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Mais de 1 milhão de jovens não concluem o ensino médio até os 19 anos

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Foto: Divulgação

Dos 3,2 milhões de brasileiros com 19 anos, 2 milhões concluíram o ensino médio, o que representa 63,5% do total, segundo levantamento do movimento Todos Pela Educação, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio de 2012 a 2018 (Pnad-C) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Do total que não concluiu o ensino médio, 62% não estão mais na escola e, desses jovens, 55% pararam de estudar no ensino fundamental.

Em Lages, Luana Pereira Toniello faz parte deste perfil. Com 19 anos ela parou temporariamente de estudar para cuidar de um filho, mas retorna para concluir o ensino médio em 2019, quando já terá 20 anos de idade. Pelo mesmo motivo, Luana também deixou de trabalhar, mas avalia que conseguia conciliar bem o trabalho e os estudos.

Para o professor da Uniplac e pesquisador em Educação, Gilberto Sá, são várias as razões que causam a interrupção ou atraso nos estudos. Nesta idade, geralmente os jovens passam por mudanças físicas e psicológicas e o ensino médio tradicional deixa de ser atraente, os alunos não veem uma aplicação imediata para a teoria repassada em sala de aula. “As aulas se tornam entediantes”, resume o professor.

Para ele, a Reforma do Ensino Médio, já aprovada, deve tornar essa fase do aprendizado mais atraente. A teoria será voltada à qualificação profissional, uma necessidade para os jovens que precisam estar preparados para o mercado de trabalho. A implantação da reforma deve ocorrer gradualmente a partir de 2019.  

Dentre outros fatores, Sá cita a condição sócio-econômica, que muitas vezes exige que o estudante tenha um emprego formal ou informal. Em alguns casos o emprego é conciliado com os estudos e em outros não. A opção geralmente é pelo trabalho. A situação é tão séria, que alguns alunos são contra a escola integral, mesmo com cursos profissionalizantes no contraturno.

“Algumas iniciativas exitosas já são realizadas. Temos políticas públicas e em Santa Catarina o Programa A Indústria pela Educação, realizada pela Fiesc, estimula a qualificação de jovens e adultos”, avalia Gilberto Sá.  

Problema começa na educação básica

O diretor de Políticas Educacionais do Todos pela Educação, Olavo Nogueira Filho, avalia que o desafio não é só garantir a permanência dos jovens no ensino médio, mas levar para a escola os que abandonaram as salas de aula. “Os indicadores mostram que temos graves problemas no ensino médio e não estamos conseguindo revertê-los. Porém, o desafio maior refere-se à educação básica. Precisamos reverter a trajetória de insucesso na educação básica”, afirmou.

Entre 2012 e 2018, conforme o levantamento, houve um crescimento de 11,8 pontos percentuais na taxa de conclusão do ensino médio até os 19 anos. Segundo Nogueira Filho, a avaliação dos dados por estado mostra que é possível melhorar o atendimento aos jovens no ensino médio. Em Pernambuco, por exemplo, a taxa dos que concluem o ensino médio até os 19 anos (67,6%) é maior do que a média nacional. “Isso mostra que é possível fazer melhor”, disse. A responsabilidade pela educação básica é dos estados e municípios. A União participa com o financiamento.

Ensino fundamental

No ensino fundamental, conforme o levantamento do movimento Todos Pela Educação, as taxas de conclusão mantiveram-se estáveis no período. Essa etapa teve uma queda no número absoluto de concluintes devido à redução da população de 16 anos no país. Em 2018, foram 212.281 concluintes a menos do que em 2017, que por sua vez teve menos concluintes que o ano anterior, com uma redução de 64.058.

Qualidade é baixa

Segundo a presidente-executiva do Todos Pela Educação, Priscila Cruz, os números refletem “um patamar baixo de qualidade da educação básica” no país. “Embora o país tenha o mérito de ter avançado na oferta do acesso à escola, temos falhado em garantir qualidade do ensino para todos e com isso vamos perdendo nossas crianças e jovens pelo caminho, configurando um grave cenário de exclusão escolar”, argumentou.

O movimento defende a adoção de uma estratégia nacional e uma atuação integrada da União, dos estados e dos municípios, na educação básica – que inclui educação infantil, ensino fundamental e ensino médio.

“Os indicadores demonstram que os desafios para nossos jovens concluírem a educação básica na idade certa são complexos e exigem atuação sistêmica, ou seja, com políticas públicas em várias frentes ao mesmo tempo e de forma integrada. Temos diagnósticos, temos evidências sobre quais os melhores caminhos, temos redes que estão avançando. Está na hora de priorizar as medidas que realmente podem fazer o país avançar na qualidade da educação básica”, afirmou Priscila Cruz.

O levantamento evidenciou a desigualdade no ensino. Adolescentes negros e moradores das áreas rurais têm taxas de conclusão mais baixas do que as dos brancos e de regiões urbanas em todas as etapas da educação básica.

No ensino fundamental, a diferença entre negros e brancos é de 10,4 pontos percentuais e entre jovens de áreas rurais e urbanas, 12 pontos percentuais. No ensino médio, a distância se amplia para 19,8 pontos percentuais e 19 pontos percentuais, respectivamente.

A avaliação do Todos pela Educação é que o baixo índice de conclusão da educação básica na idade certa está relacionado à taxa de insucesso escolar, ou seja, a combinação da reprovação com o abandono.

O levantamento mostra que, a partir do 3º ano do ensino fundamental, o final do ciclo de alfabetização, a taxa de insucesso escolar começa a se intensificar: em 2017, 10,5% dos alunos não passaram de ano. Já no 6º ano, esse índice salta para 15,5%. No 1º ano do ensino médio, de cada 100 alunos, 23 são reprovados.

Reprovação

  • 10,5% dos alunos não passaram de ano em 2017;
  • 15,5% é o índice no 6º ano e
  • 23% dos alunos não são aprovados no 1º ano do ensino médio.
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