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Na Serra, setor madeireiro é atingido em cheio, construção civil mantém o fôlego 

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Apesar da crise, o setor de construção civil tenta manter suas atividades normais Foto: Adecir Morais

O setor madeireiro, um dos pilares da economia da Serra Catarinense, perdeu 31% de seus postos de trabalho, nos últimos 30 dias, em Santa Catarina, comparando-se ao saldo existente no final de 2019.

Os dados que apontam que a indústria catarinense já demitiu 165 mil pessoas, são da Federação da Indústria de Santa Catarina (Fiesc) e fazem parte de um estudo sobre os efeitos da pandemia de coronavírus no Estado.

Em contrapartida, o setor da Construção Civil praticamente não demitiu na região, mas tudo depende do que vai ocorrer nos próximos dias, principalmente em relação a apoios financeiros. 

De acordo com a estimativa da Fiesc, a indústria madeireira é a quarta mais afetada pela crise do coronavírus do ponto de vista de mercado de trabalho.

Os três primeiros setores são os de equipamentos elétricos (-41,7%), confecção (-41,4%) e automotivo (-39%). Outros setores mais impactados são os de bebidas (-29,3%), móveis (-27,6%), cerâmica (-27%), construção civil (-23,8%), gráfico (-23,8%) e produtos químicos (-20,9%).

O levantamento foi realizada em todo o Estado, mas nem todas as empresas responderam às perguntas da pesquisa. No total, a Fiesc lista 17 setores que sofreram forte impactos devido à crise do coronavírus.

A amostra da pesquisa é formada por 740 empresas respondentes, das quais 8,1% são grandes, 37,6% médias e 54,3% pequenas, de 129 municípios catarinenses.

Ou seja, os números concretos serão apontados somente quando o Ministério do Trabalho divulgar os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

O estudo revela que a crise do coronavírus já custou 165 mil empregos na indústria de Santa Catarina. Esse número representa uma redução de 21% na quantidade de trabalhadores formais no setor, que fechou 2019 com 786 mil empregados e agora está com 621 mil. 

O levantamento, que mede os impactos após o início do período de isolamento, mostra ainda que, no Estado, houve retração de R$ 3,4 bilhões na produção industrial, diminuição de R$ 3,1 bilhões nas vendas no mercado interno e redução de R$ 327 milhões nas exportações industriais.

Fiesc fala em “fotografia dramática”

O presidente da Fiesc, Mario Cezar de Aguiar, diz que o quadro vivido pela indústria catarinense representa “uma fotografia dramática”, que quantifica o impacto que já é sentido pelas empresas e trabalhadores.

“O levantamento mostra como a crise está desestruturando um estado que estava em crescimento e deixa claro que é necessário que as medidas de apoio ao setor produtivo precisam ser mais objetivas”, afirma.

Aguiar diz que, passado um mês do início da crise, uma série de pleitos encaminhados pela indústria buscando a sobrevivência das empresas e a manutenção dos postos de trabalho segue sem respostas.

Ele se refere a questões como a postergação e parcelamento do recolhimento do ICMS e das faturas de energia elétrica.

Para Israel Marcon, algumas medidas de ajuda não chegam aos empresários

O vice-presidente regional da Fiesc, Israel Marcon, diz que ainda não há dados do desemprego na Serra. Entretanto, afirma que o impacto na indústria foi enorme.

Ele faz coro ao discurso do presidente da Fiesc, ressaltando que as empresas estão buscando meios para sobreviver e garantir os empregos. Lembra que o setor encaminhou vários pleitos ao Governo do Estado, mas até agora está sem respostas. Ele se refere às questões de energia elétrica e postergação do ICMS.

“A Assembleia Legislativa (Alesc) aprovou a postergação do ICMS, mas o Governo do Estado vetou a proposta. Em relação à energia elétrica, a Celesc suspendeu o corte por 90 dias, mas se parcelar a conta, tem juros de 1% a 2%, mais multa de 2%, o que acaba ficando penoso para o empresário diante da atual situação que o setor vive”, comenta.

Na esfera federal, ele lembra que algumas das medidas anunciadas pelo governo ainda não surtiram efeitos. Uma delas diz respeito à abertura de crédito para empresários de alguns setores.

A burocracia e as dificuldades para ter acesso a determinadas linhas de crédito são os principais entraves do acesso ao créditos.

O deu certo_ Por outro lado, Israel comenta sobre outras medidas anunciadas que aliviaram a situação das empresas, como o programa emergencial do Governo Federal, permitindo a redução da jornada de trabalho e do salário dos trabalhadores e a postergação de tributos federais, como PIS, Pasep, Cofins e FGTS. 

Ele destaca que que o setor aguarda com expectativa o desdobramento de toda a situação envolvendo a crise. E fez questão de ressaltar que todas empresas estão preocupadas com  a questão econômica, mas se deixar de lado a preocupação com a saúde dos trabalhadores.

Construção Civil quase não demitiu em Lages

A construção civil, outro importante setor da economia catarinense, perdeu 23,8% de sua força de trabalho em santa Catarina, conforme o levantamento da Fiesc.

No Estado, este setor gera cerca de 100 mil empregos, e é responsável por aproximadamente 4% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual.

Em Lages, de acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil de Lages (Sinduscon), Fabiano Ventura, o desemprego no setor “foi pouco” durante a paralisação da empresas, no entanto, deixa claro que o cenário é de incertezas.

Ressalta que as empresas estão lutando para sobreviver e manter os empregos, mas tudo depende dos desdobramentos da crise.

Segundo ele, as empresas estão tentando manter as atividades, mas tudo depende de como elas vão reagir à crise e do que vai acontecer nos próximo dias.

 

Foto: Empregos são afetados_Construção civil_Adecir Morais (4).JPG

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