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Busca pela saúde em duas rodas

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Empresário Luiz Carlos Arruda percebe procura cada vez maior pelas bicicletas - Fotos: Susana Küster

A busca por uma vida mais saudável impulsiona as vendas de bicicleta em Lages, e, nas cidades com congestionamentos, a procura por uma maior mobilidade também é um fator que faz aumentar a busca pelas bikes.

Vendedor de bicicletas há 25 anos, o empresário Luiz Carlos Arruda, de 60 anos, acredita que o aumento do combustível e a consciência ambiental também ajudam no interesse pelo ciclismo. Proprietário da loja AB Bike & Fitness, ele viu de perto como pedalar muda a vida das pessoas. “Vi pessoas perderem 20 quilos em quatro meses de pedalada, aliada a uma dieta saudável”.

Apesar de perceber a falta de ciclovias e/ou ciclofaixas como pontos negativos em Lages, analisa que muitos começaram a ver o ciclismo de forma diferente, do que há alguns anos. “Havia o entendimento de que andar de bicicleta era coisa para quem não tinha carro. E, hoje, todos percebem que isso mudou. Tanto que há bicicletas que valem R$ 35 mil com alta tecnologia, adaptadas para a altura da pessoa, já que existe até um aparelho que analisa a melhor bike para cada um”.

O aumento das vendas de bicicletas surgiu, no mínimo, há três anos, na loja Cycles Beto. A proprietária, Adriana Oliveira Pedroso percebeu que quanto mais se fala em mobilidade, mais pessoas se interessam em comprar uma bike.

“As vendas aumentaram cerca de 30%, nos últimos três anos. Mas, em Lages, a maioria adquire para passear e pela preocupação em cuidar da saúde, muitos participam de competições e não usam para trabalhar”.

Cenário nacional

Somente no mês de setembro, a produção de bicicletas cresceu 25,7% e as fabricantes de bicicletas instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM) continuam em ritmo de crescimento. Os dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), são positivos.

No desempenho do acumulado do ano, as fabricantes de bicicletas continuam a obter bons resultados. De janeiro a setembro, foram produzidas 578.449 unidades, uma alta de 16% sobre o mesmo período de 2017 (498.469 unidades).

Para o órgão, esse cenário positivo é justificado pelo crescimento do uso das bicicletas para mobilidade, práticas esportivas e de lazer. Além disso, a Abraciclo percebe que as redes cicloviárias continuam a crescer nos municípios e, desta forma, estimulam o uso das bicicletas em geral.

Devido ao bom desempenho registrado ao longo do ano, a entidade já havia revisado para cima sua projeção inicial de produção e, agora, espera fabricar 765.000 unidades em 2018, o que representará um crescimento de 15% sobre as 667.363 unidades produzidas no ano passado. A projeção inicial era de uma alta de 9% na produção de 2018, alcançando 727 mil unidades.

Exportações e Importações

As exportações brasileiras de bicicletas totalizaram 1.775 unidades em setembro, volume 15,5% superior ao de agosto (1.537 unidades), porém 43,5% inferior às 3.140 unidades exportadas no mesmo mês de 2017, conforme dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) analisados pela Abraciclo.

No acumulado de janeiro a setembro foram exportadas 9.181 unidades, correspondendo a um crescimento de 16,3% ante o volume de igual período de 2017 (7.891 unidades). Os principais destinos dos produtos foram Paraguai (48,3%), Uruguai (30,6%) e Bolívia (19,2%).

As importações de bicicletas feitas em todo o território nacional chegaram a 6.371 unidades em setembro, correspondendo a redução de 61% na comparação com agosto (16.345 unidades) e de 67,2% diante do volume de setembro de 2017 (19.437 unidades), também de acordo com a análise da Abraciclo sobre os dados do MDIC.

No período de janeiro a setembro, as importações de bicicletas somaram 82.366 unidades e foram 11,2% menores que o volume dos primeiros nove meses de 2017 (92.746 unidades). Estas bicicletas foram fabricadas principalmente na China (82,2%), Taiwan (6,5%) e Camboja (4,5%).

