estão sofrendo os efeitos da falta de água.

“As baixas precipitações entre dezembro e janeiro, aliadas às elevadas temperaturas, demonstram que ocorreram condições climáticas severas, principalmente nos últimos 60 dias, ocasionando danos importantes às diversas atividades agropecuárias, cujas perdas podem ser ainda maiores, caso persistir a irregularidade das chuvas até a colheita”, resume o engenheiro agrônomo da Epagri de Lages, Aziz Abou Hatem.

Morador da localidade de Dimas Bairros, em Santa Terezinha do Boqueirão, na área rural de Lages, Pedro Gobetti, 58 anos, o Beto, explica que o volume de água da nascente que abastece a propriedade dele reduziu consideravelmente.

A água é utilizada para o consumo residencial e para matar a sede de animais. “Moro aqui há mais de 20 anos e nunca tinha visto algo parecido. Não estou sofrendo com a falta de água, mas a estiagem reduzir bastante o nível da nascente de minha propriedade. Para a situação voltar ao normal, tem de chover de maneira seguida uns dois dias”, comenta.

Na comunidade onde Beto vive existem cerca de 50 residências, e vários moradores do local estão sentindo os efeitos da falta de chuva. De acordo com Beto, os moradores estão cobrando do poder público a abertura de um poço artesiano para amenizar a falta de água na comunidade em período de estiagem. “A gente está se organizando para conseguir a abertura de um poço artesiano que será muito importante para a comunidade”, acrescenta.

Dados da Epagri de Lages mostram que a estiagem já atinge vários municípios de região, afetando lavouras e até o abastecimento de água. Em Anita, algumas propriedades e comunidades rurais estão com dificuldade de abastecimento de água potável.

Otacílio Costa também está sofrendo pelo mesmo motivo. Lá, as localidades de Vila Aparecida e Fundo do Campo estão tendo dificuldades de abastecimento para o uso doméstico e fornecimento aos animais.

Em propriedades de Urupema, Lages, Correia Pinto, Capão Alto também há registros de problemas relacionados à estiagem.

Em São José do Cerrito, há risco de perdas crescentes se persistir a estiagem. Nos próximos dias, o município poderá decretar situação de emergência. “A precipitação de 68,4 milímetros de chuva registrada em dezembro é historicamente a menor já registrada para este mês nesta região entre Campo Belo do Sul e São José do Cerrito, afirma Aziz.

Danos na agricultura

A falta de chuva também está afetando a agricultura da região, sendo as lavouras de milho os principais alvos. Campo Belo do Sul, Anita Garibaldi e Cerro Negro já decretaram estado de emergência por causa dos prejuízos. De acordo com Aziz, produtores rurais destes municípios já podem acessar os benefícios do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), por causa dos danos da estiagem na agricultura.

“O agricultor que considera ter perdas superiores a 30%, precisa dirigir-se ao agente financeiro e fazer a comunicação de ocorrência de perdas (COP), aguardar a vistoria do perito indicado pelo banco e não colher nenhuma parte da lavoura antes da vistoria do perito e da sua liberação para colher e comercializar a safra. A Epagri possui escritórios em todos os municípios e prestam essa assistência e informação a todos os produtores rurais da região que procuram assistência técnica ou participam das reuniões anuais de Plano-safra”, orienta Aziz.

As lavouras de milho são as que mais estão sofrendo os efeitos da estiagem – Foto: Epagri/Ciram

Perdas já ultrapassam 30% nas roças de milho

As perdas médias nas roças de milho da região já alcançam 34,85%. O engenheiro agrônomo da unidade da Copercampos de Campo Belo do Sul, Tomás de Almeida Bruse esclarece que nesta época do ano é crucial para as lavouras de milho, que precisam de água para se desenvolver.

A falta de chuva interfere na formação da espiga, influenciando diretamente no volume de produção. Lavouras de soja, feijão, fumo, batata, tomate e produção de leite também são afetadas. Em São José do Cerrito as lavouras de feijão preveem perda inicial de 15% na próxima safra. Porém, em algumas comunidades, a perda já ultrapassa 40%.

Estimativa de perdas (%) 

  • Milho: 34,85%
  • Milho silagem: 18,27%
  • Soja: 18,75%
  • Feijão: 18,75%
  • Fumo: 14,70%
  • Batata: 9,90%
  • Tomate: 4,53%
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