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Profissionais de saúde dizem que material é inadequado para atender Covid-19

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Profissionais avaliam que uniformes deveriam cobrir todo o corpo, a exemplo dos usados na China /Gao Xiang / Xinhua / Divulgação

Por todo o Brasil, profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) têm denunciado a falta de paramentação adequada para atender pacientes diagnosticados com coronavírus. As principais reclamações são com referência à falta de máscaras e aventais adequados para proteger contra doenças de transmissão aérea, como a Covid-19. Pelos relatos, as roupas usadas por médicos no exterior, que mais parecem de astronautas, não existem por aqui.

Sob a condição de anonimato, um enfermeiro de Lages disse que a categoria está muito preocupada com a saúde dos profissionais da área, especialmente depois de participar de um treinamento para se preparar e receber pacientes da Serra diagnosticados com esta síndrome respiratória.

Segundo ele, as condições de segurança laboral dos trabalhadores da saúde pública são precárias, pois os equipamentos de proteção individual (EPIs) disponibilizados não correspondem aos recomendados pelas autoridades nacionais e internacionais de saúde. O recomendado seria utilizar macacões impermeáveis, por exemplo, para evitar contaminação, mas como este EPI não está disponível, uma das recomendações recebidas, segundo ele, é pela utilização de aventais comuns nos atendimentos.

“Esses aventais são feitos de um material bem simples, que não é impermeável e, de certa forma, deixa vulneráveis pernas, punhos e pescoço. A gente não tem a proteção necessária. Quando questionamos sobre como fechar o avental para proteger o pescoço, nos disseram para usar fita crepe”, conta.

O enfermeiro destaca que, para estarem seguros, os profissionais da saúde que atendem aos pacientes diagnosticados ou suspeitos com a Covid-19, precisariam utilizar avental ou macacão impermeável, que cubra todas as partes do corpo, máscara N95 (tem filtro de ar que bloqueia partículas em suspensão e ajuda na proteção contra doenças de transmissão aérea), além de touca ou uma espécie de ‘capacete’, para evitar o máximo possível ter contato com as secreções dos pacientes.

 

Sindicato exige condições mínimas de trabalho

Agradecendo o gesto de reconhecimento feito pelos brasileiros na quinta-feira (19) à noite, quando inúmeras pessoas saíram nas janelas de suas residências para aplaudir os profissionais da saúde, o Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimento de Saúde Pública Estadual e Privado de Florianópolis e Região (SindSaúde) se manifestou publicamente, ressaltando que a categoria precisa de condições adequadas de trabalho e EPIs em quantidade e qualidade para prestar uma assistência segura.

A diretora da subsede Lages do SindSaúde, Ivanise Balbinot Simon, reitera que o sindicato vai cobrar do Governo do Estado o fornecimento de EPIs de qualidade, em quantidade suficiente, e condições de trabalho adequadas.

“Nós temos EPIs, mas são quantidades limitadas. Não temos ainda nenhum caso [em Lages], mas quando chegar nós não sabemos como vai ser. O governo já demonstrou estar com problema na compra desses materiais. Nós entendemos que tem dificuldade de compra, mas o que os servidores da saúde mais precisam agora é de apoio do Governo do Estado, precisam de luvas, máscaras, aventais. E não adianta o Estado fornecer um avental que não seja impermeável, materiais de má qualidade não resolvem pra nós”.

Ela explica que a paramentação dos médicos do exterior, que aparecem com frequência na televisão, em nada lembra os equipamentos de proteção utilizados pelos profissionais da saúde pública no Brasil. Por isso, a principal reivindicação é por aventais de qualidade.

“Aqui nós temos um avental simples. Não temos um macacão impermeável como se vê na Itália e outros países. Precisamos, ao menos, de um avental de qualidade, impermeável, porque isso vai dar segurança ao trabalho das equipes e também para a população”, explica.

Segundo Ivanise, profissionais que não se sentirem seguros para atender pacientes com doenças de alto contágio, como a Covid-19, têm no código de ética da enfermagem o respaldo necessário para recusar o atendimento, pois não podem colocar a si mesmos em risco.

“Um exemplo, se chegar um paciente confirmado pela Covid-19, o profissional da enfermagem, amparado pelo código de ética, pode se recusar a atender se não tiver a máscara adequada para este caso, se não tiver a paramentação completa. Máscara, luva, avental, óculos, que são paramentação barreira para casos de infecção respiratória.”

 

Detentos podem produzir EPIs

Desde o decreto de situação de emergência, feito no dia 17 de março, o Governo do Estado tem realizado coletivas diárias para informar a população sobre o avanço do Coronavírus em Santa Catarina. Na coletiva da noite de sexta-feira (20), o governador Carlos Moisés da Silva e o secretário de estado da Saúde, Helton de Souza Zeferino, falaram para o Correio Lageano sobre o fornecimento de EPIs aos profissionais da rede pública estadual.

Segundo Zeferino, o abastecimento para os servidores do Estado está mantido, pois a pasta autorizou que fossem fornecidos todos os materiais disponíveis em atas de registro de preço da Secretaria da Saúde. “Esses materiais já chegaram em praticamente 90% dos nossos almoxarifados, já estão sendo distribuídos pros nossos servidores. No nosso entendimento, a rede estadual está abastecida de acordo com aquilo que nós entendemos que é o necessário pra os nossos colaboradores de todas as regiões”, afirmou Zeferino.

Sobre a dificuldade de aquisição de novos materiais, o governador Carlos Moisés relatou a possibilidade de que detentos do Oeste catarinense possam produzir EPIs. “O secretário de Administração Prisional, Leandro Lima, nos informou que no sistema de Chapecó, através do trabalho do apenado, consegue produzir máscaras de proteção, essas de procedimento, e também macacões de proteção individual pra uso no ambiente hospitalar, enfim, para o manuseio, num valor bem mais acessível”, afirmou.

Zeferino ressaltou que há aumento de preço significativo dos insumos de proteção para atendimento de patologias respiratórias, por isso, o trabalho dos detentos surge como alternativa para atender à demanda.

“Se apresentou essa possibilidade do sistema prisional, através da unidade de Chapecó, nos fornecer esses insumos. Temos aí uma garantia de ter fornecimento, haja vista que isso foi feito dentro do próprio estado e também a questão de preço que é muito acessível, considerando os valores de mercado que estão sendo praticados na atualidade”, completou.

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