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Lages proíbe pesquisa com exames para detectar o coronavírus

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Imagem detalha como é feito o teste para detectar possíveis casos de coronavírus Foto: Daniela Xu/UFPel/Divulgação

A Prefeitura de Lages proibiu uma pesquisa na cidade com exames para detectar possíveis casos do novo coronavírus em moradores. A decisão foi tomada após autoridades municipais serem informadas que uma equipe da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) esteve na cidade para realizar o estudo, na quinta-feira. A Prefeitura Municipal alega que o levantamento foi feito sem o conhecimento de autoridades municipais.

“A Secretaria Municipal da Saúde reconhece a validade do trabalho, mas discorda totalmente da forma como está sendo praticado, sem prévio conhecimento, o que gerou transtornos e insegurança entre a população. Repudia-se também a realização da pesquisa sem critérios logísticos locais, como a devida identificação dos técnicos e a ampla divulgação entre os moradores”, diz uma nota da prefeitura.

“Além do descarte inadequado dos testes em sacos plásticos, outra preocupação é sobre a contabilização dos casos eventualmente confirmados na pesquisa, sendo que nada chegou a conhecimento da Secretaria Municipal da Saúde, que efetivamente contabiliza e divulga oficialmente os dados”, acrescenta a nota.

Intitulada “Evolução da Prevalência de Infecção por Covid-19 no Brasil”, a pesquisa é apoiada financeiramente pelo Ministério da Saúde e executada em 133 municípios do Brasil, dentre os quais, Lages. Em Santa Catarina, além de Lages, estão na lista para receber o estudo os municípios de Blumenau, Caçador, Chapecó, Criciúma, Florianópolis e Joinville.

Segundo a Prefeitura de Lages, a Secretaria Municipal da Saúde teve acesso a um ofício enviado no último dia 12 pelo Ministério da Saúde à Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina, informando sobre a pesquisa e solicitando a comunicação imediata aos municípios. No caso de Lages, no entanto, essa comunicação não ocorreu.

Em nota de sua assessoria de imprensa, a Secretaria de Estado da Saúde esclareceu que tal pesquisa foi cancelada pela Superintendência do Ministério da Saúde em Santa Catarina, até que tais instituições comuniquem os órgãos estaduais e se adequem às normas sanitárias vigentes.

Pesquisa é feita em 133 municípios

Por meio de sua assessoria de imprensa, a UFPel informou que houve um “ruído” na comunicação entre o Ministério da Saúde e o município de Lages, razão pela qual o comunicado acabou não chegando ao conhecimento das autoridades da cidade. No entanto, afirmou que a questão já está sendo resolvida e que a pesquisa será retomada o quanto antes. Em Lages, serão testadas 250 pessoas.

O estudo irá avaliar a velocidade de expansão do coronavírus. Em todo Brasil, serão testadas 99.750 pessoas de 133 municípios em todos os estados brasileiros. A pesquisa, que irá medir a proporção de pessoas com anticorpos para a doença, é o maior estudo em nível mundial de prevalência da Covid-19. 

O trabalho é coordenado pelo Centro de Pesquisas Epidemiológicas da UFPel,  com financiamento do Ministério da Saúde do Brasil. A primeira fase do estudo teve início na quinta-feira (14) e se estenderá até este sábado, com a realização de testes rápidos para o coronavírus e entrevistas com 250 participantes em cada uma das 133 cidades. As pessoas serão entrevistadas e testadas em casa, por meio de um sorteio aleatório, utilizando os setores censitários do IBGE como base.

Todos os entrevistadores foram previamente testados e apenas aqueles que apresentaram resultado negativo irão às ruas para realização da coleta de dados e aplicação do teste sanguíneo. Esses profissionais, devidamente treinados por um especialista da área de saúde, estarão utilizando os equipamentos de proteção individuais (EPIs), conforme orientação do Ministério da Saúde. São eles: máscaras descartáveis, toucas descartáveis, aventais descartáveis, sapatilhas descartáveis, óculos de proteção e luvas.

Sigilo

As informações coletadas são absolutamente sigilosas, e serão tratadas de forma anônima e os respondentes não serão identificados, de acordo com todas as normas éticas internacionais sobre pesquisas em saúde (com exceção da Vigilância Sanitária, caso o resultado do teste seja positivo). Os resultados dos estudos serão sempre tratados conjuntamente e nunca de forma individual.

“É fundamental que as pessoas recebam os entrevistadores e participem da pesquisa. Além de ficarem sabendo do resultado dos seus exames, os dados serão fundamentais para subsidiar estratégias de enfrentamento da pandemia”, comenta a epidemiologista Mariângela Freitas, integrante da coordenação do estudo na UFPel”, disse em nota a universidade gaúcha.

O cronograma da pesquisa prevê mais duas fases, com coletas de dados programadas para os dias 28 e 29 de maio, na 2ª fase, e 11 e 13 de junho, na 3ª fase. Ao final, terão sido realizados mais de 33 mil testes em cada uma das três fases, intercaladas por duas semanas, totalizando quase 100 mil pessoas.

 

Foto: Detalhe gota amostra coleta – teste rápido Créditos Daniela Xu – Epidemiologia UFPel.JPG

 

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