Segurança

Suspeito investigado pelo ataque não voltará ao Brasil sem habeas corpus

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Diego Rossi Moretti e Jonas de Oliveira, que têm escritório em Lages, são os advogados que fazem a defesa de Fauzi - Foto: Correio Lageano

Único suspeito investigado pelo ataque à sede do canal Porta dos Fundos, o empresário Eduardo Fauzi Richard Cerquise, poderia ter voltado para o Brasil na última quinta-feira (30), porém, permanecerá na Rússia enquanto sua defesa não conseguir um habeas corpus contra o mandado de prisão temporária expedido pela justiça.

A afirmação é da defesa de Fauzi, cujo escritório de advocacia fica em Lages. A determinação judicial aconteceu um dia após sua viagem para o exterior, no fim de dezembro.

“Em razão da liminar não concedida, ele não vai voltar. Enquanto tiver o mandado de prisão em aberto, não tem previsão de voltar, porque a gente entende, de fato, que a prisão é injusta”, comenta o advogado Diego Rossi Moretti que, ao lado de Jonas de Oliveira, assina a defesa do investigado.

A dupla atua no caso juntamente a um advogado correspondente no Rio de Janeiro. Segundo eles, Fauzi conheceu o trabalho deles pela internet e os contatou por uma rede social.

Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, o delegado que investiga o caso, Marco Aurélio de Paula Ribeiro, disse que apura a participação e possível liderança de Fauzi no atentado.

Fauzi é o único suspeito investigado pelo ataque à sede do canal Porta dos Fundos, ocorrido na véspera do Natal – Foto: Divulgação/Polícia Civil RJ

Ao Correio Lageano, a defesa garantiu que o investigado não assume a autoria, porém, admite que estava junto ao grupo no dia do ataque e afirma ser apoiador do grupo que cometeu o atentado.

Diego e Jonas asseguram que Fauzi já estava com passagem comprada para a Rússia antes do atentado, que aconteceu em 24 de dezembro, pois pretendia visitar a esposa e o filho que vivem em Moscou. Ele embarcou no dia 29 de dezembro.

Fauzi foi identificado como um dos homens que jogaram dois coquetéis molotov contra o edifício onde funciona a produtora, na zona sul do Rio de Janeiro.

A ação que teria sido motivada por um especial de Natal lançado pelo Porta dos Fundos no streaming Netflix, no início de dezembro, no qual Jesus Cristo é retratado como homossexual. A polícia acredita que ao menos outras quatro pessoas estão envolvidas.

LIBERDADE DE EXPRESSÃO

À época do atentado, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) classificou a situação como grave. Em nota pública, a entidade afirmou que “A OAB Nacional, por meio do seu Observatório da Liberdade de Imprensa, classifica como grave o atentado sofrido nesta manhã [24 de dezembro] pela produtora do Porta dos Fundos e espera uma rigorosa apuração das autoridades. Seguiremos vigilantes para que atitudes de ódio e de ataque à liberdade de expressão não sejam toleradas”.

Por e-mail, a assessoria da Ordem informou que, no início de janeiro, quando houve a decisão da Justiça de retirar do ar o especial de Natal do Porta dos Fundos, o presidente da OAB Nacional, Felipe Santa Cruz,  manifestou-se.

Segundo ele, “a Constituição brasileira garante, entre os direitos e garantias fundamentais, que ‘é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença’. Qualquer forma de censura ou ameaça a essa liberdade duramente conquistada significa retrocesso e não pode ser aceita pela sociedade”.

Em nota publicada pela BBC News Brasil, o Porta dos Fundos afirma que “gostaria de reforçar nosso compromisso com o bom-humor e declarar que seguiremos mais fortes, mais unidos, inspirados e confiantes de que o Brasil sobreviverá a essa tempestade de ódio, e o amor prevalecerá junto à liberdade de expressão”.

A reportagem do Correio Lageano contatou a assessoria de imprensa do Porta dos Fundos, porém, não obteve retorno até o fechamento desta edição.

 

 

 

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