Compreender os objetivos e o processo de desenvolvimento planejado para o turismo para os próximos anos, e ter acesso a linhas de financiamento de fontes oficiais e recursos disponibilizados pelo Ministério do Turismo.
Notícias de Lages no seu WhatsApp
Fique por dentro de tudo o que acontece na cidade e região
Esses são alguns dos objetivos do diagnóstico do Plano de Desenvolvimento Integrado do Turismo Sustentável de Lages, que recebeu emenda da deputada federal Carmen Zanotto para ser desenvolvido e que foi apresentado no Centro Cultural do Sesc, quarta-feira (2), em evento promovido pela prefeitura e pela Amures.
O plano foi apresentado pelo empresário Carlos Cappelini, da Girus Soluções em Turismo, que está fazendo um diagnóstico em relação ao turismo dos municípios da região. Depois da apresentação, o ex-ministro da Previdência e ex-senador, Waldeck Ornélas deu uma palestra sobre oportunidades de captação de recursos internacionais.
Cappelini defende que para o plano ter resultado é preciso a participação de todos os envolvidos na execução do que está definido. “Quando o plano for finalizado, será enviado para a Câmara de Vereadores e transformado em uma política municipal, se tornando uma lei que orienta o Executivo e o Conselho de Turismo. Passamos a metodologia para todos entenderem seu papel no desenvolvimento turístico”.
As estratégias para alcançar o plano ainda não estão definidas, o empresário explica que essa é a segunda fase e muda de acordo com a análise do diagnóstico. “Cada região tem determinados valores e precisam de caminhos diferentes para atingir seus objetivos”.
Um dos pontos elencados no plano é a falta de monetização dos atrativos identificados. Foram encontrados durante o diagnóstico, 31 atrativos, sendo seis naturais e 20 culturais, onde não há cobrança para visitação. “Precisamos criar uma cultura de captar os recursos deixados pelos turistas para a manutenção dos equipamentos, melhoria dos serviços e criação de novos atrativos”.
Para o executivo de Turismo de Lages, Luís Carlos Pinheiro Filho, é preciso aliar o trabalho municipal com o das outras cidades, para que se alcance mais sucesso, que não é visto por ele como ser alcançado, se as ações são feitas de forma isolada.
Números levantados
A pesquisa da empresa Girus levantou que Lages possui 73 estabelecimentos de alimentos e bebidas, entre restaurantes, lanchonetes, bares e gastrobares. “Estes pontos geram cerca de 627 postos de trabalho durante a alta temporada (1,3% da população), número ainda muito baixo comparado a outras cidades de mesmo porte”, destaca. A rede hoteleira possui 29 meios de hospedagem na cidade. A ocupação gira em torno de 70% na alta temporada e 40% na baixa.
Um dos pontos negativos levantados na pesquisa é que, dentre as 15 agências que trabalham com turismo em Lages, apenas duas atuam no turismo receptivo, ou seja, fomentam o turismo municipal. Todas as outras vendem pacotes para que os lageanos viajem para fora.
Entrevista
O ex-ministro da Previdência e ex-senador, Waldeck Ornélas, fala nesta entrevista, sobre a reforma da previdência.
A reforma da previdência é necessária?
Eu tive oportunidade de concluir há 20 anos, a primeira reforma da previdência. Criamos o fator previdenciário que equilibrou as contas do regime geral até agora. Quando ingressamos nessa terrível crise econômica há cinco anos, a reforma passou a ser a peça chave para se permitir repensar a situação fiscal e econômica do país. Mas, ela é apenas o ponto de partida da mudança.
Além da reforma, o que é preciso fazer para sair da crise?
A sensação é que o país ainda não se deu conta que estamos em uma crise muito grave e profunda e que é preciso sair disso. Hoje a União não tem mais dinheiro para investir, cessaram as transferências voluntárias, restaram só as emendas parlamentares que se tornaram obrigatórias, mas elas são poucas. O país precisa recuperar sua capacidade de investir. Os municípios precisam desenvolver sua vocação econômica, isso que vai gerar oportunidades de trabalho e renda, e, dinamizar a economia.
O senhor viaja o Brasil dando palestra sobre como os municípios podem desenvolver sua economia, apesar da crise. De que forma isso é possível?
É preciso fazer um programa econômico próprio com identidade regional, buscando recursos do setor privado, já que o poder público não tem dinheiro. Não basta ter planos para ficar na prateleira, tem que ter projetos no executivo e recursos para implementá-los. O turismo é um segmento estratégico, que gera emprego, renda e movimento para a economia, mas é preciso os municípios buscarem sua vocação econômica. Planos com estratégias integradas funcionam bem, porque ajudam a consolidar a permanência do turista. Além é claro, de usar o marketing na divulgação da região. Há uma série de ações que precisam e podem ser feitas.