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Entrevista com o secretário de Estado da Educação, Natalino Uggioni.

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Foto: Núbia Garcia

O senhor vai dar continuidade à implementação das lousas digitais nas escolas?

Nós temos um projeto de gestão da tecnologia educacional, onde não apenas a questão das lousas, mas toda a infraestrutura e necessidade de equipamentos para as nossas escolas estão contempladas. Nesse contexto, não basta só adquirir tecnologia e disponibilizá-la aos professores, precisamos trabalhar juntos com a capacitação dos professores, conhecer a realidade de cada escola para saber como é o acesso oferecido pelos prestadores de serviço. É todo um contexto, que está sendo gerenciado, para que nós façamos o melhor investimento e tenhamos professores bem qualificados, não apenas em tecnologia da informação, porque nós também precisamos de equipamentos com tecnologia de ponta para os laboratórios de física, de química, de ciências, de matemática, ou seja, para que todas as frentes educacionais tenham as melhores condições, para que os professores façam o melhor trabalho e melhor conduzam o processo de transmissão e assimilação de conteúdo.

E sobre o acesso à internet, que é precário especialmente em escolas do interior, como o governo fará?

Faz parte desse projeto que eu falei. Temos um programa que visa a ampliar a banda de acesso para todas as escolas, mas sempre com o olhar de “você quer acesso para quê?”. Esse acesso precisa ser gerenciado para a Educação, para que seja usada aquela banda larga. E isso é sempre uma via de mão dupla, nós vamos prover essas condições, não apenas de acesso, mas de tecnologia e de ambiência para o professor em sala de aula. Por outro lado, vamos cobrar e acompanhar o que os professores vão dar de retorno, não pro secretário, não pro governador, mas para o estado de Santa Catarina, para a sociedade catarinense, que é de onde vêm os recursos. Portanto, ser bem cuidados, zelados na sua implementação, para que os resultados se voltem para a sociedade, que não quer justificativas nem explicações. Ela quer respostas e soluções e é assim que nós estamos fazendo a gestão da pasta.

A respeito da instalação de aparelhos de ar-condicionado nas escolas, como fazer nos locais onde a estrutura elétrica é precária?

Primando pela boa aplicação dos recursos públicos, nós seguramos um processo licitatório, na ordem de R$ 28 milhões, para compra de ar-condicionado. Justamente porque eles seriam disponibilizados para escolas que não têm instalação elétrica [adequada]. Já visitamos escolas onde tem aparelhos de ar-condicionado na caixa, que já passou o prazo de garantia, mas não foram instalados porque não tinha rede elétrica adequada. Então primeiro precisamos prover a rede elétrica para depois fazer a aquisição dos aparelhos. Outra melhoria que estamos fazendo é que não vamos adquirir os aparelhos de uma única vez, nós vamos fazer um processo licitatório, que é uma ata de registro de preços, onde teremos um período de validade daqueles preços. As escolas que ficarem com as suas instalações preparadas, já poderemos adquirir os aparelhos e instalá-los. Esse é um processo de gestão que já está diferente e que nós esperamos que vocês comprovem isso no dia a dia, o quanto antes possível.

Tanto o governo federal quanto o estadual falam sobre a Escola Sem Partido. Como a Secretaria de Educação vai trabalhar este tema?

Vamos sempre discutir e brigar para definirmos qual é o papel da escola. O papel da escola é educar, ensinar, bem formar os cidadãos e os futuros profissionais para a sociedade, que é de onde vêm os recursos. Nesse sentido, significa desenvolver o pensamento crítico, fazer com que o aluno aprenda, assimile o que está sendo passado para a sua vida, trabalhar com ele em cada conteúdo o porquê está sendo trabalhado em sala de aula, e formar pessoas que tenham discernimento, que tenham espírito crítico, que saibam fazer as melhores escolhas para si mesmos, para a sociedade onde vivem, para o país. Este vai ser o foco de atuação da gestão da secretaria. Sobre discussões que estão bem amplas no país, como a Escola Sem Partido, nós não queremos entrar nessa seara. Vamos defender que a escola seja usada para educar, para ensinar, para que o aluno saia com pensamento crítico, jamais para doutrinar, seja para o lado A ou lado B, seja para um extremo ou para o outro. A escola precisa ser usada para educar e bem formar os cidadãos.

Recentemente a deputada estadual Ana Caroline Campagnolo (PSL) incitou alunos para que denunciassem professores que tivessem posicionamento contrário ao presidente Jair Bolsonaro (PSL). A utilização do canal de denúncias foi vetada pelo STF. Como a secretaria vê esta situação?

Tudo o que acontece na educação tem amparo legal, seja da Constituição Federal ou de leis estaduais, decretos, regulamentações. Como Secretaria de Estado precisamos nos pautar por esses dispositivos e, dentro deles, todo cidadão que se sentir no direito de apresentar uma denúncia de que está se sentindo injustiçado, tem canais para apresentar sua inquietação, sempre com direito ao contraditório. Se por um lado temos mecanismos como um smartfone, que facilitam que a pessoa aponte as suas angústias e inclusive faça denúncias anônimas, por outro ela [denúncia] precisa ser tratada, mas sempre com direito ao contraditório. E novamente não vamos entrar na discussão se a justiça vai para um lado ou vai para o outro. Vamos defender que a escola seja usada para ensinar, para bem educar e bem formar o cidadão. A escola não é depósito de crianças, escola não é um ambiente para doutrinação, seja para A ou para B, escola é um ambiente para ensinar, educar e bem formar os cidadãos para a sociedade, que é quem espera isso.

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