Economia e Negócios

A safra é de maçãs pequenas, porém saborosas

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Foto: Divulgação ABPM/Divulgação

A safra da maçã este ano foi pequena, da mesma forma o fruto. Além da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), que provocou impactos em diversos setores da economia e também na fruticultura, outros fatores como intempéries, também foram os responsáveis.

A falta de chuva, o frio, e a geada na Serra Catarinense foram um dos principais fatores para a perda de quantidade e formação dos frutos. 

O Presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Maçã (ABPM), Pierre Nicolas Peres, afirma que a safra deste ano é menor, por conta das punições climáticas.

“Primeiro tivemos um inverno fraco, depois tivemos deficiência de brotação na primavera. A primavera foi fria e úmida. O frio impede a polinização e a chuva o trabalho da abelha. E também tivemos uma seca bem grande. As frutas que estavam no pé não conseguiram se desenvolver  e ficaram pequenas”, explica. 

Sendo uma fruta pequena, consequentemente o peso dela é bem menor comparado a um fruto normal, porém, segundo Pierre, é de boa qualidade.

Com a seca, a fruta ficou bem firme, suculenta e doce.  “A maçã está com características muito boas este ano. Em anos chuvosos, a fruta tem pouco sabor”, comenta. 

O município que mais produz maçã é São Joaquim, em seguida, Vacaria, Fraiburgo e Caxias do Sul. Principalmente a economia de São Joaquim depende muito da fruticultura.

No caso de Caxias, a dependência é menor, pois é considerada uma cidade industrial e tem outras variedades de frutas para diversificar a economia.

Em Fraiburgo, o município pode sofrer um pouco por conta da safra, mas não depende só disso. E Vacaria, tem o setor agropecuário bem diversificado. 

Conforme Peres, a Serra Catarinense sim, depende muito do resultado econômico da maçã. Ano passado, a safra foi de mais de 1 milhão de toneladas, já este ano, ficou entre 800 mil a 900 mil toneladas.

“O preço da fruta pequena na exportação não é muito melhor que no mercado interno, apenas uma pouco maior, o que fascina é você diversificar os mercados. Nos dois primeiros meses de exportação deste ano, tivemos um volume 56% maior em relação a 2019, em função da qualidade da maçã. É que alguns mercados gostam da fruta pequena”, explica. 

A grande preocupação para Pierre é o tipo de fruta que foi produzida para o mercado interno, onde 60% dos frutos são pequenos o que consequentemente dificulta as vendas.

“Tivemos uma safra maior da variedade gala e menor de fuji, o que era esperado. O mercado que aceita essa fruta pequena, seria a merenda escolar, mas desde o dia 13 de março está fechado. Então é mais um fator negativo”, conclui. 

Comercialização é prejudicada pela quarentena

O isolamento social decretado pelo Governo do Estado de Santa Catarina, como medida para conter o avanço do novo coronavírus, provocou impactos em diversos setores.

Com as escolas fechadas e, consequentemente sem a distribuição da merenda escolar, a comercialização da maçã catarinense também foi abalada.

A merenda escolar representa uma parte significativa da comercialização da maçã produzida na Serra Catarinense. Por isso, devido à quarentena, o presidente da Cooperserra, Mariozan Corrêa, descreve que a semana que antecedeu a Páscoa foi a pior dos últimos oito anos (período que está à frente da cooperativa). Desde o início do decreto, em 18 de março, as vendas caíram em 50%.

“Com as escolas fechadas, não vai maçã para a merenda, a destinação para as escolas parou 100%. O resto [do mercado] está lento desde o início da quarentena.”

A cooperativa classifica, armazena e vende a produção de, aproximadamente, 90 agricultores familiares de São Joaquim e dos municípios no entorno.

Corrêa explica que outro impacto sentido pela cooperativa foi na linha de produção, pois assim que o decreto entrou em vigor, todos os funcionários que integram o grupo de risco foram liberados do serviço.

No dia 14 de abril, todos os funcionários que puderam, voltaram à ativa. Contudo, Corrêa conta que foi preciso mexer no quadro de colaboradores, dos quase 150 trabalhadores, ao menos cinco foram demitidos após o início da quarentena. “Estamos com equipe reduzida. Teve demissões, mas já voltou a trabalhar todo mundo, obedecendo os cuidados necessários, é claro.”

Segundo ele, além da utilização de equipamentos de proteção individual (máscaras e luvas), os funcionários são orientados a higienizar as mãos a cada duas horas, seja com álcool em gel ou com água e sabão.

Além disso, todos os ambientes passam por desinfecção constante: limpeza de calçados, corrimãos e maquinário. O ônibus que transporta os funcionários também segue as regras: a lotação está reduzida à metade, com apenas uma pessoa sentada a cada banco, e limpeza constante.

Produção

1 milhão de t foram colhidas em 2019 na região Sul do Brasil

800 mil a 900 mil t será a produção deste ano

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