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Obra conceitual remonta uma marcenaria dentro do Sesc

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Foto: Núbia Garcia

A sensação de entrar em uma marcenaria, sentir o cheiro típico deste ambiente e encontrar poeira dos materiais modelados em todos os cantos, pode ser vivenciada por quem visita a Galeria de Artes 2, do Centro Cultural Vidal Ramos, em Lages. Antes mesmo de chegar a esta sala é possível ouvir o rádio ligado em algum programa de notícias e sentir o cheiro de madeira e serragem. Quem entra na galeria, se depara com a reprodução de uma marcenaria, com janelas, portas, tábuas, madeiras, serragem e materiais de trabalho expostos.

A atmosfera compõe a exposição “Portas que se abrem… Máquinas que se movem… Mãos que trabalham…”, da artista lageana Ângela Waltrick. É um local multifacetado, pois engloba vários ambientes em um único cômodo, com o objetivo de despertar os sentidos do visitante. A primeira coisa que chama a atenção é a reprodução de um galpão de marcenaria – onde se encontram todos os materiais. Sentir o cheiro do local e ouvir o rádio (características das marcenarias reais), de cara despertam dois sentidos: o olfato e a audição.

Mas a interação da exposição com o espectador não para por aí. Há ainda um pequeno espaço com cadeiras, destinado para a exibição de dois documentários sobre o tema, além de uma galeria de fotos, que aguçam a visão do visitante. Em um dos ambientes dentro da sala, há uma plotagem com um poema de Ângela sobre o dia a dia de um marceneiro, que está exposta próximo a pequenas caixas sensoriais. No interior delas há serragem, para que o visitante possa tocá-la (tato) e experimentar uma sensação diferente.

A exposição neste formato tem várias linguagens e caracteriza uma arte conceitual, pois além de criar entretenimento, o foco é oferecer uma experiência única ao visitante. “Essa instalação, a partir do momento que alguém a toca, se torna uma obra interativa. No dia em que eu estava montando [no Sesc] um grupo de pessoas entrou na sala, elas não sabiam que sou a artista criadora, e começaram a comentar que a ambientação lhes trazia memórias da infância, porque seus pais ou avós tinham marcenarias”, conta Ângela, com um ar de satisfação em saber que sua obra reflete o que era a sua intenção: despertar memórias.

“Trata-se de uma reflexão sobre a importância da valorização da memória serrana enquanto patrimônio imaterial. O foco desencadeador se refere a extração da madeira, o seu beneficiamento e por conseguinte a sua transformação que passa a se tornar de suma importância para a geração de renda de muitas famílias, ao longo dos anos”, explica a artista.

Reprodução dos detalhes

Reproduzir este ambiente não é uma tarefa muito simples, pois cada objeto em exposição remonta um espaço de uma marcenaria. Há madeiras encostadas na parede, como se estivessem prontas para serem moldadas, serragem espalhada pelo chão como resultado de um dia de trabalho, aberturas (portas e janelas) que foram cuidadosamente feitas pelas mãos de marceneiros.

No centro da sala estão cadeiras de madeira, que trazem consigo duas características de ambientes como marcenaria: poeira e teias de aranha. Para preservar estas características, o transporte de cada item que compõe a exposição foi feito com muita atenção e cuidado, para preservar as características originais de um marcenaria.

“Não existe marcenaria sem pó, sem serragem, não é possível dar visibilidade a uma memória que não está ali. Nenhuma peça é limpa ou lustrada para preservar as características”, comenta, justificando o motivo de ter tantos detalhes na exposição.

Como surgiu

A exposição foi criada a partir de uma pesquisa teórica e de campo feita por Ângela, que em 2015 passou dois meses acompanhando a rotina de uma marcenaria que funciona há mais de 70 anos no mesmo lugar, em Lages, para conhecer todos os processos deste trabalho manual.

No mesmo ano, “Portas que se abrem… Máquinas que se movem… Mãos que trabalham…” foi lançada na Fundação Cultural de Lages. Em 2017, esta exposição fez parte da 11º edição do renomado Salão Nacional Victor Meireles, que apresenta um panorama da produção artística nacional contemporânea, cerca de 400 trabalhos foram inscritos, de 250 artistas de todo o Brasil, dentre eles Ângela.

Agora esta exposição integra o projeto local do Sesc Santa Catarina, intitulado Arte na Cidade. Ao lado da mostra “Capelas – Coletânea fotográfica”, de Aryana Vacanaia, Bruno Duarte, Eliane Matos, Eriel Florêncio e Jary Carneiro Junior, a exposição “Portas que se abrem… Máquinas que se movem… Mãos que trabalham…” fica em exposição no Centro Cultural Vidal Ramos até o dia 24 de maio.

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