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Entrevista com o vereador Bruno Hartmann

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Foto: Marcela Ramos

Colaborou Suzane Faita

O senhor foi eleito com o discurso de auxílio aos animais de rua, mas o animais continuam na rua. Como o senhor analisa essa situação, que não foi a que o senhor prometeu e planejou na campanha?

Você pode só repetir o que prometi, não lembro.

Cuidar e diminuir o número de animais de rua, como senhor já vinha fazendo…

Primeiro a gente precisa ter discernimento, não prometi tirar os cães da rua, se alguém tem alguma prova que eu tenha falado ou escrito, pelo menos, daí me desmente, porque não prometi tirar os animais da rua, até porque isso é impossível. Qualquer pessoa normal sabe que é impossível tirar os cães da rua, não é nem em uma, nem em 10 legislaturas que se consegue isso. O que me propus a fazer, consegui. Fui o único vereador, na história de Lages, que trouxe R$ 100 mil direcionados para a castração dos animais errantes. Fui o único vereador, na história de Lages, que trouxe um veículo adaptado para leva e traz de animais para o Centro de Zoonoses, direcionado a recolher esses animais de rua, castrar, vacinar e vermifugar, e posteriormente, como não tem como abrigar todos, devolver para as ruas. Fui o único vereador, na história de Lages, que conseguiu alterar a Lei de Maus Tratos aos animais, sobre o que abrange maus tratos. Porque antes, a Lei 313, preconizava que um cachorro na casa com uma corrente de 30 centímetros, com água suja e comida azeda, não caracterizava maus tratos. A gente mudou, [para] tratar os animais como merecem. O que me propus a fazer estou fazendo, como legislador. Agora, não tenho como levar todos os cães de rua para a minha casa. Enquanto não tiver políticas públicas de castração em massa e multa para quem maltrata ou abandona. Infelizmente, grande parte da população só deixa de cometer ‘certos delitos’ quando mexe no bolso. Minha parte como legislador eu fiz. Graças a Deus estou conseguindo representar bem e fazer tudo o que propus e, todas as promessas estou cumprindo, graças ao bom Deus e aos esforços meu e da minha equipe. Não adianta, você recolhe uma cadela hoje da rua, castra e vacina, [neste tempo] duas já criaram [na rua] 10 [filhotes] cada uma. Enquanto não parar esses abandono e mudar a consciência, não vai mudar muito, vamos continuar ‘enxugando gelo’. E eu também ministro palestras, gratuitas, sobre maus tratos, abandono e posse irresponsável de animais. Quem quiser uma palestra minha pode entrar em contato, será um prazer. Se a gente conseguir conscientizar uma pessoa, já vai ter valido a pena. Quando for este tema é totalmente gratuito. 

Por que o senhor acha que recebe tantas cobranças da população, em relação aos animais de rua?

Muita gente não tem o discernimento do que é o legislativo e o executivo. Eu legislo e fiscalizo as ações do executivo e produzo leis, mas não consigo executar ações. Não tenho autonomia para ordenar, por exemplo, que a Gerência de Proteção Animal multe, efetivamente, as pessoas, ou que o Centro de Zoonozes recolha, castre e vacine. Meios para fazerem eu dei, agora, quem determina a ação deles não sou eu, infelizmente. 

Um exemplo prático é a Lei dos fogos de artifício, que infelizmente não tem como fiscalizar…

Não tem como fiscalizar, mas serve para conscientizar. Inclusive virou referência nacional, a gente levou Lages para os jornais da Record e da Globo, como a primeira cidade do Estado a proibir a soltura dos fogos de artifício. Sempre falo, mesmo que não tenha uma fiscalização efetiva, porque é difícil flagrar uma pessoa soltando fogos. Mas valeu para conscientizar. Tem pessoas que continuam soltando, mas diminuiu muitos os fogos de artifício, que prejudicam mais as pessoas que os animais.  Idosos, crianças, pessoas com autismo, pessoas em asilos e hospitais. Não tem benefício nenhum soltar fogos, só malefícios. Quando fui defender a Lei no Plenário [da Câmara] falei que, se algum dos nobres colegas, apontasse um benefício da soltura dos fogos, arquivaria e nem iria à votação. Agora, se me pedirem 20 malefícios, consigo citar um atrás do outro, e naturalmente, ninguém falou nada e a Lei foi aprovada por unanimidade, virou referência nacional, Graças a Deus.   

