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Entrevista com o vereador Thiago Oliveira (MDB)

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Foto: Marcela Ramos

Colaborou Suzane Faita

Um projeto bastante polêmico e que a população comentou muito foi o aumento de salário dos vereadores. O senhor foi um dos que, inclusive, aprovou esse projeto. O salário dos vereadores que era de R$ 8.347,00 passou para R$ 8.812,62, um reajuste de 333,88 reais retroativo do mês de janeiro. Por que o senhor aprovou? O senhor concorda com esse aumento, diante de todo o cenário econômico que a gente vive? 

Primeira coisa que a gente tem de falar, em relação a esse assunto, é que não foi um aumento e, sim, um reajuste previsto na Constituição [Federal], que não é feito somente para os vereadores, mas para todas as classes. Como também somos trabalhadores, estamos incluídos pela Constituição Federal no reajuste. O reajuste é o aquilo que perde o salário de qualquer servidor, perde por causa da inflação, e é reposto através de reajuste, por meio do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que se não me engano foi de 13,12%, assim como o salário de todos os servidores do município, de todas as pessoas que trabalham, inclusive na iniciativa privada, tiveram reajuste, nada mais justo de que os vereadores também tenham. A data base é no mês de janeiro, deveria ter sido aprovada esta lei, para o reajuste, já no mês de janeiro, mas como se prolongou e foi aprovada só no mês de junho, se não me engano, por isso foi retroativa ao mês de janeiro. Acho que o reajuste é correto, jamais votaria a favor de um projeto de aumento de salário, se fosse um ganho verdadeiro de salário. Não acho que o momento é de aumento salarial, mas como é reposição salarial, prevista em lei… Eu, como legislador, se for contra as leis impostas no nosso país, não devo ser vereador. Por isso, votei a favor do projeto. 

O senhor entende que a função de vereador pode ser exercida paralelamente a outras funções, não é um trabalho exclusivo, inclusive tem vereadores, aqui na nossa Câmara, que desempenham outras funções, até como servidor público. O senhor achava necessário, por mais que seja um reajuste e não um aumento como o senhor está dizendo, num cenário econômico em que o trabalhador está sendo penalizado de todas as formas? O vereador que tem a possibilidade  de trabalhar menos tempo, não tem que cumprir as oito horas diárias, pode desempenhar outra função, não seria o caso de botar a mão na consciência e abrir mão disso? 

É aquilo que falei, é uma questão de lei, se eu for contra as leis não posso ser vereador. Não sou eu que estou falando, é lei, está na Constituição Federal, que é a nossa lei maior. A questão de ganhar mais ou ganhar menos, se o vereador não deve ser valorizado, como todos os funcionários devem ser, de repente a gente tem de extinguir, repensar a reforma política. Por que só o vereador não pode ter o reajuste? Por que essa discriminação com os vereadores? Nós temos um grande problema no cenário nacional que é a criminalização dos políticos, entendo que o momento é ruim, com certeza, mas porque tenho de brigar por todos os funcionários da prefeitura por reajuste, brigas com sindicatos atrás de reajustes e na hora de falar do meu rejunte ser contra, simplesmente por uma crítica? Temos de parar com isso, de menosprezar a classe política, e sim valorizar os bons políticos, o mau político tem, sim, de ser penalizado. Estou como político há seis anos e meio, no meu segundo mandato, e digo, pode procurar, sempre fui uma pessoa muito correta e honesta, dentro dos meus princípios. Não acho que está errado fazer parte do reajuste que é devido legalmente. 

O senhor concorreu na eleição a deputado estadual, infelizmente não se elegeu e não pode estar lá representando a região. Ano que vem temos eleições municipais, o senhor pensa em se candidatar a prefeito, ou vai concorrer a reeleição de vereador? Qual o seu plano futuro politicamente?

Na política, a gente traça algumas metas, alguns ideais e, às vezes, por alguns motivos no caminho, acaba não conseguindo concretizar. Mas não tenho intenção de ir a reeleição para vereador; eu entendo, esse é um posicionamento meu, que o vereador tem de ter no máximo dois mandatos, até porque tem de abrir espaço para novas pessoas, para outras ideias, estou tentando dar o meu melhor, minha contribuição nesses oito anos. E se conseguir participar da majoritária, de repente ser candidato a prefeito, ou a vice, tenho essa vontade. Mas a reeleição de vereador não vou mais participar. 

Isso com o MDB?

Hoje sou MDB, mas provavelmente devo buscar outros caminhos para a eleição de 2020.

Já tem alguma indicação?

A gente tem conversa com bastante partidos, mas ainda nada certo e concreto. 

