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Brasil e Turquia defendem via diplomática frente a ameaça de sanções ao Irã

Published

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Madri, 18/05/2010, EFE

 

 

 

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, pediu nesta terça-feira à comunidade internacional que dê uma chance à diplomacia na polêmica sobre o programa nuclear iraniano, convencido de que o acordo alcançado com Teerã, com a mediação de seu país e do Brasil, pode levar a uma solução negociada.

 

 

 

"Peço à comunidade internacional que apoie a declaração final, que terá muito efeito para a paz internacional", disse Erdogan, em entrevista coletiva em Madri, onde participou hoje da VI Cúpula União Europeia (UE) – América Latina e Caribe, com a possibilidade de seu país futuramente entrar no bloco europeu.

 

 

 

O primeiro-ministro turco, que junto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou o acordo com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, se pronunciou abertamente contra a imposição de sanções ao Irã, já que, segundo ele, as medidas "nunca funcionam".

 

 

 

Seu pedido à comunidade internacional foi feito minutos antes de a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, anunciar um acordo entre os países do Conselho de Segurança da ONU de sanções ao Irã.

 

 

 

Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança – EUA, Rússia, China, França e Reino Unido -, mais a Alemanha, que formam o grupo que negocia com Teerã sobre seu programa nuclear, estudam hoje uma nova resolução que endureça o regime de sanções ao país.

 

 

 

A polêmica em torno do programa nuclear iraniano foi discutida hoje na cúpula entre UE e América Latina, com a presença de dois dos artífices do acordo alcançado na segunda-feira com o Irã.

 

 

 

O Brasil divulgou hoje, em Madri, que deseja manter o protagonismo diplomático no assunto, ao expressar seu desejo de participar, junto com a Turquia, das negociações do grupo de seis potências.

 

 

 

O assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, transmitiu a mensagem, enquanto Erdogan lançava sua chamada a favor da via diplomática, em entrevista coletiva a poucos metros.

 

 

 

Segundo o assessor de Lula, "seria normal e desejável" que Brasil e Turquia pudessem participar de uma boa parte das negociações, embora não haja nenhuma "pretensão de formar um novo grupo", assegurou Garcia. O assessor também lembrou que Turquia e Brasil são membros não-permanentes do Conselho de Segurança da ONU.

 

 

 

O acordo de três lados tem o objetivo de "impedir as sanções e sair do enfrentamento para a negociação", disse Garcia.

 

 

 

O primeiro-ministro turco explicou os termos do acordo, que contempla que a Turquia se encarregue de processar 1.200 quilos de urânio iraniano enriquecido a 3,5%. Dentro do prazo de um ano, o Irã receberá 120 quilos do material a 20%.

 

 

 

Para os Estados Unidos e a UE o acordo não esclarece todas as dúvidas sobre o caráter pacífico do programa nuclear do Irã.

 

 

 

Sobre essas reservas, Erdogan insistiu em deixar a "potente varinha mágica" da diplomacia trabalhar.

 

 

 

No entanto, reconheceu que o Irã enfrenta, possivelmente, sua última oportunidade de evitar a reprovação da comunidade internacional, ao afirmar que a maior garantia do acordo alcançado em Teerã é o próprio pacto, já que, se não o cumprir, o Irã ficará completamente isolado.

 

 

 

O conflito sobre o programa nuclear iraniano surgiu no final de 2002, depois que satélites americanos captaram imagens das instalações nucleares iranianas de Arak e Natanz, mantidas em segredo até então.

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