Coronavírus

Comercialização da maçã é prejudicada pela quarentena

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Segundo ABPM, cerca de 20% da maçã produzida no país é destinada para a merenda escolar Foto: Arquivo CL

O isolamento social decretado pelo Governo do Estado de Santa Catarina, como medida para conter o avanço do novo coronavírus, provocou impactos em diversos setores.

Com as escolas fechadas e, consequentemente sem a distribuição da merenda escolar, a comercialização da maçã catarinense também foi abalada.

A merenda escolar representa uma parte significativa da comercialização da maçã produzida na Serra Catarinense. Por isso, devido à quarentena, o presidente da Cooperserra, Mariozan Corrêa, descreve que a semana que antecedeu a Páscoa foi a pior dos últimos oito anos (período que está à frente da cooperativa). Desde o início do decreto, em 18 de março, as vendas caíram em 50%.

“Com as escolas fechadas, não vai maçã para a merenda, a destinação para as escolas parou 100%. O resto [do mercado] está lento desde o início da quarentena.”

A cooperativa classifica, armazena e vende a produção de, aproximadamente, 90 agricultores familiares de São Joaquim e dos municípios no entorno.

Corrêa explica que outro impacto sentido pela cooperativa foi na linha de produção, pois assim que o decreto entrou em vigor, todos os funcionários que integram o grupo de risco foram liberados do serviço.

Na terça-feira, 14 de abril, todos os funcionários que puderam, voltaram à ativa. Contudo, Corrêa conta que foi preciso mexer no quadro de colaboradores, dos quase 150 trabalhadores, ao menos cinco foram demitidos após o início da quarentena.

“Estamos com equipe reduzida. Teve demissões, mas já voltou a trabalhar todo mundo, obedecendo os cuidados necessários, é claro.”

Segundo ele, além da utilização de equipamentos de proteção individual (máscaras e luvas), os funcionários são orientados a higienizar as mãos a cada duas horas, seja com álcool em gel ou com água e sabão.

Além disso, todos os ambientes passam por desinfecção constante: limpeza de calçados, corrimãos e maquinário. O ônibus que transporta os funcionários também segue as regras: a lotação está reduzida à metade, com apenas uma pessoa sentada a cada banco, e limpeza constante.

Safra não foi colhida completamente 

A quarentena em Santa Catarina teve início bem no meio da safra 2019/20. A produção da gala já foi toda colhida no Estado, porém, na Serra Catarinense, ainda há maçã fuji nos pomares, esperando o momento certo da colheita.

De acordo com o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Maçã (ABPM), Pierre Nicolas Peres, ainda não é possível mensurar o impacto financeiro provocado pela pandemia nesta safra.

“A gente está aguardando o fim da safra para medir isso. Hoje a fruta é guardada na câmara fria, estamos esperando por dias melhores e, talvez, o final da quarentena. Resolvendo a quarentena, o mercado volta ao normal”, comenta, destacando que a comercialização das frutas de categoria um e dois se manteve mais estável.

Porém, as frutas da categoria três tiveram queda significativa nas vendas, e a fruta pequena, que é destinada para a merenda escolar, está sem saída, pois as escolas estão fechadas.

“A fruta para a merenda escolar não está vendendo por falta de mercado. Esse é um segmento bastante importante, representa uns 20% da venda da fruta em Santa Catarina e no Brasil. A merenda escolar é um segmento importante para todos os produtores”, completa.

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