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Esportes

Atenção torcedores: Riscos de infarto dobram durante a Copa

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Lages, 15/06/2010, Correio Lageano

 


Hoje às 15h30min, a seleção brasileira faz sua estreia na Copa do Mundo e as emoções ganham proporções gigantescas quando a bola rolar. Mas nada de exageros na hora de torcer, pois os riscos de infarto dobram na hora do jogo.

 


Um estudo realizado na Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, constatou que as chances de ter um infarto duplicam entre os torcedores durante uma partida de futebol do mundial. Por isso cardiologistas alertam para os fatores de riscos e aconselham aos mais exaltados que se contenham para poder apreciar todos os jogos do mundial.

 


O estudo publicado em 2008, na revista The New England Journal of Medicine, com o título Cardiovascular Events during World Cup Soccer (Eventos Cardiovasculares durante a Copa do Mundo), foi feito na região de Munique na Alemanha. Participaram da pesquisa moradores que procuraram o serviço de emergência, durante a Copa e os números foram comparados com o mesmo período de 2003 e 2005. Foram estudados 4279 pacientes e nos dias de jogos da Alemanha foi registrado o aumento no índice de infartos, que teve maior incidência nos homens do que nas mulheres.

 


O cardiologista Alexandre Ribeiro reitera que para os homens aumentou em três vezes a ocorrência de infarto e para as mulheres 1,8 o índice comparado com os anos anteriores. “Eles também perceberam que para as pessoas de mais idade, que são os mais propensos às doenças do coração, os eventos como dor no peito, falta de ar ou pressão elevada, ocorreram durante as primeiras duas horas após o início dos jogos, ou seja, exatamente o período de duração de uma partida de futebol”, diz.

 


O cardiologista comenta que os alemães, assim como os brasileiros, são muito empolgados com o futebol de forma geral, por isso é possível fazer uma comparação entre os países, no que diz respeito à Copa do Mundo. “A conclusão é que o futebol é um fator estressor muito importante e a Copa do Mundo reúne esse sentimento de nação, em que todo mundo acaba vibrando com o seu time”, comenta. Ele salienta que podemos trazer o resultado da pesquisa e aplicar estes dados para o Brasil, pois temos o mesmo padrão de torcida que os alemães, “talvez um pouco mais, por ter ganho mais Copas”, observa.

 


O cardiologista reitera que neste ano a Sociedade Brasileira de Cardiologia está patrocinando um estudo, nos mesmos moldes do realizado na Alemanha, em 2006, para tentar comparar a incidência de infartos durante os jogos do Brasil na Copa do Mundo.

 

Torcedor consciente não abusa

 

O torcedor João Laércio Ribeiro de Liz, 51, acompanha a seleção brasileira desde a Copa de 1978.

 


Foram oito Copas do Mundo, ligado em todos os passos do time “canarinho”. Mas ele garante que apesar de torcer e muitas vezes, sofrer com o Brasil, nunca passou dos limites em frente à televisão.

 


“A gente se estressa um pouco, mas nada além da conta, não sou do tipo fanático”, comenta o torcedor que disse que vai redobrar os cuidados durante o mundial.

 

Problemas se agravam no inverno

 

As doenças do coração são as que mais matam, em qualquer época do ano, mas o cardiologista Alexandre Ribeiro alerta que o inverno é um agravante para estes problemas. “A pressão tende a ficar mais elevada, existe um consumo de alimentos mais calóricos que elevam os valores de colesterol e triglicerídeos, bem como os valores de glicemia que estão envolvidos nas diabetes, na dislipidemia e na questão do colesterol”, explica. “Quando se está mais frio, ficamos em um período mais vulnerável e na nossa região o inverno já predispõe a maior quantidade de eventos cardíacos, ou seja, o infarto e o derrame (AVC)”, diz.

 


Cuidado – Os torcedores que já têm problemas cardíacos devem buscar orientação com seu médico ou então verificar a pressão arterial. “Um conselho aos hipertensos é que antecipem o remédio de pressão. Por exemplo, quem toma à noite, pode ingerir antes do jogo, pois é esperado que a pressão suba”, fala o médico.

 


Não abusar de bebidas alcoólicas, de cigarro e de comidas muito salgadas. “A pipoca com sal, por exemplo, para quem tem problemas cardíacos é uma coisa da qual não se deve abusar”, indica. “As pessoas devem perceber que o futebol é um jogo, e na hora que terminar a vida continua, não dá para valorizar demais o futebol porque se você tem algum risco pode desencadear um problema sério”, alerta o médico.

 


Situações – Padrão de estresse ocorrido em jogos de futebol também ocorre em situação de catástrofe. Existem estudos feitos durante o furacão Katrina, e quando aconteceram as enchentes em Santa Catarina, e ambos comprovaram que nos dias em que houve o desencadeamento do furacão, e das enchentes, aumentou a incidência de infarto na população. “O curioso de tudo isso é que na semana seguinte a estas catástrofes diminuiu a incidência deste situação. A explicação é que tanto a emoção quanto o desastre, não provocam o infarto mas anteciparam o problema que ia aparecer nos próximos dias”, diz o cardiologista.

 

Fatores de risco – Quem tem diabetes, pressão alta, quem fuma, tem colesterol alto ou tem história de doença do coração na família e também quem não faz atividade física, está no grupo que tem risco. Nos homens a doença do coração costuma surgir cada vez mais cedo e acima dos 50 anos o risco é maior. Para as mulheres os problemas se agravam a partir dos 60. O fumante sempre é um paciente de muito risco. Se o torcedor já tem estes fatores de risco deve se cuidar mais nos jogos

 

Fotos:Deise Ribeiro

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