Grupo pedala toda semana nas rodovias da região

Comerciante percebe crescimento no esporte

O comerciante Alex Sandro Mello, 48 anos, começou a pedalar desde jovem e parou por cerca de 25 anos, mas praticava outros esportes. Há alguns anos, voltou para o ciclismo, com o objetivo de incentivar o filho a pedalar também. Hoje, participa de dois grupos de pedal de Lages e anda de bicicleta toda semana. “Estou promovendo competições para incentivar o pessoal”.

Ele lembra que quando era mais novo, na década de 1990, em Lages, tinham no máximo cinco pessoas que pedalavam para competir. Atualmente, os grupos possuem até 50 pessoas que praticam ciclismo entre duas a três vezes por semana.

Ele frisa a importância de pedalar em grupos, para a prática ser mais segura, pois as bicicletas são visadas pelos ladrões devido ao preço alto que possuem (algumas custam cerca de R$ 30 mil), e também para ser mais prazerosa a prática do esporte.

A dificuldade de comprar bicicletas para competição era um dos fatores que dificultavam o interesse no ciclismo. “Lembro que, uma vez, encomendei umas peças e demorou um ano para chegar, pois eram do Japão. Era assim para ter uma bicicleta de competição, ou ir ao Paraguai para comprar. Para conseguir um quadro, em uma competição, desenhei um quadro de uma bike profissional em um papelão e vim para Lages para o pessoal produzir para mim”.

Alex organiza competições e pedala com frequência

Meta como combustível

O DJ e cabeleireiro Flávio dos Santos Junior, 41 anos, pedala há seis anos e começou pelo incentivo do irmão, que é triatleta e compete. Hoje, ele pedala em média 800 quilômetros por mês, como trabalha nos fins de semana, não consegue competir.

Por isso, prefere praticar ciclismo para melhorar sua saúde e para conviver com os amigos. “Esse ano coloquei como meta pedalar 10 mil quilômetros e já cheguei aos 8,3 mil quilômetros. Serve como incentivo para mim”.

Mobilidade é um ponto a ser melhorado

O consultor de trânsito, Adailton Camargo, percebe que a falta de acessibilidade para ciclistas em Lages, afugenta interessados no esporte. Ele dá como exemplo a Avenida Belisário Ramos, que possui, na sua opinião, uma ciclovia muito estreita em alguns trechos, pois em outros não possui.

“A largura foge dos limites mínimos de segurança e sua sinalização horizontal e vertical encontra-se insubsistente. A cidade deveria rever seus conceitos e começar a trabalhar fortemente na ampliação das áreas destinadas ao tráfego de bicicletas, tornando-as atrativas ao invés de algo desagradável”, analisa.

Como estuda o trânsito e é ciclista, Camargo analisa Lages como sendo uma cidade com avenidas com grande fluxo de veículos automotores e isso, aliado a falta de ciclovias, compromete a segurança de quem opta pelo uso da bicicleta.

É preciso de metragens regulamentadas por lei e a interligação destas vias com outras que possam se unir com todos os bairros. “Na Avenida Luís de Camões, no Bairro Coral, você conta com a sorte, pois a todo o momento veículos automotores, inclusive caminhões, passam tirando raspão, isso quando os motoristas e passageiros de veículos estacionados não abrem a porta e os ciclistas tem que parar suas bicicletas para evitar um grave acidente”.

Novas ciclovias

Em relação às atuais ciclovias, o secretário de Planejamento e Obras, Claiton Bortoluzzi, é enfático ao dizer que realmente elas não seguem os limites seguros, e, foram feitas em outras administrações.

Para adequá-las, seria preciso mudar o tamanho das vias, o que possivelmente implicaria em desapropriar imóveis ou terrenos, o que encarece a alteração. Portanto, o secretário explica que seria mais viável, nas obras novas de pavimentação, já programar a implantação de ciclovias ou calçadas compartilhadas com ciclovias.

“Nosso objetivo é levar as ciclovias para os bairros, por enquanto, prevemos para no início do próximo ano, iniciar as obras nas ruas Aujor Luz, no Bairro Santa Catarina e Cirilo Vieira Ramos, no Bairro Vila Nova. Há outras ciclovias previstas também”.

Ele explica que as ciclovias serão construídas nas vias que possuem um maior fluxo. “Estamos trabalhando em um plano de mobilidade que deverá estar pronto no ano que vem, nele deverá conter mais informações sobre onde é preciso ter ciclovia”, destaca.

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