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Reforma do Ensino Médio começa a ganhar corpo em SC

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Alunos do Colégio Industrial de Lages, unidade que também deverá abarcar a reforma - Fotos: Adecir Morais

Dois anos após virarem lei, as mudanças do Ensino Médio começaram a ganhar corpo em Santa Catarina. Ontem, a Secretaria de Estado da Educação (SED) realizou uma reunião com representantes de 120 escolas do estado com o intuito de discutir as diretrizes do programa.

Essas unidades fizeram a adesão ao programa no passado e, a partir do ano que vem, começarão a praticar o novo modelo de ensino. Elas serão as balizadoras da proposta, que deve ser implementada, gradativamente, em todas unidades públicas até 2022.

A reforma do “Novo Ensino Médio”, como vem sendo chamado, está prevista Lei nº 13.415, de 16 de fevereiro de 2017. O novo modelo oferece um currículo integrado por áreas de conhecimentos e não mais por disciplina, como acontece no sistema atual de ensino.

Inclui uma formação técnica, permitindo aos estudantes iniciarem mais cedo na vida profissional, por meio de itinerários formativos, com foco nas áreas de conhecimento e na formação técnica profissional. A Lei contempla escolas públicas e privadas. 

Os itinerários são o conjunto de disciplinas, projetos, oficinas, núcleos de estudo, entre outras situações de trabalho, que os estudantes poderão escolher durante o Ensino Médio. As redes de ensino terão autonomia para definir quais os itinerários formativos irão ofertar, considerando um processo que envolva a participação de toda a comunidade escolar.

Uma das principais mudanças diz respeito à carga horária. Prevê a ampliação do tempo mínimo do estudante na escola de 800 horas para 1.000 horas anuais (até 2022), totalizando 3.000 horas, sendo até 1.800 horas para a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), abordando as quatro áreas de conhecimento: linguagens, matemática, ciências da natureza e ciências humanas, e outras 1.200 (40%) horas direcionadas aos itinerários formativos, onde o estudante pode escolher uma formação técnica.

De acordo com a secretária adjunta da SED, Carla Bohn, a reforma conta, atualmente, com a adesão de 120 escolas da rede estadual. Segundo ela, a implementação será realizada de forma progressiva, atingindo todas as unidades de rede até 2022. O Ministério da Educação está dando suporte técnico e financeiro para implementação das mudanças.

Carla explicou que a proposta possibilita a construção de uma escola que dê perspectivas aos jovens, ajudando-os a permanecerem em sala de aula, e que o ensino faça sentido. A reforma “permite que a elaboração do currículo seja mais flexível, em que a BNCC se organize por área e não mais por componente, olhando para as necessidades, competências e habilidades dos estudantes”, enfatizou.

Ela detalhou que compete aos Estados a organização dos itinerários a partir das escutas dos jovens, fazendo com que o novo modelo de ensino “venha ao encontro das necessidades e expectativas dos jovens e fortalecendo o protagonismo juvenil na medida em que possibilita ao estudante a escolha dos itinerários”.

Questionada se as escolas da rede estadual possuem estrutura para abarcar essa ampliação de demanda do ensino, Carla respondeu: “tudo isso vai ser desenhado na reunião com os diretores prevista para a próxima quarta-feira (ontem).

Vamos materializar tudo aquilo que há nas escolas em termos de estrutura física, estrutural e organizacional e número de alunos. Isso tudo será mapeado e, com as escutas de necessidades de jovens e pais, vamos equacionar e materializar tudo para nos posicionarmos para a próxima ação”.

O estudante como protagonista

O mestre em Educação, Cristian Roberto Antunes de Oliveira disse que o novo modelo do Ensino Médio faz com que o estudante seja o protagonista de sua própria formação. Isso vai acontecer por meio dos itinerários informativos, que vão possibilitar que estudantes possam escolher um projeto de vida.

O aluno é o principal foco do novo modelo. Ele deve ser o protagonista do ensino-aprendizagem, e o professor passa a ser um mediador. Em outras palavras, a escola precisa dar sentido àquilo que o adolescente pretende fazer. Temos, hoje, uma escola arcaica, e um modelo convencional de ensino não comporta mais”, declarou.

Ele esclareceu que nenhuma disciplina cai no novo modelo de Ensino Médio. “Todas as áreas de conhecimento estão asseguradas, sendo que a escola é quem vai decidir qual itinerário propor para atender a demanda do aluno. O principal objetivo é promover a equidade e melhorar a qualidade do ensino”, afirmou.

Segundo Cristian, algumas escolas de Lages já estão implantando o novo modelo de Ensino Médio “No Sesc/Senai, os investimentos estão sendo feitos de forma mais assídua. Há muito tempo trabalhamos com competência e habilidades”, declarou Cristian, que é professor no Senai. Segundo ele, as escolas da rede privada estão mais avançadas em termos de estrutura para abarcar as mudanças.

Cristian, especialista em educação, diz que o novo modelo de ensino vai promover o protagonismo do aluno

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