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Moradores pagaram por casa que não receberam

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Zenita investiu um salário mínimo. Não recebeu o dinheiro de volta e reforma de sua casa nunca aconteceu - Foto: Susana Küster

Moradora da Localidade de Piúrras, em Bocaina do Sul, Zenita Macedo Muniz, pagou um salário mínimo para fazer parte do programa do governo federal Minha Casa Minha Vida Rural e ganhar o material para reformar sua residência. Isso foi em 2013 e até agora, ela e vários moradores do município ficaram no prejuízo, pois nenhuma obra foi feita.

Alguns, como é o caso de Vanderlei Liz Freitas, da mesma localidade, pagou pelo material que serviria para a construção da casa. “A minha casa está precária, por isso paguei para construir outra. Disseram que iriam me devolver o dinheiro, mas até agora nada, já fazem uns quatro anos”.

O mesmo ocorreu com Débora Gerber Silva. Há cerca de cinco anos ela pagou um salário mínimo para o material da sua casa própria, mas o sonho não se concretizou. Sua mãe, Roselene Gerber, conta que no fim, a filha pegou um projeto pronto e construiu a casa por meios próprios. 

Roselene também ficou no prejuízo, ela mora na Localidade Fazenda da Pedra. Pagou pela reforma da casa, que nunca teve e como a estrutura estava muito precária, teve que dar um jeito de pagar por conta própria para a obra acontecer. “O engenheiro chegou a vir fazer umas medições, mas depois disso, nunca mais tivemos retorno”.

Todos os moradores entrevistados pelo CL, explicaram que pagaram os valores para o Sindicato Rural de Lages, que encaminharia o dinheiro para uma empresa terceirizada.

O presidente do sindicato, Carlos Luiz Peron, informou que a entidade fez somente o meio de campo entre os moradores e a empresa SOS Sustentável, de Chapecó. “Quem quiser ser ressarcido precisa vir até o sindicato para formalizarmos o pedido”.

O empresário Rolf Sprung, da SOS Sustentável, afirma que de 2006 até meados de 2015, organizava os documentos para os sócios dos sindicatos conseguirem participar de programas do governo federal.

“Por falta de liberação de recursos da Caixa, que não recebeu do governo federal, não pudemos continuar o processo de construção. Ficamos no prejuízo, praticamente falimos, fizemos vários serviços que não recebemos”.

Ele conta que atendia várias cidades do Estado e tinha 60 funcionários, precisou demitir a maioria. “Os últimos governos praticamente acabaram com o programa, cheguei ir até a Brasília, só recebemos promessas”.

Caixa diz que não é responsável pelo programa

A Caixa, por meio da assessoria de imprensa, diz que a responsabilidade pelo programa Minha Casa Minha Vida é do Ministério do Desenvolvimento Regional. E sobre a situação em Bocaina do Sul, a assessoria informa que não há qualquer registro de atuação da Caixa. 

Das partes envolvidas no processo, apenas o Sindicato dos Trabalhadores Rurais sinalizou em apoiar as vítimas para que receberam o que já investiram. Mesmo assim, diante das incertezas, o Correio Lageano buscou informações junto ao Procon. O executivo do Procon de Lages, Júlio Borba, orienta os moradores a entrarem com uma ação judicial coletiva para conseguir os valores de volta.

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