Quando a Lei foi sancionada, o prefeito Antonio Ceron, comentou com o Correio Lageano que não haveria como fiscalizar. O senhor, que estudou para fazer a Lei, acredita que há uma forma de fiscalizar?

Fiscalizar tem, mas é muito difícil pegar no flagra. Até porque, se vejo você soltando fogo, até pegar meu celular e filmar você já jogou fora o cano. É difícil a fiscalização, mas dá para fazer, se em outras cidades deu certo, por que em Lages não dá?

Pessoas do seu partido, o PSDB, estão no governo municipal, e o senhor por vezes faz críticas ao trabalho do executivo. O senhor já foi criticado por isso, pelo executivo, ou por algum colega de situação?

Não, eu da base do governo nunca fui. Sempre fui oposição na sigla, mas nunca votei contra porque era oposição ou a favor porque era situação, voto de acordo com os meus princípios e deitando com minha consciência tranquila e votando sempre com o que acho que é melhor para a população e representando as pessoas que votaram em mim. Acho que não deveria existir as palavras oposição e situação, deveria um trabalho em prol único.   

Em 2018 o senhor foi candidato a deputado estadual fez um total de 5.841 votos, esse número de votos, deixou o senhor frustrado, ou tomou como uma lição para as próximas eleições?

Na verdade ‘a gente’ saiu candidato aos 45 minutos do segundo tempo, fiz uma campanha baseada em Facebook. A verba que tinha para minha campanha era de R$ 20 mil, enquanto os outros candidatos tinham R$ 250 mil a R$ 300 mil. Fui muito bem votado, com as armas que tinha para a Guerra [Eleição], quase seis mil votos em um ano e meio de vida pública, sem dinheiro e com campanha no Facebook. Não tem como não citar o fenômeno do Lucas Neves que fez 26 mil votos, mas ele tem 10 anos de televisão no Estado inteiro, ele entra na casa da gente. Se eu não fosse candidato e da vida pública, teria votado nele também. Acredito que não decepcionei, pelo menos não me senti decepcionado, peço desculpa se decepcionei algum eleitor ou alguma pessoa. 

O senhor, em 2020, pretende ser candidato a vereador novamente, ou vai tentar algo maior, como ser candidato a prefeito ou vice-prefeito? 

No momento não tenho pretenção de fazer parte do Executivo, nem como prefeito, nem como vice-prefeito, tenho muita vontade de ser deputado. Na eleição do ano que vem, a gente coloca na balança uma série de situações, mas sou candidato a reeleição. Mas meu sonho é ser deputado. A hora que eu for deputado, minha missão estará cumprida. 

Temos aqui uma pergunta que veio de um leitor. Ele diz que senhor tem criticado, com frequência, a Gerência de Proteção Animal, sendo que o seu partido está no governo, não seria mais fácil se reunir com as pessoas e propor ações para melhorar a situação dos animais de rua?

