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Entrevista com Fabiano Schmitt, delegado regional de Lages

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Foto: Marcela Ramos

Correio Lageano: O senhor foi 24 anos policial civil, também atuou como delegado em Curitibanos, Correia Pinto, São Joaquim e agora está coordenando a região da Serra Catarinense. Como foi essa trajetória na Polícia Civil? 

Fabiano Henrique Schmitt: São 24 anos de instituição. Quando comecei, ainda registrávamos o boletim de ocorrência na máquina de escrever, e pude passar por várias fases da polícia. Hoje, a Polícia Civil está se modernizando, com um sistema digitalizado e interligado. 

Como o senhor vê a questão da segurança pública em nossa região? 

A região de Lages, comparada com as demais regiões do Estado, é relativamente tranquila. Temos índices de homicídio em níveis razoáveis. Por exemplo, a ONU considera razoável índice de oito homicídios a cada cem mil habitantes. Lages está com 8,6, um pouco acima, mas comparando com outras cidades que estão com 30, 40, Lages é razoável. Temos que melhorar e fortalecer a equipe de investigação para que a gente possa dar uma resposta adequada à população. 

Qual é o maior problema de segurança aqui na região? 

Um problema que não é apenas em nossa região, é que depois que os entorpecentes, através do crack especificamente, se dissuadiu na sociedade como consequência a violência e a criminalidade. Se analisarmos, no ano de 2000, a partir do momento que a droga dissuadiu na sociedade, tivemos esse boom de criminalidade, pois o tráfico de entorpecentes começou a ficar atrelado aos municípios e fortalecer as organizações criminosas. A ideia é combater e investigar isso. A sociedade precisa abraçar essa causa, não só intelectual, mas também o caráter, a educação, aquela que vem de dentro de casa. O grande problema da humanidade é a falta de paternidade. 

Quais são os seus projetos para a regional? 

Para a nossa região é fortalecer a investigação policial nas delegacias. Já estamos encaminhando policiais que têm o perfil para as delegacias diárias, para fortalecer as equipes de investigações. A Polícia Civil trabalha com a informação e precisamos de policiais que busquem essas informações. Buscando informações e produzindo inteligência.

O senhor pretende implantar um canil aqui Lages? 

Já está em andamento e, até o final do ano, pretendemos implantar esse projeto que vai agregar valor para as investigações. Nas buscas de apreensão, o cachorro ele é um gênio imprescindível. O projeto do canil não é apenas para procurar entorpecentes mas também para pessoas desaparecidas.  

Nossa região possui um número relevantes de feminicídios, o que o senhor tem a dizer sobre isso? 

É um problema cultural, nossa região é uma região que o machismo se aflora. Isso se combate não apenas através da polícia, mas sim da educação que vem de casa, que os pais ensinam, a escola ensina. Nós temos um projeto institucional que se chama “Polícia Civil por Elas”. O filho que é agressor hoje, ele viu o pai agredir, o avô agredir, e esse ciclo não se quebra, e esse projeto tem esse objetivo, proteger a mulher, mas também trabalhar o psicológico do homem. É uma ação conjunta, a sociedade precisa abraçar esse projeto, pois como é um problema cultural, leva tempo para mudar. 

Colaborou: Marcela Ramos

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