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Safras recordes, estoques altos e preços abaixo do mínimo

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Campo Belo do Sul, 17/06/2010, Correio Lageano

 


O município de Campo Belo do Sul é o maior produtor de grãos da Serra Catarinense. De acordo com dados da Copercampos, 70% da produção é gerada por médios e grandes produtores e os outros 30% são da Agricultura Familiar. Diferente de outros municípios da região em que a produção é sazonal, em Campo Belo do Sul se produz durante o ano inteiro. No verão há o plantio de milho, feijão e soja; e no inverno, há por enquanto o cultivo de trigo que deve receber o incremento da canola, o que deve tornar Campo Belo do Sul o primeiro município catarinense a produzir o produto comercialmente.

 


Embora a produção de grãos seja grande, não é significativa na geração de emprego. Isso acontece porque a maioria dos produtores são grandes e médios e fazem o plantio e a colheita de forma mecanizada. Por outro lado, é a produção de grãos, juntamente com a pecuária, responsável por quase metade da receita do município. Segundo dados da Secretaria Municipal de Finanças, a produção agrícola e a madeireira são as principais fontes de renda do município que tem uma arrecadação média de R$ 900 mil por mês.

 


De acordo com o engenheiro Agrônomo da Copercampos de Campo Belo do Sul, Jocelito Mattos, atualmente é muito complicado para os pequenos produtores competirem com os grandes. “A questão da comercialização e também do maquinário é mais difícil, por isso que a maioria dos pequenos trabalha com a produção de feijão. Acredito que as pequenas propriedades devem investir em outras culturas, como fruticultura, piscicultura entre outras”, ressalta.

 


O engenheiro agrônomo da prefeitura, Eduardo Granzotto, diz que na Secretaria da Agricultura há cerca de 700 pequenos agricultores cadastrados e que a prefeitura não tem nenhum programa voltado para incentivar o agricultor a trabalhar com outras culturas. “Esse trabalho é feito na Epagri”. Mas, ele ressalta que a prefeitura apoia a Agricultura Familiar no município de diversas formas, entre elas por meio do empréstimo de máquinas agrícolas. São 10 tratores que ficam à disposição dos produtores mediante agendamento. “Também há o transporte de calcário, onde é cobrado apenas o frete e a trilha do feijão, para a colheita”, ressalta.

 

Canola surge como uma nova alternativa de inverno

 

Campo Belo do Sul pode ser o primeiro município catarinense a produzir canola para fins comerciais. A Copercampos está com um projeto para tornar a cultura uma alternativa de inverno para os produtores da região que durante o frio produzem apenas trigo. A planta poderá intercalar a terra onde no verão é feito o plantio de soja. O engenheiro agrônomo da Copercampos, Jocelito Mattos, ressalta que a cultura irá usar espaços que atualmente ficam parados nesta época.

 


A canola já é plantada há muitos anos na Austrália e no Canadá. No Brasil, também há produção no Rio Grande do Sul. O agrônomo explica que a planta é uma crucífera (plantas de grande importância para a alimentação humana e produção de óleos e gorduras vegetais), tem a aparência semelhante a de uma couve e produz óleo Omega 3 e farelo.

 


De acordo com Mattos é a planta que mais produz óleo por hectare, 600 quilos, enquanto o girassol produz 450 e a soja 550, sendo que o óleo de canola é mais nobre. Por outro lado, o farelo é inferior ao da soja, o que deixa o preço em patamares semelhantes. “O que a indústria ganha no óleo perde no farelo”, argumenta Mattos.

 


Por enquanto, estão sendo feitos experimentos para ver a viabilidade e a rentabilidade da produção. “Não acredito que teremos problemas, a produção gaúcha se concentra em Vacaria que tem um clima semelhante ao nosso”, explica. O agrônomo conta que pelo fato de ser uma cultura nova, os produtores têm resistência, mas mesmo assim a aceitação é boa. “Temos seis produtores participando dos experimentos em um total de 110 hectares”, explica.

 


Mattos esclarece que ainda não há um zoneamento (definição de data para plantio) na região para a canola porque não há plantio definido, mas tendo como base o Rio Grande do Sul, o plantio acontece de 10 de maio a 10 de junho e a colheita é de 20 de outubro a 20 de novembro.

 


Outro benefício para o produtor é que a estrutura utilizada para mão de obra é a mesma do plantio de soja e trigo. “A canola exige mais técnica, houve produtores que desistiram da cultura por essa questão”, comenta Mattos.

 


Outro impasse também é o preço da semente que fica em torno de R$ 35,00 o quilo. Mas o custo por hectare da canola é bem menor se comparado ao preço da soja, do milho e do trigo. O da canola fica em torno de R$ 600, 00 enquanto o da soja é de R$ 1200,00 o do milho R$ 1800 e R$ 1000 para o trigo. “Claro que a produção também é menor”, ressalta.

 


O agrônomo ressalta que a partir de novembro já terão resultados do experimento. “Comprovada a viabilidade deve ser iniciada a produção, que deve ser acompanhada e melhorada ano a ano”, finaliza.

 

Foto: Deyse Pessoa

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