Bem pertinente essa pergunta, para esclarecer, mas peço que essa pessoa me acompanhe um pouco mais. Sei que a vida de todo mundo é corrida, mas que vá no meu Facebook dar uma curtida, ou segue [o perfil] para acompanhar um pouco mais. Como eu falei antes, não sou da base. Mas sentar com o executivo, fiz isso no primeiro ano, incansavelmente. Quem me acompanha sabe que no primeiro ano eu não era tão crítico, porque sentava e propunha ações, queria fazer o ‘negócio’ funcionar. A gente está aqui, não para dizer que a prefeitura não faz nada ou para puxar o saco da prefeitura, mas para falar a realidade. Quando fui eleito achei, sinceramente, que seria o super herói dos cães de rua, que ia conseguir mudar a situação de todos os cães de rua, mas a gente sabe das dificuldades que têm. A partir do primeiro ano, quando eu sentava, dava as sugestões e ideias – porque que tenho conhecimento de causa, trabalhei no [Centro de] Zoonoses e em gerência de Proteção Animal, tenho uma vida inteira ligada com os animais, sou biólogo, tenho uma pós-graduação e uma especialização em manejo de animal, tenho um pouco de conhecimento – e nunca fui ouvido e aí começam as críticas. Agora tá funcionando, mudaram algumas pessoas, inclusive, se me acompanharem vão ver que tenho até elogiado ao invés de criticar, mas se não funcionar, vou criticar, naturalmente. 

Problemas com as pessoas da Proteção Animal o senhor nunca teve?

Não, independentemente de quem tiver lá, se estiver trabalhando, a gente vai elogiar e se não estiver trabalhando vamos apontar o dedo com toda a certeza.  

O senhor foi eleito com o discurso da ‘causa animal’ e defende isso no seu mandato, também, propôs políticas públicas para pessoas acometidas pelo Transtorno do Espectro Autista, além disso, o que o senhor fez mais, quais seus projetos? 

Na minha campanha falei só da causa animal, porque era a minha única bandeira, agora tenho a causa animal e as pessoas com deficiências, que foi uma bandeira, perdi o termo agora, para uma classe, não! para um grupo de pessoas que nos receberam muito bem. Sinceramente, a gente faz parte de uma família. Além de fazer essas leis, garantir o atendimento prioritário aos familiares que estiverem acompanhados de pessoas portadores de autismo, estamos com outro projeto de lei [O projeto pretendia modificar a lei 3496/2008, mas foi arquivada pela Comissão de Justiça, que entendeu que era inconstitucional] para conseguir passe de ônibus para quem estiver acompanhado de portadores de deficiência [autismo], e ‘a gente’ tem um Projeto de Lei aprovado que diz que a criança com deficiência deve ter prioridade na matrícula escolar mais perto da sua residência. Somos convidados para participar de audiências [públicas], fora de Lages, já fomos em três ou quatro, para falar dessas causas. Então, acredito que já deixei um legado, posso olhar para trás e ter minha consciência tranquila. Muitas vezes, quando você consegue fazer uma lei, que é aprovada, que você realmente consegue mudar a vida de uma pessoa, é mais gratificante para você do que para a pessoa, chego até a me arrepiar  [mostra a o braço] quando falo isso. Sinceramente, me arrependo só do que não faço, tenho minha consciência muito tranquila e estou muito satisfeito com meu trabalho.

O senhor pretende ficar no PSDB, ou mudar de partido?

Não sei, já conversei com alguns partidos, mas nada concreto, gosto PSDB. Não adianta eu falar porque é muito cedo. Não sei te responder se vou continuar ou não. 

O senhor quer falar mais alguma coisa?

Gente, sei que é difícil, muita gente me cobrou. Dois meses depois de eleito as pessoas perguntavam: ‘Bruno, você foi eleito e ainda tem cachorro na rua?’. A gente tem de entender e separar bem as coisas, acredito que fui o vereador, na história de Lages, mais atuante na causa animal, e sendo um dos mais atuantes, fazendo a diferença na vida das pessoas com deficiência, fazendo o que me propus. O que puder fazer para ajudar, tanto na causa animal, quanto às pessoas com deficiência, ou outro tipo de causa que aparecer, vou fazer. ‘A gente’ está a disposição para ajudar. Peço que acompanhem meu trabalho, e críticas construtivas sempre são bem vinda, aceitamos todas.   

 

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