O senhor pensa em sair do MDB pela falta de espaço, qual o motivo dessa decisão?

São vários motivos, alguns pessoais, com relação a gestão do partido local. Foi muito útil o MDB nacional e estadual, mas, infelizmente, os nossos ideais e conversas não estão mais fechando. Por uma questão de respeito pela sigla, prefiro me retirar e buscar meu projeto em outro lugar. 

Como o senhor avalia a sua situação na Câmara de Vereadores de Lages?

Não somente a minha atuação, mas a de todos os vereadores, a gente é muito limitado, essa é a realidade. A gente é muito dependente do Executivo, mas tudo que cabe ao vereador, a questão de legislar, de fazer projetos e de cobrar… tenho bastante projetos apresentados. E a gente está tentando fazer o nosso melhor, muitas vezes a gente aprova o projeto, e acaba não sendo executado, a gente não consegue ver eles [projetos] sendo praticados como deveriam ser. Mas a minha avaliação, nos meus dois mandatos, estou contente com os meus projetos.  

O que acontece muito, é que durante a campanha, o vereador vai no bairro, nas comunidades e promete algumas coisas que não são funções do vereador, mas do Executivo, depois ele é cobrado por isso.

Vereador não asfalta, não concreta, não faz obras; estamos lá, assim como o povo, para pedir e cobrar aquilo que a gente entende que é de necessidade de cada comunidade. Durante a minha campanha, não tive essa postura de promessas, mas sim de cobrar, dizer que se a comunidade precisa de necessidades básicas, como esgoto e asfalto, que com certeza estaria junto ao Executivo, cobrando para que seja executado. 

Quais os seus projetos mais importantes? 

Tenho bastante projetos apresentados. Dos meus últimos [a entrevista foi concedida em 30 de julho], fiz um projeto de lei que terá de vir do Executivo, onde a gente vai fazer um convênio do município com o Estado de Santa Catarina, por meio da Secretaria de Justiça e Cidadania, para ver se a gente consegue colocar os detentos, os apenados do regime semiaberto, para que façam a limpeza da nossa cidade, trabalhando dentro da Secretaria do Meio Ambiente, auxiliando naquilo que for interessante e o convênio permitir. Acho que é muito importante, dar trabalho aos apenados, ajudar eles e, também, a gente consegue ajudar o nosso município. [O vereador confirmou, na sexta-feira (20) que o projeto está encaminhado, deverá ser executado a partir do mês de outubro] 

O senhor é do MDB faz parte da bancada de oposição, mas a exemplo de outros vereadores, da bancada de oposição, não tem atuado tão fortemente nessa oposição, como o senhor vê isso? 

Essa é uma questão de postura, nem sempre aquele que grita muito lá é o que faz a oposição. A oposição tem de ser inteligente e não pode ser ferrenha e, de certa maneira, burra. Temos de cobrar o prefeito. Eu prefiro muito mais me dirigir a sala do prefeito e cobrar ele no ato, do que ficar ‘dando grito’ no plenário, simplesmente por uma questão política. Sempre atuei de maneira discreta, mas com certeza, às vezes, consigo muito mais do que aqueles que gritam muito. 

No ano passado, quando tivemos as eleições presidenciais, foi uma mudança muito grande no cenário político brasileiro. Como o senhor vê o cenário político, atualmente?

A política mudou, o cenário político mudou completamente a partir das eleições de 2016, em 2018 foi quando, de fato, teve um rompimento de todos os moldes políticos. Acho que foi positivo, as pessoas estão muito mais atentas aos seus políticos, aos seus representantes, e cobrando muito mais. Dessa forma, só quem ganha é a população, faz com que a gente (políticos) trabalhe mais. A questão da transparência dos atos dos políticos, hoje, é muito maior, com o Ministério Público atuando mais. O político se cobra mais, para trabalhar melhor, de maneira correta e a população tem um retorno e os investimentos necessários. A gente sabe que está muito aquém da realidade, daquilo que de fato necessitamos, mas está melhorando bastante e creio que daqui para frente a tendência é melhorar cada vez mais. E com o novo modelo político estamos trazendo pessoas que jamais imaginariam entrar para a política e hoje estão engajadas, grandes empresários e pessoas, que antes só cuidavam do seu negócio, agora estão preocupadas com o bem comum, esse é um ganho girante para a população.  

O senhor tem se preparado para essas mudanças, para continuar na política?

Sim, tenho me preparado e é exatamente por isso que estou buscando outros ares, outro partido, porque estou preocupado com o novo momento. Com relação ao meu perfil, acho que posso continuar na política, faço parte desse novo modelo de político e quero continuar, se for possível.  

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