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Depois das conquistas olímpicas, Maycon quer deixar um legado em Lages

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Maycon foi a principal atleta de Lages e uma das mais importantes de Santa Catarina - Foto: Bega Godóy

Depois de duas décadas e meia de carreira no futebol,  Andreia dos Santos, a Maycon pendurou as chuteiras aos 40 anos. A meia construiu uma trajetória vitoriosa na Seleção Brasileira, conquistando duas pratas olímpicas (2004- Atenas e 2008 – Pequim).

Atuou por times como Flamengo e Vasco. Também brilhou e conquistou o ouro nos Jogos Pan-americanos de Santo Domingo, em 2003 e no Rio de Janeiro, 2007, além de outros títulos quando foi 3º sargento da Marinha do Brasil onde serviu por oito anos. Pelas Forças Armadas, ela competiu em cinco edições do Mundial. Tendo conquistado três ouros uma prata e um bronze.

A atleta encerrou a carreira em 2017 com a participação nos Jogos Abertos de Santa Catarina (Jasc) com o quarto lugar com uma jornada dupla: jogadora e treinadora na competição disputada em Lages.

Maycon conta que as frequentes lesões musculares motivaram e aceleraram a sua aposentadoria, pesou ainda a vontade de coordenar o projeto de futebol feminino na sua cidade natal. 

Hoje, aos 42 anos, a moradora do Bairro Brusque trabalha no Fundação Municipal de Esporte (FME) de Lages onde atua como assessora técnica dos Jogos Comunitários de Lages (Jocol).

Caçula de uma família de nove irmãos, Maycon que é apaixonada por pagode, perdeu o pai, seu Rogério, quando tinha 20 anos e a mãe dona Leontina ano passado. Mesmo sem ganhar muita grana com o futebol ela pôde ajudar a família e por muitas vezes veio para Lages curtir os irmãos, a mãe e os 11 sobrinhos.     

Projeto social

Fechar o seu ciclo dentro de campo na cidade onde nasceu teve um significado diferente para a Maycon, pois foi onde descobriu o vocação para o futebol que considera tão importante quanto o projeto social que lançará ano que vem. Maycon vai trabalhar com meninos e meninas das categoria sub 9 a sub 15 com treinamento em Lages e São José do Cerrito. 

Apesar de estar de bem com a vida, a ex-jogadora se preocupa com o destino do futebol feminino do Brasil. “Nada fácil, mas ainda está melhor de quando eu jogava. A CBF nunca valorizou e precisou vir uma sueca, a Pia Mariane Sundhage, pra comandar o time. Um bom sinal. Pode vir uma reviravolta no futebol”, alerta ela, demonstrando esperança.  

Maycon se aposentou em Lages em 2017 quando disputou os Jasc – Foto: Bega Godóy/Arquivo CL

Porque você encerrou a tua carreira?

“A minha idade, o meu preparo físico e as seguidas lesões me obrigaram a fechar o ciclo. Por essa razão, na minha despedida joguei apenas o primeiro tempo nos Jasc. Na etapa final, assumi à frente na beira do campo. Somente na disputa pelo terceiro lugar não fui substituída. Mas fiquei feliz e emocionada, pois permaneci em campo até onde consegui”

Você sempre demonstrou o desejo de encerrar a carreira e voltar para seu “ninho”. Também dizia que queria tentar devolver tudo o que o futebol lhe ofereceu. Isso está acontecendo?

“Vou continuar com o projeto com as meninas, principalmente. Fazer uma base, disputar futuras competições. Dar oportunidade para elas facilitando mais o caminho. Descobrir potencial para que realizem seus sonhos. Vamos aperfeiçoar para que sigam carreira”

Todo mundo quer fazer o seu pé de meia antes de se aposentar. Você conseguiu fazer o seu? Pois serviu a Seleção Brasileira e a Marinha e foi atleta bolsista por ser medalhista olímpica.

“Não fiz pé de meia. Na verdade estou lutando pra comprar um canto pra mim. Ganhei um pouquinho mais na Marinha. 

Foi difícil tomar a decisão de parar de jogar?

O corpo já não respondia. Uma decisão definitiva, muitas lesões. Foi a hora certa. Optei em passar para as meninas o que eu aprendi, o que a vida me ensinou, a experiência olímpica, Mundiais, Sul-americanos e tantos outros.

“As pessoas acham que o futebol feminino ganha dinheiro tanto quanto o masculino. Jogamos como eles mas não ganhamos nem 1% do que ganham. Mas a luta continua, depois de largar a bola é vida que segue. Vamos em frente. Tenho apoio da prefeitura pra um novo recomeço, uma parte do sonho realizado, mas tenho muito que adquirir pois, o sonho ainda não acabou. Tenho muitas conquistas pela frente e muito trabalho”.

Próximo personagem a contar a sua trajetória será o ex-jogador de basquete Fabiano Martins de Brito

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