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Doenças respiratórias aumentam no inverno

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José teve que levar a filha para atendimento médico após a criança apresentar dor de ouvido - Foto: Adecir Morais

O inverno é a estação de tirar os casacos, cachecóis, luvas, gorros e lenços do guarda-roupas para se proteger do frio. Além disso, e temporada requer cuidados especiais com saúde por causa das baixas temperaturas. É nesta época do ano que a incidência de doenças respiratórios, como gripes, rinite, resfriados e alergias aumenta de maneira considerável, o que acaba impactando os serviços de saúde. Em Lages, a demanda por atendimentos nas unidades de saúde aumenta com o frio.

Morador no Bairro Popular, em Lages, o  autônomo José Matheus, de 27 anos, teve de levar a filha ao setor de urgência e emergência do Hospital Infantil, na última quinta-feira. Laura Anilza Lotim Abel, de 6 anos, apresentou otite (dor de ouvido) e precisou de atendimento médico. “Ela já tem esse problema, mas de quatro dias para cá, a situação piorou. Ela sente muita dor no ouvido e já teve febre. Acho que o problema é por causa do frio”, disse José.

De acordo com balanço, os atendimentos na unidade aumentam nesta época do ano. Para um comparativo, em outras estações do ano, a unidade atende, em média, 5.750 crianças a adolescentes por mês, já no inverno, a média mensal é de 6.500 atendimentos, um aumento de 36%. Só para se ter uma ideia, na semana passada, quando o frio intenso atingiu a região, teve noites que o número de atendimentos chegou a 180 crianças em 12 horas.

Conforme o diretor técnico da unidade, o médico Pablo Rodrigo Knihs, os problemas mais comuns nas crianças no inverno estão relacionados às doenças das vias aéreas superiores, como faringite, amigdalites, bronquiolite e pneumonia. Em alguns casos, estes problemas acabam repercutindo no trato gastrointestinal e causam diarreias, por exemplo. Casos de meningite, com uma gravidade maior, também podem acontecer.

Mas não são apenas as crianças que sofrem com as baixas temperaturas. Os adultos também sentem as consequências do frio. No Pronto Atendimento Tito Bianchini, onde são atendidas, em média, 400 pessoas por dia, a quantidade de pessoas durante o inverno também aumenta. De acordo com a gerente da unidade, Beatriz Montemezzo, o volume de atendimentos neste época do ano cresce cerca de 15%.

Ela explica que quem sofre de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (Dpoc) está mais suscetível a problemas motivados pela queda das temperaturas. Bronquite e asma, por exemplo, fazem parte dos problemas mais comuns nesta época do ano. Idosos, hipertensos e diabéticos estão mais susceptíveis a problemas motivados pelo frio.

Ambientes fechados devem ser evitados

O médico pneumologista Cássio Rafael de Melo explica que o aumento dos problemas respiratórios no inverno acontece porque, com a queda da temperatura, as pessoas tendem a ficar aglomeradas em ambientes fechados para se protegerem do frio, o que aumenta a chance de transmissão de vírus e bactérias, que podem causar doenças. Por este motivo, ele recomenda que as pessoas procurem manter a circulação de ar em todos os ambientes.

Além disso, ele detalha que os portadores de doenças respiratórias crônicas como asma, alergias e bronquite crônica, por exemplo, devem receber atenção especial durante o inverno. Isso porque o frio pode piorar os sintomas destas doenças, levando o paciente a apresentar chiado no peito, falta de ar ou tosse, por exemplo.

Prevenção é fundamental

Cássio lista algumas dicas para prevenir doenças na temporada de inverno. A primeira é manter os ambientes, principalmente os de grande circulação de pessoas, arejados. Além disso, é aconselhável lavar as mãos com frequência, principalmente após tossir e espirrar e usar lenços descartáveis e não de tecidos. 

Também é aconselhável não compartilhar objetos pessoais como talheres, copos e garrafas; beber bastante líquido e ter uma boa alimentação; cobrir boca e nariz sempre que espirrar ou tossir; não tocar na região dos olhos, nariz e boca sem que a mão esteja limpa e evitar contato com pessoas doentes.

 

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